Paleo & Arqueologia

Fósseis no Catar revelam espécie até então desconhecida

Pesquisa identifica diversidade antiga de mamíferos marinhos: cientistas encontram fósseis de nova espécie de vaca-marinha

Por Felipe Sales Gomes

Cientistas anunciaram recentemente a descoberta de uma nova espécie de vaca-marinha (mamífero marinho do grupo das sirênias) a partir de fósseis encontrados em um sítio no sudoeste do Catar, no local chamado Al Maszhabiya. As rochas que preservam os fósseis foram datadas como tendo cerca de 21 milhões de anos, ou seja, do início do Mioceno. A espécie foi batizada de Salwasiren qatarensis, em referência à Baía de Salwa — região costeira próxima onde vivem os parentes modernos desses animais.
Os fósseis foram descobertos em depósitos que já eram conhecidos desde meados do século passado, quando levantamentos geológicos reconheceram a ocorrência de ossos em meio ao deserto. Contudo, apenas recentemente pesquisadores obtiveram autorização para escavações sistemáticas e documentaram a enorme riqueza do “cemitério marinho”: foram identificadas mais de 170 localidades com restos de vacas-marinhas, fazendo deste o maior conjunto conhecido de fósseis desse tipo no mundo, segundo os autores do estudo.

Os ossos encontrados mostram que Salwasirentinha estrutura corporal semelhante à dos animais modernos, como os peixes-boi e os atuais dugongos, mas com algumas diferenças: possuía ossos das patas traseiras (algo ausente nos sirênios atuais) e uma morfologia de crânio menos curvada. Estima-se que o animal media menos do que os atuais dugongos: especialistas sugerem que ele teria peso equivalente ao de um panda adulto ou a de um lutador de boxe pesado.

Apesar desse porte mais modesto, presume-se que Salwasiren tinha hábitos semelhantes aos de seus descendentes: alimentava-se de gramíneas marinhas e ajudava a moldar o fundo dos mares, reativando nutrientes e mantendo o equilíbrio dos habitats submarinos.

A abundância de fósseis contribui para reconstruir o que era a região do Golfo Pérsico há milhões de anos: as evidências indicam ambientes rasos e ricos em vegetação subaquática — prados de ervas marinhas — capazes de sustentar grandes populações de sirênios. Além disso, os pesquisadores observaram que esse papel ecológico — de “engenheiro de ecossistema” — se manteve ao longo de grande parte da história geológica da região, mesmo com sucessivas mudanças na fauna marinha: quando uma espécie desaparecia, outra surgia para ocupar a mesma função.

O estudo ressalta que a existência de Salwasiren e seus contemporâneos contribuiu para a biodiversidade antiga dos mares do Mioceno, junto a tubarões, peixes predadores, tartarugas e golfinhos primitivos, conforme evidências fossilíferas do próprio sítio. Isso demonstra que o Golfo operava como um hotspot marinho há dezenas de milhões de anos, muito antes das civilizações humanas locais se formarem.

Representação de uma vaca-marinha (Foto: Divulgação/Pinterest)

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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