A Semana no Brasil e no Mundo — PF pede afastamento de Toffoli do caso Banco Master
A crise envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo sensível no Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal encontrou menções ao ministro Dias Toffoli em aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro, alvo central das investigações. Diante do achado, a direção da PF decidiu encaminhar relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, solicitando a declaração de suspeição de Toffoli. As informações são do Estadão.
O movimento é incomum e institucionalmente delicado. Como relator do caso no Supremo, Toffoli seria o destinatário natural de novas informações. No entanto, por estar citado nos diálogos apreendidos, os investigadores optaram por enviar o material diretamente a Fachin, a quem cabe decidir sobre pedidos de suspeição contra ministros da Corte.
Em nota oficial, o gabinete de Toffoli confirmou o recebimento do pedido e reagiu com firmeza. Segundo o ministro, a iniciativa da PF estaria baseada em “ilações”. O comunicado sustenta ainda que, juridicamente, a Polícia Federal não teria legitimidade para apresentar o pedido, por não ser parte formal no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil. A resposta formal será enviada a Fachin, que já teve reunião registrada com o diretor-geral da PF, delegado Andrei Rodrigues, na segunda-feira, sob a descrição genérica de “fluxo processual ordinário”. A informação foi divulgada pelo UOL e confirmada pelo Estadão.
Nos bastidores do meio jurídico, já havia pressão para que Toffoli deixasse a relatoria do caso Master. A razão: negócios envolvendo parentes do ministro e fundos ligados ao entorno de Vorcaro. Segundo documentos da Junta Comercial do Paraná, os irmãos do ministro, José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, cederam participação societária milionária no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), a um fundo administrado pela Reag Investimentos. A gestora é citada em apurações que envolvem teias de fundos relacionados ao Banco Master e suspeitas de irregularidades fiscais no setor de combustíveis. Os registros indicam que a participação chegou a R$ 1,37 milhão na Tayaya Administração e R$ 5,4 milhões na DGEP Empreendimentos.
Embora não haja acusação formal contra os irmãos do ministro, o contexto alimentou questionamentos sobre eventual conflito de interesse — argumento que agora ganha novo fôlego com as mensagens encontradas no celular de Vorcaro. O caso coloca o STF diante de uma decisão institucional relevante. Caso Fachin entenda haver fundamento para a suspeição, Toffoli poderá ser afastado da relatoria, alterando o curso da investigação.
Se o pedido for rejeitado, a tendência é que a defesa dos investigados utilize o episódio para sustentar futuras alegações de nulidade ou questionamentos processuais. O episódio aprofunda a crise em torno do Banco Master e amplia a tensão entre Polícia Federal e Supremo Tribunal Federal — dois pilares centrais do sistema de Justiça brasileiro. A decisão agora está nas mãos da presidência do STF. (Fonte: Hora Brasília)
Senado da Argentina aprova reforma trabalhista de Milei

Por Isabella de Paula
Após mais de 16 horas de discussão, o Senado da Argentina aprovou, na madrugada desta quinta-feira (12), o projeto de reforma trabalhista proposto pelo presidente Javier Milei, que modifica as condições de trabalho no país, caracterizado por um alto nível de sindicalização. A Câmara Alta aprovou o projeto por 42 votos a favor, 30 contra e nenhuma abstenção. Agora, a iniciativa deve ser rapidamente encaminhada à Câmara dos Deputados, onde o partido governista terá a oportunidade de promulgar o primeiro projeto de lei relacionado a esse tema após diversas tentativas frustradas nas últimas décadas.
Entre as mudanças apresentadas pelo projeto estão a flexibilização de contratos, redução de indenizações e facilitação de demissões. Ao todo, a proposta passou com 213 artigos. Segundo o portal argentino Infobae, em termos gerais, as modificações do texto legislativo nas últimas 48 horas incluíram a remoção do artigo sobre alívio fiscal para grandes empresas — o que significa mais dinheiro para os governadores e o governo nacional; concessões a sindicatos e câmaras de comércio com a manutenção das contribuições obrigatórias.
