A Semana no Brasil e no Mundo — PGR barra smart TV para Bolsonaro, mas governo Lula instala em presídios
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para instalar uma smart TV em sua sala na sede da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a manifestação enviada ao ministro Alexandre de Moraes, o acesso a um aparelho com internet seria incompatível com as restrições impostas pela Justiça. “A medida não se afigura razoável. A conexão permanente à rede mundial de computadores inviabilizaria o controle sobre as proibições de acesso a redes sociais e a comunicação com terceiros não autorizados”, afirmou Gonet.
A decisão definitiva ainda será tomada por Moraes, relator do caso. A defesa de Bolsonaro justificou o pedido com base no direito à informação e na dignidade da pessoa humana, alegando que o ex-presidente gostaria apenas de acompanhar noticiários, e não acessar redes sociais ou manter contato externo. No parecer, o procurador-geral apontou que o acesso a notícias poderia ser garantido por outros meios, como TV a cabo, desde que com canais sem qualquer possibilidade de interação e com custos bancados integralmente por Bolsonaro. A alternativa, no entanto, dependeria de viabilidade técnica e autorização da PF. “O acompanhamento de notícias poderá ser viabilizado por outros meios que não comprometam as determinações judiciais”, reforçou Gonet.
A negativa ao uso de smart TV contrasta com a recente decisão do governo federal de instalar 40 smart TVs em presídios federais de segurança máxima para sessões de cinema — um investimento de R$ 85 mil, feito dias após Bolsonaro apresentar seu pedido ao STF.
Apesar do veto à TV, a PGR foi favorável a outros pedidos apresentados pela defesa. Gonet autorizou que Bolsonaro participe de atividades religiosas, desde que conduzidas com finalidade espiritual e dentro das normas da Polícia Federal. Foram autorizadas visitas do pastor Thiago de Araújo Macieira Manzoni e de Robson Rodovalho, fundador da igreja Sara Nossa Terra. Além disso, foi liberada a participação no programa de remição de pena pela leitura, conforme previsto na Lei de Execução Penal e regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A manifestação da PGR agora será analisada por Alexandre de Moraes, que dará a palavra final sobre os benefícios solicitados por Bolsonaro. Nos bastidores, a expectativa é que o ministro siga o parecer de Gonet, mantendo a linha dura em relação às comunicações do ex-presidente, que já teve celulares apreendidos por ordem judicial. Enquanto isso, a coincidência entre a rejeição à smart TV no caso de Bolsonaro e a entrega de TVs a presídios reacendeu críticas à gestão petista e ao aparente “dois pesos e duas medidas” nas decisões envolvendo o sistema penal e figuras públicas. (Fonte: Hora Brasília)
Governo dos EUA suspende concessão de vistos para o Brasil e mais 74 países

O Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob comando do secretário Marco Rubio, determinou a suspensão do processamento de vistos para cidadãos do Brasil e de outros 74 países, segundo informações divulgadas pela Fox News nesta quarta-feira (14). A medida passa a valer em 21 de janeiro e ficará em vigor por tempo indeterminado, enquanto o governo americano revisa seus critérios de triagem, verificação e elegibilidade migratória. Ainda não está claro se a decisão atinge também vistos de turismo, mas os consulados já foram instruídos a paralisar o andamento de novos pedidos.
Um memorando interno do Departamento de Estado, obtido pela Fox, ordena que funcionários consulares interrompam o processamento normal e passem a negar pedidos com base na legislação de imigração vigente, até a conclusão da revisão dos procedimentos. Além do Brasil, a suspensão atinge países considerados sensíveis do ponto de vista migratório, de segurança ou de pressão social, como: Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen, entre outros.
Segundo a Fox Digital, o objetivo é permitir uma reavaliação completa dos sistemas de verificação, inclusive cruzamento de dados biométricos, antecedentes criminais, histórico financeiro e risco de permanência irregular.
