Política

Prevenir, trabalhar e remediar

O problema maior que eu vejo nas notícias é que alguns veículos de comunicação têm apresentado para a população apenas duas escolhas: 1) ou você fica em casa e salva a sua vida; 2) ou você sai para trabalhar e morre de CORONAVÍRUS

Especialmente esta semana, a coluna abriu espaço para uma opinião que achei interessante compartilhar com os leitores. O texto a seguir é impactante e mostra o outro lado do isolamento social com uma visão que, até hoje, não vi em nenhum veículo de comunicação

Texto: Márcio Greik

Antes de qualquer palavra, eu preciso informar que eu sei o quanto o CORONAVÍRUS é letal, eu sei quantas pessoas estão sendo mortas por esse vírus do mal, mas o meu posicionamento é no sentido de que fechamos nossos negócios e apenas adiamos o problema que será causado por ele, porque as medidas tomadas pelos nossos governantes não estão produzindo o resultado de evitar a contaminação.

Comércio fechado na Avenida José Rato, em Bairro de Fátima (Foto: Haroldo Cordeiro Filho)


Desde 21 de março de 2020, primeiro dia do fechamento do comércio pelo governador Renato Casagrande, e pelos prefeitos do Espírito Santo, que eu tenho me manifestado contra o fechamento completo das atividades de trabalho.
Eu fiz um vídeo neste mesmo dia, que já tem 21 mil visualizações, onde explico quais medidas poderiam ser tomadas antes do fechamento das empresas, porque você não pode aplicar de primeira o remédio mais forte para curar uma doença, e o fechamento das empresas é um remédio tão forte que pode causar um dano maior que o próprio vírus.
Uma das questões que me causa preocupação é o fato de que, diante de um assunto tão polêmico como o encerramento das atividades de trabalho, a televisão e a mídia não apresentam duas opiniões divergentes para que o povo possa escolher.
O espaço nesse jornal é apenas a segunda vez que eu vejo um veículo de comunicação ouvir alguém que pensa diferente e que, como eu, acredita que podemos PREVENIR, TRABALHAR e REMEDIAR, que acredita que a vida não pode parar por causa do CORONAVÍRUS, assim como não parou em razão dos acidentes de trânsito que mataram 40.721 pessoas em 2019, não parou por causa da Dengue, não parou por causa do Câncer.
O problema maior que eu vejo nas notícias é que alguns veículos de comunicação têm apresentado para a população apenas duas escolhas: 1) ou você fica em casa e salva a sua vida; 2) ou você sai para trabalhar e morre de CORONAVÍRUS.
O confinamento social está isolando apenas o comércio das cidades, porque as pessoas que mais precisam ser protegidas, que são os idosos e aqueles que com doença grave, estão nas filas dos bancos, das casas lotéricas, nas feiras, andando pelas ruas.
Eu sei que não é uma situação fácil, mas acredito que as autoridades públicas deveriam ser mais severas na exigência das medidas de proteção, tais como: uso de máscaras em locais públicos, uso de álcool gel, oferta de lavatório e sabão para as mãos nas empresas, distanciamento social, sem impedir o funcionamento das empresas.
Outra medida importante seria impedir o trânsito pelas ruas das pessoas de alto risco. Poderiam ser oferecidos todos os serviços como supermercado, farmácia, saques bancários, açougue, compras, entregando nos domicílios, para que as pessoas com alto grau de risco fossem atendidas sem sair de casa.
O meu medo é que vamos destruir nossa economia, ao tempo em que estamos apenas adiando o problema enfrentado pela saúde pública. É um caminho perigoso, porque o que estão falando de pico da contaminação não é nada científico, eu acho mesmo que a contaminação só para de crescer depois que o vírus atingir metade da população.
Quem analisa a doença não pode levar em consideração apenas as experiências de países europeus, porque nosso clima quente, nossa população jovem e a grande área territorial do Brasil, impedem que o CORONAVÍRUS, cause danos iguais aos que causou na Itália ou na Espanha, por exemplo.
