Tecnologia & Inovação

Startup dá passo inédito para primeira “fábrica de chips” no espaço

Satélite britânico ForgeStar-1 alcançou temperatura de 1.000 graus Celsius, abrindo caminho para manufatura de semicondutores em órbita

Por Hemerson Brandão

A empresa britânica Space Forge produziu seu primeiro plasma em órbita a bordo do satélite ForgeStar-1. Dessa forma, abrindo caminho para a fabricação comercial de semicondutores no espaço. Em dezembro, o satélite ativou um pequeno forno gerando um fluxo de gás com temperatura de até 1.000 graus Celsius.
A Space Forge lançou o ForgeStar-1 em junho de 2025. Ele tem dimensões comparáveis às de um forno de micro-ondas e vem sendo preparado para operação desde então. De acordo com a Space.com, este satélite representa um avanço significativo. Isso porque, até o momento, experimentos semelhantes só haviam sido realizados na Estação Espacial Internacional.

Tecnologia pioneira para fabricação espacial
A Space Forge, fundada em 2018, desenvolveu o ForgeStar-1 como primeiro passo para estabelecer capacidade de manufatura orbital comercial. O satélite opera de forma autônoma em órbita terrestre baixa, diferentemente dos experimentos anteriores que dependiam da infraestrutura da Estação Espacial Internacional.

A geração de plasma em órbita representa uma mudança fundamental. Provando que o ambiente essencial para o crescimento avançado de cristais pode ser alcançado em um satélite comercial dedicado, abrindo a porta para uma fronteira de fabricação completamente nova”, afirmou Joshua Western, CEO e cofundador da Space Forge, em comunicado.

(Foto: Space Forge/Reprodução)

A empresa também destacou a importância técnica da conquista. “A demonstração de plasma confirma que as condições extremas necessárias para o crescimento de cristais em fase gasosa, um bloco de construção fundamental da produção de semicondutores, agora podem ser criadas e controladas em uma plataforma autônoma em órbita terrestre baixa”, disse a empresa no comunicado. “A conquista estabelece o ForgeStar-1 como a primeira ferramenta comercial de fabricação de semicondutores de voo livre já operada no espaço”.

Benefícios da produção em microgravidade
De acordo com estimativas da Space Forge, os semicondutores produzidos no espaço podem permitir reduções de até 60% no consumo de energia de dispositivos eletrônicos. Isso ocorre porque, na ausência de gravidade, os átomos nos semicondutores se alinham com maior precisão, resultando em materiais com desempenho superior aos fabricados na Terra.
Esses materiais avançados, baseados em elementos raros como nitreto de gálio, carbeto de silício ou diamante, poderiam ser aplicados em sistemas de telecomunicações, dispositivos eletrônicos e computadores de próxima geração.

Próximos passos e financiamento
O atual ForgeStar-1 tem como objetivo apenas testar os equipamentos da fábrica orbital. Antes de sair de órbita e queimar na atmosfera ainda este ano, a nave realizará mais experimentos para analisar o comportamento do plasma em microgravidade. Assim, coletando dados para aperfeiçoar missões futuras.
A Space Forge arrecadou £22,6 milhões (aproximadamente R$ 14,8 milhões) em uma rodada de financiamento Série A no ano passado. Esses recursos permitirão à empresa construir o satélite sucessor, ForgeStar-2, que produzirá o primeiro lote de semicondutores fabricados no espaço. Além disso, o ForgeStar-2 terá um escudo térmico inovador para sobreviver ao retorno atmosférico e entregar sua carga com segurança à Terra. Completando assim o ciclo de produção e retorno dos semicondutores espaciais.

(Foto: Space Forge/Reprodução)

Fonte: Giz Brasil

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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