Disciplina é liberdade, futuras matrizes energéticas para a indústria

Conteúdo Publicado na Revista Aço5.0BR
Na interseção entre disciplina e liberdade está o futuro energético da indústria. Disciplina para organizar investimentos, políticas e infraestrutura; liberdade para inovar, reduzir emissões e ampliar a competitividade em mercados cada vez mais sustentáveis. O Brasil, com sua matriz energética singular no cenário mundial, tem diante de si a oportunidade de se tornar um protagonista na transição energética industrial.
O ponto de partida: a matriz brasileira hoje
Segundo o Balanço Energético Nacional 2025 (ano-base 2024), publicado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), o Brasil atingiu 88,2% de participação de fontes renováveis na matriz elétrica e 50% de fontes renováveis na matriz energética total (MME/EPE, 2024). Para comparação, a média mundial de renováveis na matriz energética é de apenas 14%.
Em 2021, a matriz elétrica já era fortemente limpa: 84,8% de fontes renováveis, distribuídas entre hidrelétrica (65,2%), eólica (8,8%), biomassa (9,1%) e solar (1,66%) (Confederação Nacional da Indústria – CNI; World Resources Institute, 2021).
Na indústria especificamente, a matriz energética é composta por 48% de biocombustíveis, 29% de combustíveis fósseis e apenas 23% de eletricidade (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial – IEDI, Carta n. 1291, 2023).
Outro diferencial brasileiro é a baixa intensidade de emissões da indústria nacional: apenas 139,9 toneladas de CO₂ por milhão de dólares do PIB, contra 374,9 toneladas nos EUA e 638,9 toneladas na China (CNI/WRI, 2021).
Esses números mostram que já partimos de uma posição privilegiada — mas também indicam que há muito espaço para inovação.

As matrizes energéticas do futuro
- Hidrogênio Verde e Bioenergia
O Brasil possui vantagens competitivas para se tornar líder global em hidrogênio verde, com projetos em andamento no Porto do Pecém (CE), pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pela Unigel (BA) (Wikipedia, “Hidrogênio verde”, 2023). A integração entre biomassa, energia solar e eólica permite produzir hidrogênio de forma competitiva, reforçando o papel da bioenergia. - Expansão Solar e Eólica
Entre 2021 e 2023, a capacidade solar instalada no Brasil praticamente dobrou, saltando de 7,5 GW para mais de 14 GW (LingoPass, 2023). O Complexo Solar Pirapora (MG), com mais de 400 MW, já é um dos maiores da América Latina.
Na eólica, o Parque Campo Largo (BA) ultrapassa 700 MW, utilizando tecnologia de empresas globais como AES, Goldwind e Vestas (LingoPass, 2023). - Redes Inteligentes (Smart Grids)
Empresas como Schneider Electric, Siemens, ABB e GE já estão modernizando redes no Brasil, implementando smart grids que permitem maior integração das fontes renováveis e melhor gestão do consumo industrial (CNI, 2022; LingoPass, 2023). - Powershoring
Uma tendência emergente é o powershoring, que consiste em transferir a produção industrial para regiões onde há energia limpa, barata e próxima dos mercados consumidores. Esse conceito vem ganhando força em cadeias globais e pode colocar o Brasil como destino preferencial de indústrias intensivas em energia (Wikipedia, “Powershoring”, 2023). - Ferro como Vetor Energético
Pesquisas recentes (ArXiv, artigo Retrofitting Coal Power Plants with Iron as an Energy Carrier, 2022) exploram o uso do ferro como “porta-energia”, aproveitando sua capacidade de armazenar e liberar energia em ciclos. Essa alternativa poderia transformar antigas usinas fósseis em plantas de energia limpa.

Disciplina para alcançar a liberdade energética
A indústria brasileira já parte de uma base energética mais limpa do que grande parte do mundo, mas a disciplina em políticas públicas consistentes, investimentos em inovação e infraestrutura, e integração entre ciência e mercado será fundamental para que possamos alcançar a liberdade energética — autonomia, competitividade e sustentabilidade.
Seja pelo hidrogênio verde, pela expansão solar e eólica, pelos smart grids, ou por conceitos disruptivos como powershoring e ferro como vetor energético, o futuro da matriz energética para a indústria será definido pela capacidade de transformar potencial em realidade.








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