Ancestral de 250 kg do canguru também pulava
Estudo baseado em fósseis revela que tendões e ossos de espécies extintas ancestrais ao canguru também teriam tolerado o salto
Pesquisadores publicaram um estudo sugerindo que os ancestrais gigantes dos cangurus, que pesavam até cerca de 250 quilos, provavelmente eram capazes de saltar, apesar de seu tamanho muito maiorr do que o de cangurus modernos. Isso oferece uma nova perspectiva sobre como esses grandes marsupiais extintos poderiam ter se locomovido, contrariando parte da visão tradicional de que seu peso impediria saltos típicos dessa espécie.
Os cientistas, liderados pela Dra. Megan Jones, da Universidade de Manchester, analisaram fósseis de vários grupos de cangurus gigantes extintos, incluindo espécies como os sthenurines (cangurus de face curta), membros do gênero Protemnodon e cangurus gigantes relacionados ao gênero Macropus. Em vez de simplesmente extrapolar dados de cangurus modernos — como muitos estudos anteriores haviam feito — a equipe examinou diretamente evidências ósseas, focando na robustez de estruturas cruciais para o salto, como o tendão de Aquiles e os ossos do pé.
A análise demonstrou que os quartos metatarsos — um dos ossos menos robustos da perna traseira — tinham resistência suficiente para suportar as forças envolvidas em um salto. Além disso, os ossos do calcanhar tinham espaço para abrigar tendões grossos que também poderiam ajudar a absorver e liberar energia durante o movimento. Esses achados indicam que, embora o salto em longas distâncias pudesse ser desafiador, saltos curtos e mais lentos eram biomecanicamente possíveis para esses grandes animais.
Uma das razões pelas quais essa hipótese não havia sido considerada com tanta firmeza antes é que se pensava que tendões mais grossos — necessários para suportar um corpo tão pesado — tornariam a locomoção por salto inviável. No entanto, os pesquisadores observaram que outros animais que saltam, como os ratos cangurus, também possuem tendões grossos e ainda assim executam saltos eficazes, o que enfraquece esse argumento tradicional.
A equipe de pesquisa ressalta que isso não prova, por si só, que os cangurus gigantes realmente saltavam como os cangurus modernos, mas sim que era uma possibilidade biomecânica real. O padrão de uso pode ter sido diferente, com saltos ocorrendo ocasionalmente ou em distâncias relativamente curtas, enquanto em outras situações esses animais poderiam ter usado modos de locomoção alternativos menos intensos para as articulações e tendões.
(Foto: Freepik com IA)
Fonte: Aventuras na História