A medida faz parte da reativação de uma política migratória conhecida como “public charge” (encargo público), prevista na legislação americana e reforçada em um telegrama enviado em novembro pelo Departamento de Estado aos consulados.
Pela regra, vistos devem ser negados a candidatos que possam se tornar dependentes do Estado americano. Os funcionários consulares foram instruídos a avaliar:
• condição de saúde
• idade
• proficiência em inglês
• renda e patrimônio
• histórico profissional
• e até possível necessidade futura de tratamento médico de alto custo
Na prática, isso cria um filtro econômico e social para a entrada de estrangeiros. O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggott, afirmou à Fox que o governo vai usar sua autoridade legal para impedir a entrada de pessoas que possam “explorar a generosidade do povo americano”. “O Departamento de Estado usará sua autoridade de longa data para considerar inelegíveis potenciais imigrantes que se tornariam um fardo para os Estados Unidos”, declarou.
O governo brasileiro foi procurado, mas o Itamaraty ainda não se manifestou até a publicação da reportagem. (Fonte: Hora Brasília)
Advogado da JBS compra resort ligado a irmãos e primo de Toffoli

O resort Tayayá, às margens da represa de Chavantes, no interior paulista, tornou-se uma peça central em uma complexa rede de interesses que liga parentes do ministro do STF Dias Toffoli, o esquema bilionário do Banco Master e, agora, um advogado da JBS, gigante do setor de carnes envolvida em uma série de escândalos nos últimos anos.
O atual proprietário do empreendimento é Paulo Humberto Barbosa, advogado goiano que atua diretamente para os irmãos Joesley e Wesley Batista. Em 2025, ele comprou a participação dos irmãos do ministro Toffoli — José Carlos e José Eugênio — por R$ 3,5 milhões. Meses depois, adquiriu também a parte do primo do ministro, Mario Umberto Degani, assumindo o controle total do resort e da incorporadora DGEP, registrada no mesmo endereço do Tayayá.
Entre 2021 e 2025, o resort não era apenas uma propriedade de lazer da família Toffoli. Ele também tinha como sócio o fundo Arleen, parte da teia de investimentos criada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master — o mesmo banco que tentou vender R$ 12,2 bilhões em créditos fictícios ao BRB e acabou liquidado pelo Banco Central.
As investigações revelam que o fundo Arleen fazia parte da rede usada para inflar artificialmente ativos por meio de empréstimos simulados, fundos fantasmas e operações sem lastro, com a gestão da controversa Reag Investimentos, hoje também sob intervenção do BC e investigada por possível lavagem de dinheiro para o PCC. A entrada do Arleen na empresa dos irmãos Toffoli, a DGEP, rendeu à família R$ 3,2 milhões em 2021. Mesmo com as crescentes suspeitas e investigações, os parentes do ministro só deixaram os negócios em 2025 — curiosamente, pouco antes de o Banco Central barrar a venda do Master ao BRB.
Dias Toffoli é, neste momento, o relator do inquérito que investiga o Banco Master no STF. Foi ele quem, em dezembro, decidiu retirar o caso da Justiça Federal e levá-lo para o Supremo, alegando citação ao nome de um deputado federal. Também impôs sigilo absoluto ao processo. Dias antes dessa decisão, Toffoli viajou ao Peru para assistir a um jogo de futebol em avião que levava um advogado envolvido no caso Master. Coincidência ou não, o movimento alimenta questionamentos nos bastidores de Brasília.
Paulo Humberto Barbosa, o novo dono do resort, afirma que não conhece Toffoli e que comprou os ativos como oportunidade de negócio. Apesar disso, ele também é sócio de Gabriel Paes Fortes, genro de José Batista Jr., irmão de Joesley e Wesley, na Petra Participações — e tem como sócio o executivo da Friboi, Renato Costa. A JBS, por sua vez, confirma que Barbosa já representou a empresa em ações no estado de Goiás, mas nega qualquer relação com os negócios ligados ao resort, à DGEP ou ao fundo Arleen.