Outro dado do CORONAVÍRUS que é desprezado por nossas autoridades públicas é que o número de crianças que desenvolve sintomas mais graves da doença é muito pequeno e o óbito de pessoas menores de 18 anos representa um baixo percentual.
Considerando que no Espírito Santo não houve nenhum caso de morte de criança por CORONAVÍRUS, fica a pergunta: se as crianças sendo infectadas não têm grandes complicações, porque o governador e os prefeitos estão suspendendo as aulas? Não seria mais inteligente fazer um plano de estudo específico para crianças com doenças graves e crianças que convivem com idosos maiores de 60 anos?
Estamos presenciando o aumento da violência, o aumento da Dengue, o aumento do desemprego, o fechamento das empresas e dos postos de trabalho, com a única visão de combater o CORONAVÍRUS.
Estamos cegos para os outros problemas causados pelo fechamento das atividades de trabalho.
No caso das ajudas financeiras, elas não são suficientes para cobrir os prejuízos das pessoas e das empresas.
Outro problema grave consiste no fato de que o Brasil contava com um grande número de trabalhadores informais, que conseguiam sobreviver com seu trabalho sem registro, porém, após o encerramento das atividades, essas pessoas ficaram sem suas fontes de renda.
Na Avenida Central de Laranjeiras, na Serra/ES, nós temos vendedor de morango, vendedor de água de coco, vendedor de chup-chup, homem placa, churrasquinho, existe um grande número de pessoas que vive do comércio formal e informal, e que agora está sem sua fonte de renda, e a ajuda do governo não cobre suas despesas. Eu acredito que essas pessoas não querem receber ajuda do governo, elas querem poder continuar trabalhando.
O fechamento das empresas foi uma decisão unilateral, tomada pelo governador do Estado e pelos prefeitos, sem consultar a população. Se ouviu alguém, foi apenas a televisão. Não houve ponderação na decisão tomada. A flexibilização da medida radical de fechamento das atividades, com o abrandamento da regra, mostra que houve erro na dosagem do remédio, no momento em que determinaram o fechamento irrestrito, sem considerar qualquer peculiaridade.
Triste é ver o tratamento seletivo que vem sendo dado pelo governador do Estado, sem nenhuma razão lógica. Ele autorizou a abertura de lojas de chocolate, autopeças, supermercados, materiais de construção, como se o culpado por toda contaminação pelo CORONAVÍRUS fossem as pequenas lojinhas do comércio varejistas da Grande Vitória e os shopping centers.
Eu moro na Serra há 11 anos, minha mulher tem comércio em Laranjeiras há 10 anos, e eu nunca vi na porta de uma loja pequena ou grande, em qualquer praça comercial da cidade, uma fila do tamanho das que agora eu vejo nas portas dos bancos e das Casas Lotéricas. O fechamento das empresas não passa de uma medida cruel e injusta, de quem não sabe o que fazer.
Um exemplo disso é ver que cidades muito distantes da capital, sem nenhum caso de CORONAVÍRUS, foram obrigadas a fechar desde o dia 21 de março. Olha o prejuízo causado na economia, por uma medida sem qualquer base ou fundamento.
Podemos tomar todas as medidas de prevenção, como distanciamento social, uso de máscaras, uso de álcool gel, licença ao trabalho para empregados que convivem com pessoas maiores de 60 anos, oferta de serviços de entrega e assistência para pessoas maiores de 60 anos, impedir o trânsito pelas ruas das pessoas maiores de 60 anos ou com doenças graves, regime escolar diferenciado para crianças que convivem com pessoas maiores de 60 anos ou com doenças graves, ao mesmo tempo em que as pessoas com boa saúde, com menos de 60 anos, voltem a trabalhar, tomando os cuidados necessários.
As crianças devem ser liberadas para retornar às aulas, porque no mundo inteiro tem ocorrido poucos casos de agravamento da doença em crianças.
Podemos PREVENIR, TRABALHAR e REMEDIAR.
É momento de confiar em DEUS, colocar nossas esperanças em DEUS, para que ELE cuide de nós, pois vivemos tempos de tristeza e sofrimento.

Delegado Federal Márcio Greik.

Haroldo Cordeiro

Haroldo Cordeiro

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

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