O partido de Milei também conseguiu incluir, como anexo à lei, a transferência dos tribunais trabalhistas para a Cidade de Buenos Aires, uma questão que gerou controvérsia entre os senadores. A secretária-geral da presidência e irmã do governante argentino, Karina Milei, e o chefe de Gabinete de Ministros, Manuel Adorni, (ambos da máxima confiança do presidente), acompanharam a votação diretamente do Senado. “Histórico, VLLC (Viva la llbertad, c*)”, postou Milei, referindo-se ao slogan de sua campanha presidencial, na rede social X imediatamente após a votação.
O governo espera que o projeto de reforma trabalhista supere todos os obstáculos legislativos antes de 1.º de março, quando começa o período ordinário do Congresso e Milei fará um discurso à nação. O debate e as votações deste projeto de lei estão sendo realizados atualmente em sessões extraordinárias. A passagem pelo Senado é a primeira conquista do A Liberdade Avança (LLA, partido de Milei) no Congresso neste 2026 e responde ao bom resultado obtido nas eleições legislativas de outubro do ano passado, quando a formação do partido aumentou de maneira significativa sua representação nas duas casas do Congresso.
Com o respaldo da União Cívica Radical (UCR, centro-direita), do Proposta Republicana (PRO, direita) — sob a liderança do ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019) — e dos blocos federais, o LLA conseguiu que 38 senadores garantissem o quórum para iniciar a sessão realizada nesta quarta-feira. O projeto chegou à Câmara Alta após inúmeras modificações do texto acordadas até a última hora e negociações entre o governo e os governadores provinciais, cujos representantes parlamentares se expressaram a favor da medida. Durante a tarde de quarta-feira, ao mesmo tempo em que se debatia a reforma trabalhista no Senado, a Praça do Congresso de Buenos Aires e as ruas adjacentes foram cenário de uma batalha campal entre manifestantes contrários à reforma e as forças de segurança, resultando em vários feridos e detidos. (Fonte: Gazeta do Povo)
Transparência Internacional acusa Lula de “falha grave” em escândalo bilionário do INSS e expõe blindagem política

O relatório Retrospectiva Brasil 2025, divulgado na terça-feira (10) pela Transparência Internacional, faz uma acusação direta ao governo Luiz Inácio Lula da Silva: o Planalto falhou gravemente ao lidar com o maior esquema de corrupção previdenciária já identificado no país. No mesmo dia, a ONG manteve o Brasil na 107.ª posição do ranking mundial de corrupção — o pior resultado histórico. Segundo o documento, a resposta do governo foi lenta, insuficiente e politicamente orientada, apesar da magnitude do rombo causado por descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social. A Transparência Internacional cita como exemplo simbólico da inação a substituição do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, por Wolney Queiroz, que já era secretário-executivo da pasta. Para a ONG, a troca não representou ruptura, mas continuidade — uma solução política para um problema estrutural.
As críticas ganham peso diante do escândalo revelado pela Polícia Federal em abril de 2025, com a Operação Sem Desconto. A investigação desvendou um esquema nacional que operava com propina a servidores, assinaturas falsas e associações de fachada controladas por laranjas. Essas entidades cadastravam beneficiários sem autorização e passavam a descontar valores diretamente na folha. Houve casos de um mesmo aposentado filiado a múltiplas associações no mesmo dia. PF e Controladoria-Geral da União estimam que os desvios entre 2019 e 2024 podem chegar a R$ 6,3 bilhões.
O relatório aponta um fator decisivo para a expansão da fraude: a liberação de descontos em lote pelo próprio INSS, sem autorização individual dos beneficiários. Para a Transparência, isso evidencia falhas graves de controle, coordenação e resposta do governo diante do que classifica como “o maior esquema de corrupção previdenciária da história brasileira”. No centro das apurações aparece Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Investigadores apontam que ele teria movimentado R$ 24,5 milhões em apenas cinco meses, com repasses destinados a propina para servidores graduados. Em uma transação, R$ 7,5 milhões teriam sido enviados a empresas ligadas à esposa de um ex-procurador do instituto. O nome de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) surge em trechos da investigação como figura próxima de Careca. Reportagem do Metrópoles revelou que uma mansão alugada por Roberta Luchsinger, sócia de Careca, passou a ser usada com frequência por Lulinha. Há ainda registros de transferência de R$ 1,5 milhão a Luchsinger com menção ao “filho do rapaz”, além de viagem conjunta a Portugal em novembro de 2024 e mesadas de até R$ 300 mil. Apesar das citações, Lulinha não é alvo formal da operação.