Ainda assim, a proximidade entre figuras centrais de escândalos políticos, familiares de um ministro do STF e um advogado ligado ao grupo que protagonizou delações explosivas nos últimos anos acende o alerta em meio ao avanço das investigações. O fundo Arleen, usado na sociedade com os parentes de Toffoli, foi encerrado em 22 de dezembro de 2025. A decisão de liquidação ocorreu semanas após Daniel Vorcaro ser preso ao tentar embarcar para Malta.
Mesmo negando envolvimento com fraudes, a defesa de Vorcaro tem encontrado dificuldade para afastar as conexões com os fundos fantasmas hospedados na Reag — todos agora sob o radar da Polícia Federal. Nem o ministro Toffoli, nem seus irmãos ou o primo envolvido nas sociedades se pronunciaram sobre o caso. O silêncio do Supremo contrasta com a gravidade das informações reveladas e reforça a percepção pública de blindagem institucional.
A pergunta que ecoa nos corredores de Brasília é clara: quem vai investigar quem? (Fonte: Hora Brasília)
Congresso dos EUA manda inteligência investigar influência da China no agronegócio do Brasil

O Congresso dos Estados Unidos incluiu, na Lei de Autorização de Inteligência para 2026 (Intelligence Authorization Act), uma determinação para que as agências de inteligência americanas investiguem de forma específica a influência da China no agronegócio brasileiro. A medida está prevista na Seção 6705 da lei, aprovada em dezembro de 2025 como parte do orçamento anual de Defesa dos EUA.
O Intelligence Authorization Act é uma das principais leis anuais do Congresso americano. Ela define os recursos e as prioridades das agências de inteligência, que passam a vigorar a partir de 1º de outubro de 2025. Na versão de 2026, o texto ampliou o foco sobre a China, incluindo um dispositivo voltado exclusivamente ao setor agrícola do Brasil. Intitulada “Assessment and report on investments by the People’s Republic of China in the agriculture sector of Brazil”, a Seção 6705 obriga o Diretor de Inteligência Nacional dos EUA, em conjunto com o Departamento de Estado e o Departamento de Agricultura, a elaborar uma avaliação detalhada dos investimentos chineses no agronegócio brasileiro.
O estudo deverá mapear:
• o grau de envolvimento do presidente chinês Xi Jinping com autoridades brasileiras sobre o setor;
• a relação formal entre o governo chinês e empresas do agronegócio no Brasil;
• as intenções estratégicas por trás desses investimentos;
• o número de empresas e joint ventures chinesas atuando no país;
• e os impactos sobre cadeias de suprimentos, mercado global e segurança alimentar.
O relatório deverá ser produzido em até 60 dias após a promulgação da lei e entregue ao Congresso em até 90 dias, em versão pública, com possibilidade de anexos classificados. A decisão reflete a crescente preocupação de Washington com a dependência chinesa de alimentos produzidos no Brasil. Entre janeiro e julho de 2025, o país exportou mais de 77 milhões de toneladas de soja, sendo 57,9 milhões destinadas à China, um recorde histórico.
Esse volume colocou o Brasil no centro da disputa estratégica entre Estados Unidos e China sobre o controle de cadeias globais de alimentos, consideradas hoje tão estratégicas quanto energia ou tecnologia. Para parlamentares americanos, investimentos chineses em terras, infraestrutura e produção agrícola no Brasil podem representar, no longo prazo, alavancagem geopolítica sobre o abastecimento global.
