Meio ambiente

Conheça o faisão, pássaro que fica ‘cego’ de amor

Descubra o faisão pássaro cego de amor! Saiba como esse ritual de cortejo extremo afeta sua visão e garante a sobrevivência da espécie

Por Simone Cordeiro

Uma das histórias mais curiosas da biologia moderna explica por que uma das aves mais lindas da natureza, o faisão, ficou conhecido como o “pássaro cego de amor”. Imagine um animal que, na hora de conquistar a parceira, literalmente atrapalha a própria visão. Bizarro, não é mesmo? Pois é exatamente isso que acontece com algumas espécies de faisão, que chegam a ficar quase cegas durante o ritual de cortejo.
Muito além de uma simples paixão, o faisão fica literalmente cego de amor, e a ciência explica como isso acontece. Pesquisas recentes publicadas no periódico Biology Letters mostram que faisões-dourados (Chrysolophus pictus) e faisões-de-lady-amherst (Chrysolophus amherstiae) exibem suas penas de forma tão exagerada que acabam bloqueando parte da visão.
Durante o cortejo, os machos levantam e espalham suas plumagens coloridas para impressionar as fêmeas, mas esse espetáculo visual os deixa mais vulneráveis a predadores. Segundo o biólogo Steve Portugal, da Universidade de Oxford, os faisões literalmente sacrificam sua percepção visual em nome da conquista. Enquanto pavões usam suas caudas para atrair atenção, os faisões criam uma espécie de “cortina” de penas que cobre parte do campo de visão. É como se o amor fosse tão intenso que eles ignorassem os riscos ao redor.

Para explicar melhor, os pesquisadores identificaram três regiões distintas no campo visual dos faisões: a monocular, em que apenas um olho enxerga; a binocular, em que ambos os olhos têm visão conjunta; e a chamada “zona cega”, onde nenhum olho alcança. Os exames revelaram que as exuberantes “penas de amor” dos machos dourados e de lady-amherst reduzem significativamente sua visão binocular, sobretudo a capacidade de olhar para cima, em cerca de 41% mais do que nas fêmeas.
O mais interessante é que o faisão não é a única espécie de ave cega de amor no reino animal. Isso porque, muitos pássaros usam recursos visuais para atrair parceiros. Porém, o faisão é o mais “apaixonado” e leva isso ao extremo. Diferente de aves que apenas exibem cores ou cantos, ele compromete sua própria segurança porque, quando ele faz isso, abaixa a guarda para os predadores. Isso levanta uma questão fascinante: até onde a evolução pode ir para garantir o sucesso reprodutivo?

Apesar do risco, essa estratégia funciona. As fêmeas escolhem os machos mais exuberantes, garantindo que os genes de plumagem chamativa sejam passados adiante. É um exemplo clássico de seleção sexual, onde características que parecem desvantajosas para a sobrevivência acabam sendo vantajosas para a reprodução.

O faisão‑dourado é uma das aves mais emblemáticas da família (Foto: iStock)

Curiosidade extra
O faisão-dourado, em especial, é tão chamativo que virou símbolo em várias culturas asiáticas. Sua plumagem brilhante é associada à prosperidade e ao poder mostrando que, nós, humanos, também nos deixamos encantar por esse “amor cego”. Na China, por exemplo, o faisão-dourado é considerado um pássaro da sorte e aparece em obras de arte tradicionais como representação de riqueza e status. Já no Japão, sua imagem é usada em festivais e até em estampas de tecidos, reforçando a ideia de beleza e abundância.

(Foto de capa: iStock)

Fonte: Olhar Digital

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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