O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana, afirmou que Careca buscou influência política via o filho do presidente, inclusive para ampliar contratos com o governo federal, como o fornecimento de canabidiol ao Ministério da Saúde.
A CPMI enfrentou resistência sistemática ao tentar avançar sobre nomes do entorno presidencial. Requerimentos para convocar Lulinha e Frei Chico, irmão de Lula, foram rejeitados, apesar de citados na investigação. Parlamentares da oposição acusam a base governista de blindagem deliberada para conter as apurações.
É uma vergonha que parlamentares sigam cegamente a ordem de blindagem”, afirmou o relator Alfredo Gaspar. Ele defende prorrogação dos trabalhos, hoje previstos para encerrar em 28 de março, diante da complexidade e do alcance do caso.
(Fonte: Hora Brasília)
Secretário dos EUA visita Venezuela e fecha acordo “histórico” sobre setor de energia

Por John Lucas
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, visitou, nesta quarta-feira (11), Caracas e fechou um acordo energético classificado como “histórico” pelo governo americano, durante reunião com a ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, no Palácio de Miraflores, sede do poder executivo. Segundo comunicado do Departamento de Energia dos EUA, a visita de Wright à Venezuela é “histórica”. O departamento disse que o secretário visitará campos petrolíferos venezuelanos para observar “como o histórico Acordo Energético entre EUA e Venezuela do presidente Donald Trump está promovendo a paz e a prosperidade”.
A visita ocorre duas semanas após o Parlamento venezuelano aprovar uma reforma da lei que abre o setor petrolífero ao investimento estrangeiro. Também acontece após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitir novas licenças que flexibilizam restrições para que empresas americanas operem no mercado de petróleo venezuelano, ainda que sob condições rigorosas de controle e prestação de contas. Durante o encontro com Delcy nesta quarta, Wright afirmou que levou uma mensagem do presidente Donald Trump, que, segundo ele, tem um “compromisso apaixonado” por transformar a relação bilateral entre os dois países, rompida desde 2019.
Nossos países compartilham uma longa história de muitos capítulos. Trago uma mensagem do presidente Trump, que tem um compromisso apaixonado por transformar a relação entre os Estados Unidos e Venezuela”, declarou em conversa com a imprensa ao lado de Rodríguez.
De acordo com o secretário americano, o objetivo é unir os países e “trazer comércio, paz, prosperidade, empregos e oportunidades à Venezuela” por meio de uma parceria. Ele afirmou ainda que houve uma conversa “franca” sobre oportunidades e desafios, e que ambas as partes se comprometeram a “trabalhar juntas para resolvê-los”. Delcy Rodríguez anunciou que, durante o encontro desta quarta, foi estabelecida uma “parceria produtiva de longo prazo” entre Venezuela e EUA em matéria energética e que os dois países discutiram projetos nas áreas de petróleo, gás, mineração e energia elétrica. Segundo ela, a agenda energética deve se tornar “motor da relação bilateral” e ser “produtiva, eficaz, benéfica para ambos os países e complementar”.