A inclusão da Seção 6705 foi conduzida pelo Comitê Seleto de Inteligência do Senado, presidido pelo senador Tom Cotton (Republicano-Arkansas). O texto foi incorporado ao National Defense Authorization Act (NDAA), a principal lei anual de defesa dos EUA, antes de ser aprovado pelo Congresso. Cotton e outros republicanos defendem que a disputa com a China não se limita a armas ou tecnologia, mas envolve também recursos estratégicos, cadeias de suprimentos e alimentos. (Fonte: Hora Brasília)
Lula gasta R$ 129,6 milhões com publicidade digital em 2025 e vira alvo do MP Eleitoral

Os R$ 129,6 milhões desembolsados pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva em publicidade digital ao longo de 2025 — o maior volume desde 2009 — passaram a ser questionados no Ministério Público Eleitoral. Os recursos foram executados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) e concentram-se em anúncios na internet e impulsionamento de conteúdo em redes sociais. A representação foi apresentada pela vereadora paulistana Amanda Vettorazzo (União), que pede a abertura de procedimento para apurar possível campanha antecipada e abuso de poder político. Segundo ela, o montante recorde chama atenção não apenas pelo volume absoluto, mas pelo contexto em que foi empregado.
No pedido encaminhado ao MP Eleitoral, a parlamentar sustenta que os gastos podem ter extrapolado os limites da publicidade institucional, ao utilizar recursos públicos para promover narrativas com potencial viés político-partidário. O foco da apuração recai sobre campanhas oficiais, peças institucionais e impulsionamento pago em plataformas digitais. De acordo com a representação, o salto nos investimentos digitais levanta dúvidas sobre o cumprimento dos princípios da impessoalidade, moralidade administrativa e legalidade, especialmente em período pré-eleitoral. O documento também questiona se houve uso indevido dos meios de comunicação oficiais para promoção política disfarçada de comunicação institucional.
Cabe agora ao Ministério Público Eleitoral avaliar se o volume e a forma de execução dos gastos da Secom caracterizam irregularidade ou abuso de poder político. Até o momento, o Palácio do Planalto não se manifestou sobre os questionamentos envolvendo os R$ 129,6 milhões aplicados em publicidade digital. (Fonte: Hora Brasília)
Espanha apreende quase 10 toneladas de cocaína em navio que saiu do Brasil

A polícia da Espanha anunciou, na segunda-feira (12), a maior apreensão de cocaína já realizada em alto-mar em sua história: 9,9 toneladas da droga escondidas em um navio cargueiro que havia partido do Brasil, camufladas em uma carga de sal. A informação é do jornal O Globo. A operação ocorreu no Atlântico, quando agentes do Grupo Especial de Operações (GEO) interceptaram um navio mercante de bandeira dos Camarões que havia ficado sem combustível e precisou ser rebocado até as Ilhas Canárias. A bordo, estavam 13 tripulantes, todos presos.
Segundo a Polícia Nacional espanhola, os agentes encontraram 9.994 quilos de cocaína distribuídos em 294 fardos, ocultos entre as toneladas de sal transportadas pelo cargueiro. “Trata-se da maior apreensão de cocaína em alto-mar já realizada na história da Polícia Nacional”, afirmou a corporação em comunicado oficial. As autoridades informaram que a droga pertence a uma organização criminosa multinacional especializada em exportar grandes volumes de cocaína da América do Sul para a Europa, usando rotas marítimas no Atlântico.
A operação contou com cooperação internacional, incluindo a Polícia Federal do Brasil, a Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) e a Agência Nacional de Combate ao Crime do Reino Unido (NCA). Uma arma de fogo também foi apreendida no navio. A polícia espanhola não divulgou a nacionalidade dos presos. A apreensão reforça o papel do Brasil como um dos principais pontos de origem e trânsito da cocaína destinada ao mercado europeu, frequentemente embarcada em cargas legais para camuflar o transporte. A Espanha é considerada um dos principais portais de entrada da cocaína na Europa, tanto por seus vínculos históricos e comerciais com a América Latina quanto por sua posição geográfica estratégica.
Antes dessa operação, o maior carregamento interceptado em alto-mar pela polícia espanhola havia ocorrido em 1999, quando 7,5 toneladas foram apreendidas em um navio. Já em outubro de 2024, as autoridades espanholas bateram outro recorde ao apreender 13 toneladas de cocaína escondidas em contêineres de bananas vindos do Equador, a maior apreensão em território espanhol. (Fonte: Hora Brasília)
(Foto de capa: Getty Images)


















