Os momentos finais da rainha Vitória, a monarca que governou o Reino Unido por 63 anos
Morte da rainha Vitória, em 22 de janeiro de 1901, deu fim a um reinado longevo que ficaria conhecido como um dos mais marcantes da história britânica
Por Giovanna Gomes
A morte da Rainha Vitória, em 22 de janeiro de 1901, marcou o fim de uma era na história do Reino Unido. Em mais de seis décadas no poder, a governante supervisionou a consolidação do Império Britânico como potência global, acompanhou avanços industriais e científicos e contribuiu para restaurar a imagem da monarquia, abalada pela impopularidade dos governantes anteriores.
A influência de Vitória extrapolava as fronteiras britânicas e moldava, direta ou indiretamente, a política do continente. Os casamentos estratégicos de seus filhos com casas reais europeias, inclusive, lhe renderam o apelido de “avó da Europa“. No entanto, os últimos anos de vida da rainha foram marcados por perdas pessoais e pelo agravamento de sua saúde.
O ano de 1900 foi particularmente difícil, de acordo com o portal All That’s Interesting: sua filha mais velha estava com câncer de mama, seu filho Alfred havia falecido, e a própria Vitória enfrentava sérias limitações físicas. O reumatismo nas pernas a obrigava a depender de uma cadeira de rodas, enquanto cataratas severas comprometiam sua visão a ponto de deixá-la quase cega. Ainda assim, ela manteve o hábito de escrever em seu diário.
Fim de ano em Osborne House
Como de costume durante as festas de fim de ano, a rainha viajou para a Osborne House, residência real localizada na Ilha de Wight, mas nem mesmo ali conseguiu escapar das tragédias. Na manhã de Natal de 1900, sua amiga próxima Jane Spencer, baronesa Churchill, foi encontrada morta em sua cama. Temendo o impacto da notícia sobre a saúde da monarca, seu médico pessoal, Sir James Reid, tentou ocultar o ocorrido. Quando Vitória finalmente soube da morte da amiga, ficou profundamente abalada, a ponto de ter dificuldade para se alimentar.
No dia 1.º de janeiro de 1901, ela registrou no diário: “outro ano começou — estou me sentindo tão fraca e mal, que entro nele tristemente”. Ao longo das semanas seguintes, seu apetite diminuiu drasticamente. Muitas vezes, limitava-se a pequenos pedaços de frango cozido ou bife de filé. Apesar disso, sua última anotação no diário, datada de 13 de janeiro, descreve um dia tranquilo: “tive uma noite agradável, mas fiquei um pouco acordada. Levantei mais cedo e tomei um pouco de leite… Saí antes da 1h, na cadeira de jardim, com Lenchen e Beatrice comigo. Descansamos um pouco, comemos um pouco e fizemos uma curta viagem com Lenchen e Beatrice. Descansei ao chegar e, às 17h30, desci até a sala de estar, onde foi realizada uma breve cerimônia pelo sr. Clement Smith, que a conduziu tão bem e foi um grande conforto para mim. Depois, descansei novamente…”.
Cinco dias mais tarde, em 18 de janeiro, o doutor Reid notou que o lado esquerdo do rosto da rainha havia cedido. O diagnóstico foi um derrame paralisante e a notícia de que a morte da soberana poderia estar próxima espalhou-se rapidamente. No dia seguinte, membros da realeza de toda a Europa começaram a chegar a Osborne House, enquanto jornalistas se aglomeravam nos portões em busca de informações. Apesar da gravidade da situação, Vitória parecia relutar em aceitar que o fim estava próximo. Segundo relatos, a monarca teria dito ao médico: “gostaria de viver um pouco mais, pois ainda tenho algumas coisas a resolver”.
Últimos momentos
Em 21 de janeiro, seu filho e herdeiro, Albert Edward, chegou acompanhado do kaiser Guilherme II, seu neto mais velho. Nesse mesmo dia, a rainha apresentou um breve sinal de melhora e chegou a perguntar se estava melhor. Ao ouvir uma resposta afirmativa de seu médico, pediu que sua lulu-da-pomerânia favorita, Turi, fosse colocada em sua cama. Mas, nas primeiras horas da madrugada de 22 de janeiro, tornou-se evidente que a morte era inevitável.
Por volta das 15 horas, a família real reuniu-se ao redor de sua cama para ler passagens da Bíblia e cantar hinos. Um boletim oficial divulgado às 16 horas limitava-se a informar: “o quadro da rainha se agrava lentamente”. A princesa Helena, uma de suas filhas, descreveu mais tarde o momento final, afirmando que jamais esqueceria o brilho no rosto da mãe ao abrir os olhos, como se reconhecesse algo além da vida terrena.
As últimas palavras atribuídas a Vitória variam conforme os relatos, mas uma versão bastante conhecida afirma que teria murmurado “Bertie…”, possivelmente referindo-se ao filho herdeiro — ou talvez ao marido amado, morto quase 40 anos antes. A rainha faleceu às 18h30 do dia 22 de janeiro de 1901. Quinze minutos depois, Albert Edward enviou um telegrama ao prefeito de Londres dizendo: “minha amada mãe acaba de falecer cercada por seus filhos e netos”. O príncipe assumiu imediatamente o trono, sendo coroado como rei Eduardo VII, Estava encerrada a era vitoriana.
O funeral da rainha
Três anos antes de morrer, Vitória já havia deixado instruções detalhadas para seu funeral. Embora vestisse preto desde a morte do príncipe Albert, em 1861, pediu para ser enterrada de branco, com vestido e véu de noiva. Em seu caixão foram colocados um molde de gesso da mão do marido e uma mecha de cabelo de John Brown, seu servo favorito. O funeral, realizado em 2 de fevereiro de 1901, reuniu a maior concentração de realeza europeia já vista até então. A rainha foi sepultada ao lado do príncipe Albert no Mausoléu Real de Frogmore, em Windsor.
Rainha Vitória em retrato oficial (Foto: Getty Images)
Fonte: Aventuras na História









