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Entre o caos e a calma, com Monja Coen

Monja palestrou em Vitória nesta quarta (24), no Vitória Grand Hall, com tema sobre equilíbrio entre caos e calma

Ontem, 24 de setembro, vivi uma experiência que ainda pulsa em mim. Fui à palestra da Monja Coen — Entre o caos e a calma: como cultivar o equilíbrio, organizada pela Seven — e saí de lá com o coração mais leve, a mente mais clara e uma certeza íntima: a verdadeira disciplina nasce de dentro e floresce como liberdade.
Monja Coen tem o dom raro de traduzir a complexidade da vida em palavras simples, quase brincando com a língua para revelar a alma. Ela disse, por exemplo, que “Caos não tem plural. Caos é bagunça”. E que estamos muitas vezes “em um lugar pensando em outro, quando deveríamos estar exatamente no lugar em que estamos para fazer a diferença no agora”.

Essas frases ecoam como pequenos sinos: lembretes de que a vida se dissolve quando fugimos do presente. Somos especialistas em projetar o amanhã, mas esquecemos que é apenas no instante de agora que a transformação real acontece.

Outro momento que me marcou foi quando ela falou sobre burnout: “o burnout vem quando você foca em só bater metas profissionais e para os outros e esquece de bater as suas metas pessoais, que te entregam paz, leveza e qualidade de vida”. É tão óbvio — e ainda assim tão esquecido — que a vida pede equilíbrio. Não é fuga das responsabilidades, é um convite a nutrir o que nos dá sentido.

Monja Coen (Foto: Milena Rohr)

O Daruma e o convite ao despertar
Levei comigo um Daruma, o tradicional boneco japonês que simboliza persistência e realização de metas. O ritual é simples e poderoso: você pinta um dos olhos quando faz um pedido ou estabelece um objetivo; o outro olho só é preenchido quando o desejo se concretiza. Ele é um lembrete silencioso de que a jornada é tão importante quanto a chegada.

Levei meu Daruma à Monja para que o abençoasse. Ela com uma delicadeza quase sagrada, me disse palavras que não foram só para os meus ouvidos, mas para o meu ser. Com um sorriso tranquilo, trouxe a sabedoria que só quem vive com consciência do presente consegue compartilhar. Saí dali sentindo que algo em mim havia se reorganizado.

Colunista Milena e Monja Coen (Foto: Milena Rohr)

Disciplina que liberta
Monja Coen nos convida a uma disciplina que não oprime, mas que nos devolve a nós mesmos. Quando ela cita as Regras de São Bento — “Não fale mal dos outros” — não é moralismo. É um convite à higiene da mente. Quando lembra que “você só pode se aposentar do trabalho e não da vida”, ela nos mostra que viver é um ato contínuo de presença e movimento.

Ela nos faz ver que somos como ondas no mar: às vezes pequenas, às vezes imensas, sempre em mudança. “Toda mudança é decisão”, disse, e nesse ponto percebi que disciplina não é rigidez: é escolha consciente, vez após vez, em meio ao caos inevitável.

No final, entendi que ser feliz é possível não porque a vida se torna perfeita, mas porque aprendemos a olhar — com a “câmera de foto com ângulo angular” que ela descreveu — e perceber a amplitude do que já existe, aqui e agora. Saí da palestra como quem respira depois de uma longa apneia. Renovada, grata e com o Daruma à minha frente, um olho pintado, o outro à espera. A disciplina que me propus é simples: permanecer presente, cultivar o equilíbrio e lembrar, todos os dias, que a verdadeira liberdade nasce do compromisso com o momento. Que possamos, cada um de nós, aprender a ser excelentes não para os outros, mas por amor ao que fazemos — e a quem somos.

Milena Rohr

Milena Rohr Sócia e diretora do MasterMind (Fundação Napoleon Hill), Gestora Empresarial, Embaixadora do BNI, Palestrante, Escritora, Colunista e Mentora FRST do Grupo Falconi

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