Como surgiu a centenária busca pelo Monstro do Lago Ness

Lenda surgiu na Idade Média e se popularizou no século XX a partir de vários relatos apontando para a existência de uma criatura misteriosa
A lenda do Monstro do Lago Ness é antiga, mas muito conhecida até hoje. Os primeiros relatos sobre uma criatura estranha vivendo no Lago Ness, na Escócia, datam da Idade Média. A história, no entanto, ganhou o mundo apenas no século XX.
Desde então, diversas buscas, expedições e pesquisas foram realizadas no local com o objetivo de tentar encontrar alguma evidência que comprove a veracidade do mito. A região também se tornou um importante ponto turístico.
A lenda original data do século XI, quando o monge irlandês São Columba (521-597) teria encontrado uma criatura estranha na região. Já a história moderna teve início em 1933, com o relato da gerente de hotel Aldie Mackay. Ela declarou que a superfície do lago estava calma, quando algo subitamente emergiu.
Era tão incomum que você simplesmente não acreditava no que estava vendo. Aquilo simplesmente subiu; poderia ter sido um elefante, poderia ter sido uma baleia, poderia ter sido qualquer coisa. Era grande, preto e brilhante, porque estava molhado. Ele saiu do lago, deu uma volta em rodopio e simplesmente desapareceu”, explica Aldie Mackay.
Apesar de afirmar que não acreditava tratar-se de um monstro, a história logo ganhou vida. Diversos relatos semelhantes surgiram nos anos seguintes. Em dezembro de 1933, o jornal Daily Mail contratou o caçador Marmaduke Wetherell para procurar algum sinal do Monstro do Lago Ness. Ele disse ter encontrado grandes pegadas, mas zoólogos rapidamente descobriram que eram falsas. Foi um ano depois que a imagem mais famosa surgiu. A foto mostrava um pescoço fino, parecido com uma serpente, se elevando do lago. Algum tempo se passou até que, mais uma vez, se provasse que aquele relato era falso. Mas é claro que muitas pessoas têm certeza que há algo escondido ali.
A exploração definitiva
O Lago Ness — uma longa e fina faixa de água nas terras altas escocesas — contém mais água do que todos os lagos ingleses e galeses juntos. Quem sabe quais segredos podem se esconder nas suas misteriosas profundezas?
De caçadores de animais até trombonistas tentando atrair o monstro com um possível chamado de acasalamento, especialistas e amadores se dedicam a tentar capturar a solitária criatura, carinhosamente apelidada de Nessie.
Segundo reportagem da BBC, uma grande exploração com sonares foi realizada em 1987 para desvendar o mistério de uma vez por todas. A imprensa mundial se instalou nas belas e tranquilas charnecas em torno do lago, para o lançamento da Operação Deepscan. Uma equipe internacional de caçadores do monstro trouxe equipamento de alta tecnologia, no valor total de um milhão de libras (cerca de US$ 1,35 milhão ou R$ 7,35 milhões, pelo câmbio atual).
Sua intenção era vasculhar todos os locais onde Nessie poderia estar escondido. Foram 24 barcos alinhados para varrer o lago, todos armados com sonares de última geração, lançando uma parede de som até as águas mais profundas. A frota lançou sua rede sônica através da água por 37 km, enquanto os cientistas analisavam seus gráficos em busca de sinais sonoros reveladores.
Eles não encontraram o monstro. Mas, ao longo de uma semana, os sensores, de fato, captaram três contatos de sonar que indicavam que havia algo grande nas águas perto das ruínas do castelo de Urquhart, nas margens do lago. Pode ter sido apenas uma foca ou um cardume de salmões. Mas a boa notícia é que aquele sinal fez com que a lenda do Monstro do Lago Ness permanecesse intacta. O líder do projeto e veterano caçador de Nessie Adrian Shine contou à BBC: “se fôssemos pegar um peixe com a escala sugerida pelos contatos, acho que ninguém sairia muito insatisfeito e a presença de todas aquelas testemunhas estaria justificada”.
A missão foi considerada inconclusiva — “não foi provado”, como costuma dizer a legislação escocesa. O especialista em sonares Darrell Lowrance claramente se resguardou, ao dizer que “isso não significa que há um monstro aqui, mas também não quer dizer que eu ache que não exista. Eu não gostaria de ser linchado no norte da Escócia”.
Mas os turistas permaneceram inabaláveis. Uma mulher insistia ter visto “nitidamente” o monstro durante sua visita. O apresentador da BBC Clive Ferguson (1951-2022) concluiu que “acima de tudo, a Operação Deepscan comprovou que não se pode destruir uma lenda com a ciência”.
Fonte: Olhar Digital













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