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O que minha filha e um Pikachu me ensinaram sobre planejamento estratégico

Natal chegando e eu fui convocado pela minha filha. Sim, esta infante de seis anos me acordou e me passou uma tarefa urgente: montar a árvore. É um momento família muito legal: ela adora encaixar as peças e acha charmoso ter uma decoração, e eu amo a criatividade da criança que acha de bom tom posicionar ao lado das bolas e guirlandas um pavão de peças de Lego e um chaveiro do Pikachu maior que um presépio.
No primeiro passo, um desafio: as luzes do pisca-pisca. Aquela pressa de fechar as caixas da nossa mudança ao final de 2024 resultou em uma massa considerável de cabos embolados. Levei 1h para conseguir liberar o material e, neste tempo, concluí: a responsabilidade desse retrabalho é toda minha. Se tivesse percebido que a montagem de 2025 dependeria de um acondicionamento adequado após o Natal de 2024, eu teria mais cuidado e calma. E durante aqueles agoniantes 60 minutos comecei a elencar os vários pontos que defini com pouca assertividade e cuidado na empresa. Metas, processos ou fluxos que a gente dá pouco valor e que depois voltam mordendo seu lucro, seu tempo… Já virei a chave e comecei a pensar nessa montagem de árvore como um workshop de planejamento estratégico 2026, com minha cliente pedindo biscoito e pão com manteiga em paralelo.

Eu fui montar a árvore, e aí o pé da base estava quebrado. Cogitei a possibilidade da árvore ficar torta como a torre de Pisa, mas meu TOC me dissuadiu rapidamente. Recorri àquela gambiarra clássica do pedaço de papelão. Sabe aqueles “jeitinhos” que a gente costuma fazer na empresa, que geram um “provisório definitivo” efetivo no curto prazo? E que, à medida que a gente vai colocando peso, gera o risco de sobrecarga e colapso? Já fiz algumas que cobraram seu custo e que agora preciso olhar com mais detalhes, porque o cenário atual não se sustenta. E ver isso na minha árvore me lembrou de manter o foco e ajustar o que for necessário para evitar problemas. Eu me virei aqui em casa com uma sacola de presente bonitinha para esconder o papelão, mas preciso corrigir a base real para não trazer para casa aqueles vícios de rotina que a gente enfrenta e aceita na empresa.

Árvore de Natal (Foto: Freepik)

E vamos para os galhos da árvore. Minha cliente/filha adora coisas coloridas e quer colocar tudo na frente, junto com mais Pikachus e bichinhos de pelúcia. E aí eu tive que explicar a ela o que já tinha dito a colegas empresários na posição de conselheiro: cuidado com o peso e a distribuição de carga na sua árvore. A alocação dos nossos recursos naquilo que é mais atrativo na dianteira (marketing, vendas) pode ser insuficiente se não balancearmos, na parte imediatamente simétrica e traseira, com aquilo que o cliente não vê (operações, RH, contabilidade). Uma empresa (e uma árvore) sustentável precisa ter esse cuidado na distribuição de esforços para manter seu equilíbrio.

No fim, fui lidar com uma parte crucial da empreitada: a cliente cheia de ideias. Para ela não interessava só o meu sonho de simetria do engenheiro: uma bola verde na esquerda, uma bola verde na direita. Ela sonhava ardentemente com um Pikachu no topo, uma capivara pequena na esquerda, um unicórnio na direita, tudo desalinhado… e aí eu recordei: com clientes eu precisei negociar o escopo (sem sacrificar segurança, normas e regras) para conciliar uma entrega técnica robusta e eficiente que atendesse desejos específicos? Meu costume com esse tipo de jogo de cintura alavancou muitos resultados, mas foi obtido através de muito embate e discussão que hoje eu consigo administrar melhor. Essa virada de chave é importante para mostrar ao cliente que ali não existe uma entrega engessada, mas sim uma solução customizada.

No fim, sucesso, árvore montada e criança feliz. Saí com meu workshop mental concluído com a certeza de que 2025 me entregou muitos elementos para melhorar meu serviço através de um realinhamento de rota. E é importante ressaltar: às vezes temos essa visão de que esse trabalho de estratégia tem que ser pesado e denso, mas na maior parte do tempo essas reflexões despretensiosas durante atividades simples conseguem mudar vidas e trabalhos.
No fundo, a estratégia serve para isso: organizar o trabalho para que a gente possa aproveitar o que importa. Que a sua reflexão de final de ano seja leve e honesta, identificando os ‘nós’ e as fragilidades para não levar pesos desnecessários para 2026. Mas, por agora, desligue as planilhas e acenda as luzes. Desejo um Feliz Natal para você e sua família — com ou sem Pikachus na árvore —, e que o próximo ano comece com a casa em ordem e a energia renovada.

(Foto de capa: Gerada por IA)

Francisco Neto

Francisco Neto Engenheiro eletricista da Conexa Engenharia Transformo soluções inteligentes em energia, eficiência e segurança @eng.fneto

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