Bem-estar

Hobbies criativos ajudam a manter o cérebro jovem, diz pesquisa

Um estudo internacional revela que atividades criativas podem tornar o cérebro biologicamente mais jovem, fortalecendo redes neurais ligadas à atenção, movimento e resolução de problemas

Por Isabella Bisordi

Hobbies criativos, como música, dança, pintura e até jogos eletrônicos, podem fazer mais do que estimular a imaginação. Elas também podem deixar o cérebro biologicamente mais jovem. A descoberta vem de um estudo robusto, publicado na Nature Communications. Ele analisou como atividades criativas, mesmo praticadas por pouco tempo, impactam as redes cerebrais responsáveis por atenção, movimento, coordenação e resolução de problemas.
Para investigar esse efeito, cientistas de 13 países reuniram dados de mais de 1.400 adultos de diferentes idades e perfis. O estudo comparou o cérebro de pessoas com longa trajetória em tango, música, artes visuais ou jogos de estratégia com o de indivíduos que nunca tinham praticado essas atividades. Além disso, um terceiro grupo participou de um experimento curioso: aprenderam, durante algumas semanas, a jogar StarCraft II, um videogame de estratégia em tempo real. O objetivo era observar o que acontece no cérebro de iniciantes ao adquirir uma nova habilidade criativa em curto prazo.

Todos os voluntários passaram por exames como eletroencefalograma e magnetoencefalografia. Esses dados foram analisados por modelos avançados de aprendizado de máquina capazes de estimar a chamada idade cerebral — um marcador que indica se o cérebro aparenta estar biologicamente mais jovem ou envelhecido, independentemente da idade cronológica.

Segundo os pesquisadores, hobbies criativos fortalecem redes neurais importantes, que tendem a se fragilizar com o passar dos anos. Quanto mais essas redes se mantêm ativas — por meio do aprendizado, do movimento ou do engajamento emocional — menor é o ritmo do envelhecimento cerebral. Pessoas com anos de prática apresentaram as maiores reduções na idade cerebral. Porém, a boa notícia veio dos iniciantes: bastaram cerca de 30 horas de jogos de estratégia para que o cérebro mostrasse sinais de rejuvenescimento biológico.

Os autores destacam que esta é a primeira pesquisa de grande escala a conectar diretamente diversas modalidades criativas ao envelhecimento cerebral mais lento. Estudos anteriores já demonstravam benefícios emocionais e psicológicos, mas agora surgem evidências biológicas mais claras. Neste cenário, a criatividade surge como um poderoso determinante da saúde cerebral, comparável ao exercício físico ou à dieta. Resultados assim abrem portas para intervenções baseadas em criatividade voltadas à proteção cerebral e prevenção de doenças neurodegenerativas.

O estudo também reforça o potencial dos chamados relógios cerebrais, uma tecnologia ainda recente na neurociência. Eles funcionam como marcadores biométricos que acompanham mudanças no cérebro ao longo do tempo e podem, futuramente, ser usados para avaliar intervenções de saúde mental, cognição e longevidade.

Os cientistas, no entanto, destacam que os achados são preliminares. A maioria dos participantes era composta por adultos saudáveis, alguns grupos eram pequenos e não houve acompanhamento de longo prazo que confirmasse desfechos clínicos, como redução de risco de demência. Outro ponto importante é que pessoas com hobbies criativos, geralmente, têm vantagens adicionais — como maior acesso à educação, vida social ativa e contato frequente com atividades culturais. E esses fatores ainda precisam ser isolados para que se compreenda o papel exato da criatividade na saúde cerebral.

Próximos passos da ciência
Os pesquisadores agora planejam estudos mais amplos, incluindo outras formas de expressão criativa e relacionando a idade cerebral a resultados concretos, como memória, raciocínio e risco de doenças neurológicas. Enquanto isso, a mensagem do estudo é clara: incluir atividades criativas na rotina (seja dançar, tocar um instrumento, pintar ou até jogar videogame de estratégia) pode ser um caminho prazeroso e acessível para manter a mente mais jovem e ativa.

(Foto: iStock)

Fonte: Bons Fluidos

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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