Nasa descobre sistema solar que não deveria existir
Ele tem um planeta gasoso mais perto da estrela, o que era considerado impossível
Por Rafael Lorenzo M. Barretti
Uma nova descoberta feita por cientistas da Nasa mostra que a forma como entendemos a formação de planetas pode estar errada. O sistema planetário LHS 1903, localizado a cerca de 116 anos-luz da Terra, foi identificado pelo Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito (TESS), da Nasa, lançado em 2018.
Depois, foi analisado com mais detalhes por satélites europeu e telescópios na própria Terra. Ele é formado por quatro planetas que orbitam a estrela LHS 1903, uma anã vermelha, o tipo mais comum de estrelas do Universo.
A ordem em que esses planetas estão foge do padrão conhecido. O planeta mais próximo à estrela é rochoso, os dois seguintes são gasosos e o mais distante também é rochoso. Essa configuração é diferente do observado em todos os sistemas conhecidos até então, onde planetas rochosos orbitam mais perto do Sol e gigantes gasosos ficam nas regiões mais distantes.
Sistema pode mudar maneira como acreditamos que plantas surgem
O modelo clássico de formação planetária parte de um disco de gás e poeira que envolve uma estrela jovem. Perto da estrela, as temperaturas são muito altas. Compostos voláteis, como água e dióxido de carbono, evaporam.
Restam apenas materiais resistentes ao calor, como ferro e minerais formadores de rochas. É nesse ambiente que surgem planetas rochosos, como Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.
Quanto mais distante da estrela, as temperaturas ficam cada vez mais baixas. A água e outros compostos conseguem se condensar em gelo sólido, o que permite o crescimento rápido de núcleos planetários. Quando atingem cerca de dez vezes a massa da Terra, passam a atrair grandes quantidades de hidrogênio e hélio, formando gigantes gasosos como Júpiter e Saturno.
O planeta que não deveria estar ali
No sistema LHS 1903, o planeta mais externo, chamado LHS 1903 e, tem cerca de 1,7 vez o raio da Terra. Ele é classificado como uma “Superterra”, um planeta maior que o nosso, mas com composição semelhante. O problema é que, segundo a teoria tradicional, um planeta rochoso não deveria se formar tão longe da estrela, especialmente depois de dois planetas ricos em gás.
O paradigma da formação de planetas é que temos planetas rochosos internos muito próximos das estrelas, como em nosso Sistema Solar”, afirmou Thomas Wilson, da Universidade de Warwick e autor principal do estudo publicado na revista Science. “Esta é a primeira vez que temos um planeta rochoso tão distante de sua estrela hospedeira, depois desses planetas ricos em gás”.
(Foto: Nasa/Divulgação)
Fonte: Brasil Paralelo






