Plantas da era dos dinossauros usavam calor para atrair polinizadores, revela estudo
A radiação infravermelha foi uma das primeiras estratégias de comunicação entre plantas e insetos
Por Nilson Cortinhas
Antes das flores coloridas e dos perfumes intensos, o calor foi uma das primeiras estratégias usadas pelas plantas para atrair polinizadores. Um estudo publicado na revista Science revela que, ainda na era dos dinossauros, espécies ancestrais já emitiam radiação infravermelha como forma de comunicação com insetos, sobretudo, besouros, e muito antes do surgimento das flores chamativas que conhecemos hoje, narrou o Smithsonian Magazine.
A pesquisa aponta que plantas antigas, como as cicadófitas, consideradas os vegetais com sementes mais antigos ainda vivos, aqueciam estruturas reprodutivas semelhantes a pinhas para atrair polinizadores noturnos. Esses insetos, que enxergavam poucas cores, eram sensíveis ao calor e usavam esse sinal invisível ao olho humano como guia para encontrar alimento e locais de reprodução.
Observações em campo mostraram que os cones masculinos dessas plantas aquecem primeiro e depois esfriam, enquanto os cones femininos elevam a temperatura algumas horas mais tarde. Esse ciclo cria um fluxo de besouros entre as plantas, favorecendo a polinização. Experimentos em laboratório confirmaram que, mesmo sem cheiro ou cor, os insetos eram atraídos apenas pela radiação infravermelha emitida.
Análises indicam que essa “estratégia” pode ter surgido há cerca de 275 milhões de anos. À medida que outros insetos, como abelhas e borboletas, evoluíram com visão mais sofisticada, as plantas passaram a investir em cores vibrantes e aromas fortes, substituindo o calor como principal sinal de atração.
(Foto: iStock)
Fonte: Um Só Planeta







