No caos


Eu não caibo
Mais em mim,
É que eu já sou
Vários e tantos
Que não dou
Conta,
É que eu já sou
Tantos e múltiplos
Que raramente eu
Mesmo me encontro

Às vezes, eu sou
Um turbilhão de
Emoções e de
Sentimentos soltos
Que farfalham e
Que deságuam no
Oceano da dúvida
Para muito além
Do razoável

Noutras vezes,
Sou apenas paz
E mansidão, um
Rio claro e calmo
De águas plangentes
Que corre lento e
Sereno, sem qualquer
Pressa de encontrar
O mar revolto da vida
De outra quadra, eu
Me vejo enredado

Num cipoal de vícios
E defeitos inconfessáveis
Que me cercam e que
Me provocam o tempo
Todo, o dia inteiro
De outro giro, eu
Sou pura qualidade,
Um poço de virtudes
E de bondades que
Me inundam a alma
E que me fazem sair
Do chão e sublimar

Um grande amálgama
De sonhos, ilusões, amor,
Ódio, paixões e desejos,
Um corolário de erros e
Acertos, uma parafernália
De sensações e apetites,
Em meio a um alarido de
Vozes interiores que falam,
Que pedem e que me
Aconselham sem cessar
E assim, nesta toada,
Cada vez mais é preciso
Ficar só com o ajustador
Do pensamento, respirar
Profundo, meditar e
Acalmar o espírito

Sair da vala comum
E tentar colocar um
Pouco de ordem nesta
Multidão ensandecida
Que nos habita e que
Tanto nos distrai, neste
Novo caos contemporâneo
Em que mergulhamos