A reunião marca a primeira visita de um alto funcionário de Washington após a operação militar de 3 de janeiro, durante a qual o ditador Nicolás Maduro foi capturado. Também ocorre no contexto da reabertura da missão diplomática americana em Caracas, fechada há sete anos após a ruptura das relações em 2019. Além do encontro com Rodríguez, a agenda oficial de Wright nesta quarta incluiu reuniões com empresários e veículos de comunicação internacionais. Nesta quinta-feira (12), ele deve visitar as instalações das empresas Petroindependencia e Petropiar, operadas pela Chevron no estado de Anzoátegui. Após a captura de Maduro, Trump pediu “acesso total” aos recursos petrolíferos venezuelanos. Wright afirmou que Washington controlará a venda do petróleo do país por período “indefinido”. (Fonte: Gazeta do Povo)
Banco do Brasil vê lucro despencar 45% em 2025

O Banco do Brasil fechou 2025 com uma queda expressiva nos resultados. O lucro líquido ajustado somou R$ 20,7 bilhões, recuo de 45,4% em relação ao ano anterior. Somente no quarto trimestre, o lucro foi de R$ 5,7 bilhões, queda de 40% na comparação anual. Apesar disso, houve melhora de 51,7% frente ao terceiro trimestre, resultado que superou as projeções do mercado. A principal causa do tombo foi o aumento da inadimplência no agronegócio, que obrigou o banco a reservar muito mais dinheiro para cobrir possíveis calotes. O banco elevou a chamada PDD (provisão para devedores duvidosos) para R$ 61,95 bilhões em 2025, alta de 73,5% em um ano. Desse total, R$ 32,35 bilhões estão ligados ao agronegócio, setor que enfrentou forte onda de recuperações judiciais de produtores rurais.
O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu de 3,16% para 5,17% da carteira — um salto relevante em apenas 12 meses. No quarto trimestre, a provisão ficou em R$ 17,96 bilhões, praticamente estável em relação ao trimestre anterior, o que ajudou a evitar um resultado ainda pior. O indicador de rentabilidade (RSPL) caiu de 21,4% para 11,4% em um ano. Isso significa que o banco passou a gerar praticamente metade do retorno sobre o capital próprio que entregava anteriormente — um sinal claro de perda de eficiência no período. A carteira total de crédito encerrou 2025 em R$ 1,3 trilhão, crescimento modesto de 2,5%.
O avanço veio principalmente de:
• Cartão de crédito (+19,6%)
• Crédito não consignado (+11,8%)
• Crédito consignado (+8,1%)
Já o crédito ao agronegócio cresceu apenas 2,1%, e o crédito para empresas avançou 0,6%. A presidente do banco, Tarciana Medeiros, afirmou que o BB atravessou um cenário adverso, mas prevê melhora em 2026.
Para este ano, o banco projeta:
• Crescimento da carteira entre 0,5% e 4,5%
• Redução do custo do crédito para até R$ 58 bilhões
• Lucro entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões (Fonte: Hora Brasília)
China quer aniquilar soberania de Taiwan, dizem autoridades

Por John Lucas
Autoridades de Taiwan disseram nesta terça-feira (10) que a China quer aniquilar a ilha por meio da imposição do princípio de “uma só China” e do chamado “consenso de 1992”, estratégia que, segundo o governo taiwanês, teria como consequência final a eliminação de sua soberania. Segundo o jornal Taipei Times, o Conselho de Assuntos do Continente afirmou que a retórica apresentada por Pequim durante a chamada Conferência de Trabalho sobre Taiwan representa a repetição de uma linha política antiga cujo objetivo último seria a absorção total da ilha.
De acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, Wang Huning, presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e quarto dirigente mais graduado do Partido Comunista Chinês, declarou nesta semana na Conferência de Trabalho sobre Taiwan que as autoridades devem avançar na “grande causa da reunificação nacional”, apoiar forças “patrióticas pró-reunificação” em Taiwan e combater o que chamou de “separatismo e interferência externa”.
Conforme a Xinhua, Wang também reiterou a necessidade de manter o princípio de “uma só China” e o chamado “consenso de 1992”, entendimento político segundo o qual ambos os lados do Estreito reconheceriam a existência de uma única China, ainda que com interpretações distintas. Em resposta, o Conselho de Assuntos do Continente de Taiwan declarou, segundo o Taipei Times, que o respaldo do Partido Comunista Chinês às forças pró-reunificação na ilha e a proposta de que “patriotas” governem Taiwan evidenciam uma estratégia para aprofundar “divisões internas” no país. O órgão acrescentou que continuará monitorando as ações de Pequim e responderá de forma pragmática para proteger a soberania e a segurança nacional. (Fonte: Gazeta do Povo)
(Foto de capa: Carlos Moura/STF)

















