Nasa começa a construir a “libélula robótica” que será enviada à maior lua de Saturno

A Nasa começou a construção do drone Dragonfly, movido a energia nuclear, com lançamento previsto para 2028 rumo a Titã, maior lua de Saturno
Por Flavia Correia
Engenheiros do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, EUA, iniciaram a construção e os primeiros testes do Dragonfly, um veículo robótico com rotores que será enviado para Titã, a maior lua de Saturno. A missão da Nasa está prevista para ser lançada em 2028 e representa um novo passo na exploração de mundos distantes do Sistema Solar.
Segundo Elizabeth Turtle, pesquisadora responsável pelo projeto, esse momento marca o início da fase de montagem do sistema de voo da espaçonave. Em um comunicado, a cientista disse que transformar anos de planejamento em um veículo real é um dos momentos mais importantes da missão.
O que é a “libélula robótica” da Nasa
O Dragonfly, cujo nome significa “libélula”, terá aproximadamente o tamanho de um carro. O veículo foi projetado para voar na atmosfera de Titã usando vários rotores, funcionando como um grande drone científico. A ideia é que ele possa pousar em diferentes locais da lua e coletar dados diretamente da superfície. A missão será apenas a segunda a utilizar um helicóptero em outro mundo. A primeira foi realizada com o pequeno helicóptero Ingenuity, também da Nasa, que operou em Marte entre 2021 e 2024. Apesar de ter sido criado apenas para testes tecnológicos, o Ingenuity superou as expectativas e realizou mais de 70 voos no Planeta Vermelho.
Com base nessa experiência, o Dragonfly foi projetado para ser muito mais robusto. Diferentemente do Ingenuity, que usava energia solar, o novo veículo será alimentado por um sistema nuclear. Isso permitirá operar por mais tempo e em ambientes com pouca luz solar, como ocorre em Titã.
A missão também é muito mais complexa e cara. O projeto completo do Dragonfly tem custo estimado em cerca de US$3,35 bilhões. Já o Ingenuity, por ser apenas um demonstrador de tecnologia, custou cerca de US$85 milhões.

Apenas uma missão já esteve na lua Titã, de Saturno
Titã é um dos lugares mais intrigantes do Sistema Solar para os cientistas. A lua possui uma atmosfera espessa e rica em compostos orgânicos, moléculas que podem estar ligadas à origem da vida. Por isso, pesquisadores acreditam que o local pode ajudar a entender como processos químicos semelhantes aos da Terra primitiva ocorreram. Até hoje, apenas uma missão explorou diretamente a superfície de Titã. Em 2005, a sonda Huygens, desenvolvida pela Agência Espacial Europeia (ESA), pousou na lua e enviou dados por algumas horas antes de parar de funcionar.
Quando chegar a Titã, o Dragonfly deverá visitar diferentes regiões do corpo celeste para estudar sua química, geologia e atmosfera. A expectativa é que as análises ajudem os cientistas a compreender melhor como moléculas complexas podem se formar em ambientes extraterrestres. Enquanto o lançamento não acontece, a missão entra agora em uma longa fase de testes. Nos primeiros experimentos, os engenheiros estão avaliando o módulo eletrônico da espaçonave, considerado o “cérebro” do sistema, responsável por navegação, orientação e processamento de dados.
Os testes e a integração dos equipamentos devem continuar até o início de 2027. Depois disso, o veículo será enviado para novas avaliações técnicas antes de seguir para o Centro Espacial Kennedy, de onde deverá ser lançado a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX.
Fonte: Olhar Digital





