Meio ambiente

Projeto quer levar tigres de volta ao Cazaquistão

Programa de restauração florestal e recuperação da fauna prepara a região para reintroduzir tigres na natureza

O Cazaquistão está dando passos concretos para levar de volta um dos maiores predadores da Ásia. No sul do país, um amplo programa de restauração ambiental prepara o terreno para a reintrodução de tigres em um dos projetos de rewilding (renaturalização) mais ambiciosos do planeta. Para tornar o habitat novamente viável, o país vem investindo na recuperação das matas ciliares ao redor do rio Ile e de seu delta no lago Balkhash. Apenas no último ano, foram plantadas 37.000 mudas na região.
O trabalho faz parte de um esforço maior. Entre 2021 e 2024, cerca de 50.000 árvores foram plantadas na Reserva Natural de Ile-Balkhash, área que também recebeu, no ano passado, um casal de tigres reprodutores vindos da Holanda, atualmente em adaptação.

Os resultados de 2025 são frutos de muitos anos de trabalho árduo”, disse Aibek Baibulov, Gerente de Projetos de Restauração Florestal do WWF para a Ásia Central no Cazaquistão. Segundo ele, o objetivo vai além do plantio: “não estamos simplesmente plantando árvores, estamos lançando as bases para ecossistemas resilientes capazes de se autossustentarem”.

Baibulov afirma que os primeiros sinais da restauração já são visíveis. “Plantas cultivadas em anos anteriores já atingiram até 2,5 metros e seus sistemas radiculares alcançaram o lençol freático”, explicou. Para ele, a recuperação das florestas de tugai é essencial para o retorno da vida selvagem. “Sem ecossistemas saudáveis, é impossível falar em populações animais estáveis, incluindo o retorno do tigre”. O programa é liderado pelo governo do Cazaquistão com apoio do WWF Ásia Central e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
Se der certo, será a primeira vez que tigres serão reintroduzidos em um país onde atualmente estão extintos. Estudos genéticos realizados em ossos e peles preservados em coleções nacionais indicaram que os animais que habitavam regiões entre o Irã, o sul da Rússia, a Ásia Central e as áreas ao redor do Mar Cáspio eram extremamente semelhantes aos tigres-siberianos. Com base nessas descobertas, e com cooperação dos Países Baixos, Bodhana e Kuma, um casal de tigres-siberianos, foram transportados de seu santuário nos Países Baixos para uma área de contenção seminatural na Reserva Natural de Ile-Balkhash. Ali, os animais passam por um período de adaptação ao clima local. Espera-se, embora ainda não haja certeza, que se reproduzam.

Quando atingirem a idade adulta, os filhotes desse casal deverão formar o segundo grupo de tigres a ser solto na reserva. Mas, como explica Baibulov, essa etapa só será possível graças a um trabalho iniciado anos atrás, quando o país começou a recuperar as populações de espécies que servem de presa para os felinos. Décadas de conservação permitiram, por exemplo, que a população de antílopes-saiga se recuperasse de um nível perigosamente baixo de 48.000 indivíduos em 2005 para um novo recorde de mais de 1,9 milhão. Em 2019, vários cervos-de-bukhara também foram soltos na reserva, com o objetivo de restabelecer uma população saudável capaz de sustentar os tigres. Desde então, cerca de 200 novos animais foram reintroduzidos.
A restauração da vegetação acompanha essa estratégia. As espécies plantadas nos últimos dois anos refletem os hábitos alimentares desses animais e incluem 5.000 mudas de salgueiro, 30.000 de oleastro-de-folhas-compridas e 2.000 árvores nativas populares sagradas para os cazaques, chamadas turangas. O plantio foi realizado ao longo de um trecho de 3,9 quilômetros das margens do Lago Balkhash — o maior lago da Ásia Central desde o desaparecimento do Mar de Aral.

Já foram observados ungulados selvagens se alimentando nos locais restaurados, o que indica que o ecossistema está começando a funcionar”, disse um porta-voz do WWF Ásia Central ao Live Science por e-mail. “Portanto, cada muda plantada é uma contribuição direta para o futuro do tigre no Cazaquistão”.

Segundo reportagem recente do Astana Times, os primeiros tigres-de-amur selvagens devem chegar ao Cazaquistão vindos da Rússia nos próximos meses, de acordo com o presidente do Comitê de Silvicultura e Vida Selvagem do Ministério da Ecologia e Recursos Naturais, Daniyar Turgambayev. A expectativa do país é registrar o avistamento de três a quatro desses animais até junho. Paralelamente, será criado um grupo de trabalho para desenvolver estratégias que minimizem conflitos entre humanos e animais selvagens. “O lado russo treinará especialistas cazaques para gerenciar conflitos entre humanos e predadores”, observou Turgambayev.

Fonte: CicloVivo

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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