Meio ambiente

Planta carnívora rara é vista pela primeira vez no Nordeste

Espécie de planta aquática Utricularia warmingii, sem registros em algumas regiões há mais de 80 anos, foi encontrada no Cerrado

Por Felipe Sales Gomes

Uma espécie rara de planta carnívora aquática foi registrada pela primeira vez no Nordeste do Brasil. A descoberta ocorreu no município de Campo Maior, no Piauí, durante um levantamento científico de plantas aquáticas realizado em 2023 por pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI), com participação do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA). O registro amplia o conhecimento sobre a distribuição da espécie e acende um alerta para sua conservação.
A planta identificada é a Utricularia warmingii, pertencente à família Lentibulariaceae. Diferentemente de plantas carnívoras mais conhecidas, que vivem em terra firme, essa espécie permanece submersa em águas rasas e mede apenas cerca de seis centímetros de altura. Para capturar alimento, ela utiliza estruturas microscópicas chamadas utrículos — pequenas armadilhas capazes de aprisionar organismos aquáticos minúsculos. Suas flores, brancas com tons de amarelo e vermelho, surgem em uma haste inflada com ar que permite à planta flutuar na superfície.

Planta rara
Embora a espécie exista em outros países da América do Sul, como Bolívia, Colômbia e Venezuela, seus registros são raros e bastante espaçados. No Brasil, havia ocorrências anteriores no Pantanal e em regiões do Sudeste, mas algumas dessas populações podem ter desaparecido ao longo do tempo. Em São Paulo, por exemplo, não há registros da planta desde 1939, o que indica a possibilidade de extinção local. Já em Minas Gerais, onde a espécie foi descrita cientificamente em 1877, também não há registros recentes confirmados.
Os pesquisadores alertam que a descoberta, embora importante, revela também a vulnerabilidade da planta. Até agora, a população identificada no Piauí parece estar restrita a um único local, e novas buscas na região não encontraram outros exemplares. A área total ocupada pela espécie no Brasil é estimada em cerca de 36 km², o que reforça sua fragilidade diante de mudanças ambientais.
Ambientes como lagoas rasas e áreas alagadas temporárias — onde a planta se desenvolve — estão entre os ecossistemas mais ameaçados do planeta. Alterações no regime de cheias, expansão agropecuária, uso de fertilizantes, introdução de espécies invasoras e transformações na paisagem podem afetar diretamente a qualidade da água e comprometer a sobrevivência dessas plantas altamente especializadas.

Utricularia warmingii (Imagem: IA)

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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