Oscar’: ‘Minari’ toca na ferida da imigração; protagonista é destaque em ‘The Walking Dead’

Uma família sul-coreana se muda da cidade grande para o interior dos Estados Unidos. Poderia ser a história de muitos. Pode estar acontecendo novamente enquanto você lê isso. Mas, nessa matéria, estou falando especificamente do roteiro de “Minari — Em busca da felicidade”, que se passa nos anos 80 e acompanha os Yi enquanto tentam manter uma fazenda recém-comprada.
O filme, que estreou no Brasil nesta quinta-feira (22), é do pouco conhecido diretor e roteirista Lee Isaac Chung, que já chegou contudo ao Oscar, concorrendo em seis categorias: Melhor Filme, Ator, Direção, Atriz Coadjuvante, Roteiro Original e Trilha Sonora Original.
A história de esperança e perseverança é contada por meio da jornada da família. Trata-se de um roteiro repleto de simbologia de Chung, que usa a força da água e do fogo, criando a identificação do telespectador com os pontos de vista conflitantes dos personagens, muitas vezes ao mesmo tempo.

O sonho americano
Na busca do sonho americano, enquanto a esposa (Han Ye-Ri) se frustra com a mudança e briga com o marido (Yeun, indicado como melhor ator), o casal Monica e Jacob levam a avó materna da Coreia do Sul para os Estados Unidos para ajudar a cuidar do netos enquanto os adultos trabalham. O filho mais novo se torna o ponto central da história por levar novidades e questionamos aos familiares. Mas a avó pouco convencional da família quem quase rouba a cena com sua atuação sutil e poderosa — não à toa, a veterana atriz Youn Yuh-Jung é, merecidamente, a favorita na categoria de melhor atriz coadjuvante.

Pioneirismo
Steven Yeun também é favorito para o prêmio de Melhor Ator da Academia, mas, de qualquer maneira, já faz história no Oscar por ser o primeiro ator asiático indicado nessa categoria. Após ter encantado como um dos personagens mais queridos da série pós-apocalíptica “The Walking Dead”, Yeun foi capaz de investir em Minari e ajudar Chung a realizar o filme.

O longa sul-coreano “Parasita”, que conquistou, em 2020, o título de primeiro filme estrangeiro a vencer a categoria principal do Oscar, pode ter aberto caminhos para que “Minari” tivesse tanto espaço na premiação da Academia. Essa conquista, contudo, pode atrapalhar a obra de Chung na categoria principal, pois é considerado quase impossível que dois filmes estrangeiros, no caso dois longas sul-coreanos, sejam premiados consecutivamente.
Mas, apesar das opiniões dos chefões de Hollywood — que tende a ser sempre muito parcial — vale a pena assistir “Minari”. Não só pela necessidade de conhecer narrativas diferentes das norte-americanas, como também pelo talento do elenco majoritariamente sul-coreano —país que tem investido bastante em cinema e cultura.
Assista ao trailer:
Fonte: Hypeness