Comportamento

Estudo brasileiro alerta sobre suicídio também ser cometido por crianças

A pesquisa mostrou que as crianças que se suicidaram tinham, em sua maioria, nove anos e eram brancos do sexo masculino

Setembro Amarelo é conhecido como o mês de prevenção ao suicídio e, dolorosamente, o ato de tirar a própria vida também acomete o público infantil. É o que mostra o estudo “Violência autoprovocada na infância e na adolescência”, realizado pela Fiocruz com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que identificou 15.702 notificações de atendimentos a jovens com comportamentos suicidas, no intervalo de 2011 a 2014.
O levantamento analisou dados de Sistemas de Informação de Saúde e entrevistou 18 adolescentes com traços suicidas, das cidades de Porto Alegre (RS) e Dourados (MS). Identificou-se que o perfil predominante dos jovens que tentaram tirar a própria vida tem de 15 a 19 anos, é do sexo feminino e etnia branca. O estudo também pontua que, assim como ocorre em casos de abuso infantil, o local mais recorrente em que os suicídios acontecem é em casa, por meio de intoxicação ou envenenamento.
Já em relação aos adolescentes que precisaram passar por internações clínicas devido à tentativa de suicídio, o estudo mostrou que foram 12.060 ocorrências relatadas entre os anos de 2007 e 2016, com vítimas, principalmente, do sexo feminino. Para o público infantil, as taxas são menores, mas não menos preocupantes.

Ocorrência de suicídio entre crianças
Entre 2006 a 2017, 58 óbitos infantis causados por suicídio foram identificados no Brasil, em que as vítimas tinham, em sua maioria, nove anos, eram do sexo masculino e cor de pele branca. Diferente dos meios usados pelos mais velhos, as crianças tiraram a própria vida por enforcamento.
Já a autointoxicação aparece como a principal causa das 1.994 internações por comportamentos suicidas, que acontecerem no mesmo intervalo de tempo analisado e faixa etária. De acordo com Joviana Avanci, do Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) — em nota sobre o levantamento — ter conhecimento sobre esses dados é reconhecer os indícios de suicídio em crianças que acabam se concretizando quando chegam à adolescência e à vida adulta.
O perfil traçado na pesquisa também mostra que tais ocorrências tendem a acontecer quando o público infantil está inserido em lares vulneráveis. “As famílias pesquisadas revelam histórias familiares de rejeições, maus-tratos físicos, agressões verbais, violência sexual, uso de álcool e drogas”, ressalta o levantamento. Fatores externos também podem contribuir para a tentativa de tirar a própria vida, como bullying e pressão escolares, obesidade e até mesmo interações problemáticas nas redes sociais.

Fonte: Terra

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