Comportamento

Síndrome de Peter Pan, do impostor: rótulos também impactam saúde mental

Todos os dias nos deparamos com novos nomes para alguns tipos de comportamentos: síndrome da boazinha, de Peter Pan, do patinho feio, do impostor. Essas diferentes nomeações organizam algumas experiências em um padrão único para definir pessoas e situações. Enquanto alguns chegam a ser reconhecidos como compulsões ou distúrbios comportamentais, outros dizem respeito a termos que ganham espaço nos meios de comunicação e no imaginário popular, ajudando a criar novos estereótipos.
Os efeitos da popularização desses termos dependem muito da maneira como essas informações serão utilizadas, de acordo com Ana Paula Justo, mestra e doutora em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) e docente do curso de psicologia no Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal).
A professora afirma ser possível usar esses conceitos com o objetivo de se autoavaliar e, a partir disso, buscar informações mais científicas ou, até mesmo, profissionais para auxiliar com algum padrão de comportamento que cause sofrimento. Da mesma maneira, um uso superficial desses termos poderia levar ao efeito contrário e tornar as pessoas que se identificam com eles mais resistentes, afastando-as da busca por um possível tratamento.
“Rotular cria estigmas, reduz a complexidade dos fenômenos humanos a um grupo de sintomas ou comportamentos, não contextualiza esses fenômenos, não favorece o autoconhecimento”, diz. Segundo ela, a compreensão popular e/ou individual sobre esses rótulos pode ser muito diversificada e impulsionar mudanças radicais, sem uma análise adequada e pautada em conhecimento científico, o que pode trazer prejuízos. “Elas podem impulsionar alguém a sucumbir a essa classificação, achando que nada pode ser feito a respeito, causando uma certa estagnação”.
Para a psicóloga, a experiência humana é extremamente complexa e o autoconhecimento requer um investimento pessoal para além de simples generalizações. Um rótulo para um grupo de sintomas sempre limitará a compreensão do ser humano de forma integral, ainda que possa alertar sobre algo que não anda bem.
“O que é prejudicial ou funcional pode depender do contexto que o indivíduo vive ou frequenta”, diz Paula Studart, psicóloga clínica, doutoranda e mestra em medicina e saúde pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ela cita como exemplo o caso de uma pessoa que tem um comportamento de ofertar ajuda aos outros, de doação intensa, e deixa de lado seus interesses por si, a famosa síndrome da boazinha.
Esse comportamento pode ser extremamente funcional dentro de grupos sociais como igrejas ou associações beneficentes, por exemplo. No entanto, se a pessoa tem dificuldade de dizer “não” em outros contextos, como em uma relação com seu parceiro, na área acadêmica ou grupo de amigos, isso pode gerar prejuízos para sua vida.
“Trabalhar essas distorções cognitivas pode ajudar os indivíduos a apresentarem uma visão mais realista e ampla sobre si mesmos e os outros. De fato, é válido examinar esses pensamentos, reunindo as evidências contrárias que mostram o lado saudável e funcional desses indivíduos”, orienta Studart.

Fonte: UOL

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