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Moraes, Vorcaro e chefe da PF degustaram whisky Macallan em Londres em evento de R$ 3 milhões pago pelo Banco Master

Um encontro de luxo realizado em Londres, em abril de 2024, mostrou claramente a proximidade entre algumas das principais autoridades do sistema de Justiça brasileiro e o banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso sob acusação de comandar fraudes bilionárias no sistema financeiro por meio do Banco Master. As informações são do Poder360.
O evento ocorreu no exclusivo George Club, em Mayfair, um dos bairros mais caros da capital britânica. Durante cerca de duas horas, aproximadamente 40 convidados participaram de uma degustação privada do whisky escocês Macallan, acompanhada de charutos, gastronomia premium e serviço de alto padrão. A conta foi paga integralmente por Vorcaro. Segundo documentos enviados pela Polícia Federal à CPMI do INSS, o custo da degustação chegou a US$ 640.831,88 — cerca de R$ 3,2 milhões no câmbio da época.

Entre os presentes estavam algumas das autoridades mais poderosas do país:
Alexandre de Moraes, ministro do STF
Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal
Dias Toffoli, ministro do STF
Benedito Gonçalves, ministro do STJ
Paulo Gonet, procurador-geral da República
Ricardo Lewandowski, então ministro da Justiça
Hugo Motta, presidente da Câmara
além do próprio Daniel Vorcaro
Ou seja, o topo do poder jurídico e institucional brasileiro reunido em um evento pago por um banqueiro que hoje é investigado por fraude financeira.

Um evento milionário
A degustação foi apenas um dos episódios de um programa muito mais amplo. O chamado “1.º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias”, patrocinado pelo Banco Master, custou US$ 6.035.922,37 — mais de R$ 30 milhões.

O pacote incluiu:
hospedagem no hotel de luxo The Peninsula
eventos privados em clubes exclusivos de Mayfair
jantares e festas reservadas
apresentações de artistas internacionais
DJs e shows privados
Entre os locais utilizados estavam clubes famosos da elite londrina, como Annabel’s, George Club e Nikita, além de eventos realizados no museu Wallace Collection. Artistas e DJs internacionais também foram contratados para entreter os convidados.

No encontro no George Club, os convidados degustaram Macallan, uma das marcas mais caras de whisky do mundo. Algumas edições podem custar:
cerca de R$ 1 mil nas versões mais simples
mais de US$ 100 mil em edições raras
Ao final do evento, cada convidado recebeu uma garrafa do whisky como presente. Em mensagens privadas recuperadas pela investigação, Vorcaro comemorou a reunião com entusiasmo ao relatar à então namorada.

Todos os ministros do Brasil, do STF, STJ etc. E euzinho discursando”.

A frase expõe o grau de prestígio que o banqueiro acreditava ter conquistado junto ao núcleo do poder.

O encontro mencionado dentro do STF
O episódio acabou sendo citado dentro do próprio Supremo. Em sessão reservada do STF em fevereiro de 2026, ministros analisaram um relatório da Polícia Federal sobre a relação de autoridades com Vorcaro. Durante o debate, Alexandre de Moraes reconheceu a presença de diversas autoridades no evento. Segundo ele: “nesse encontro, vários estávamos lá. Eu estava lá. Andrei Rodrigues estava lá. Depois fomos todos juntos a um pub, tomamos Macallan”.

Conflitos de interesse
Outro elemento que tornou o episódio ainda mais sensível envolve contratos milionários firmados pelo Banco Master com escritórios ligados a autoridades presentes no evento.

Na época da viagem:
Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, prestava serviços jurídicos ao Banco Master
o contrato teria rendido cerca de R$ 80 milhões

Além disso:
o escritório da família de Ricardo Lewandowski também mantinha contrato com Vorcaro entre 2023 e 2025.

Ou seja, durante o encontro em Londres:
Lewandowski era ministro da Justiça
Moraes era ministro do STF e presidente do TSE, e ambos tinham ligações indiretas com o banqueiro que financiava o evento.

Pergunta sem resposta da Polícia Federal
Outro ponto ainda sem explicação envolve a viagem do diretor-geral da Polícia Federal. Desde fevereiro de 2026, jornalistas questionam:
quem pagou a viagem de Andrei Rodrigues a Londres?
quem arcou com hospedagem, transporte e participação nos eventos paralelos?

Até agora, a Polícia Federal não respondeu.

Fonte: Hora Brasília

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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