Catedral de Colônia, na Alemanha, pode passar a cobrar entrada de visitantes

Símbolo da cidade alemã de Colônia, catedral pode adotar taxa de visitação — prática comum na Europa mas que vem levantando críticas
Por Éric Moreira
A Catedral de Colônia, um dos marcos arquitetônicos mais conhecidos da Alemanha, pode passar a cobrar ingresso para visitantes. O debate sobre a possível taxa ganhou força após manifestações de apoio de figuras ligadas ao meio cultural e religioso, incluindo o pintor alemão Gerhard Richter. Localizada às margens do rio Reno e erguendo-se acima da principal estação ferroviária da cidade, a catedral é um dos símbolos mais reconhecíveis da paisagem urbana de Colônia. O edifício também representa um importante marco histórico: durante a Segunda Guerra Mundial, a estrutura permaneceu de pé mesmo após sofrer danos em sucessivos bombardeios aliados que devastaram grande parte da cidade.
Entre os ataques mais intensos esteve a operação da Royal Air Force em 1942, considerada o primeiro bombardeio com 1.000 aeronaves realizado pela força aérea britânica. Apesar da destruição ao redor, a catedral sobreviveu, tornando-se posteriormente um símbolo da resiliência local diante da devastação do conflito. Além de sua importância histórica, o templo também abriga elementos artísticos que atraem visitantes do mundo todo. Um dos exemplos são os vitrais pixelados instalados em 2007, concebidos por Gerhard Richter. As janelas, que têm cerca de 20 metros de altura, foram desenhadas sob medida pelo pintor e se tornaram uma das atrações da catedral. Quando a luz do sol atravessa os vitrais coloridos, sombras vibrantes são projetadas sobre os mosaicos do piso do edifício. Richter, hoje com 94 anos, afirmou em entrevista à agência de notícias alemã DPA que apoia a ideia de cobrar ingresso de turistas que visitam o interior da igreja. Para o artista, essa prática já é comum em outras catedrais europeias de grande porte.
Prática comum
Na Alemanha, a maior parte das igrejas permite a entrada gratuita de visitantes. Ainda assim, existem algumas exceções. A Catedral de Berlim, por exemplo, cobra € 15 (cerca de R$ 90) pelo ingresso padrão. Em outros países europeus, os valores podem ser ainda mais elevados em atrações religiosas populares. Entre os exemplos frequentemente citados estão a Sagrada Família, em Barcelona, cujo ingresso custa € 26 (R$ 156,91), e a Catedral de Santo Estêvão, em Viena, que cobra € 29 (R$ 175,02) para visitantes. Esses modelos de cobrança são usados para ajudar a custear a manutenção das estruturas e administrar o fluxo turístico.
A discussão sobre taxas de visitação não se limita a igrejas históricas. Outros pontos turísticos europeus também passaram a adotar medidas semelhantes recentemente. Um caso citado com frequência é o da Fontana di Trevi, em Roma. O famoso monumento italiano passou a cobrar uma taxa de € 2 (R$ 12) para visitantes. A medida foi introduzida no mês passado com o objetivo de auxiliar no controle do grande número de turistas que visitam o local diariamente, além de contribuir para os custos de preservação da estrutura, repercute o The Guardian.
Somente em 2025, mais de 10 milhões de pessoas passaram pela Fontana di Trevi, evidenciando o impacto do turismo de massa em atrações históricas e reforçando o debate sobre a adoção de taxas para manutenção e gestão desses patrimônios culturais.
Fonte: Aventuras na História





