Comportamento & Equilíbrio

Pedofilia não é sexual. É o Prazer do Poder — Parte II

O estupro de bebês é a prova do não pertencimento ao campo da sexualidade. É exatamente o bebê que oferece a maior vulnerabilidade ao predador

Continuando a refletir sobre a exclusão da pedofilia do campo da sexualidade, precisamos atentar para a aberração do estupro de bebês. Não há como sustentar na voz passiva que o “coitado” do estuprador foi atraído sexualmente pelo bebê, aquela criatura ainda disforme, movimentos espásticos, espasmódicos, descoordenados, em ausência total de sensualidade e de atrativos sexuais.
Em absoluto, não cabe aquela desculpa esfarrapada de que a menina de 11, 12 anos, seduziu o “indefeso” adulto. Nesse cesto fake não há lugar para os meninos abusados, são quase tão numerosos quanto as meninas, e muito menos os bebês, que são explorados em “trabalhos sexuais” forçados, sempre registrados em vídeo e negociados, facilmente, na internet. Curioso que o preço de um vídeo pornográfico de bebê é vendido dentro da mesma faixa de preço de um fuzil. Entre 50 mil e 80 mil. A venda é rápida, tanto de um quanto do outro. Qual deles mata mais?

Talvez alguns se defendam de pensar numa crueldade dessas com os bebês, e prefiram acreditar que eles não vão se lembrar, quando crescerem. Sim, a lembrança dos atos libidinosos praticados em seu corpinho não vai ser possível. No entanto, a excitação fisiológica do corpinho, é vivenciada como uma angústia difusa misturada com flashes de sensações prazerosas. Mas a impressão registrada que fica é a da angústia. Confusa, descoordenada, sem localização porquanto o bebê ainda está começando o processo de aquisição do esquema corporal, da consciência corporal. A impressão mnêmica não é esquecida porque causa uma sensação de ameaça à sobrevivência, mesmo que não haja a mínima compreensão disso. Uma ameaça à vida faz entrar em ação um esboço de resposta cerebral desorganizada através do sistema límbico, ainda rudimentar.

(Foto: iStock)

Essa precariedade pela pouca idade, faz com que seja muito mais difícil lidar com esse medo primitivo dessa associação de fragmentos de sensação excitante com uma espécie de ameaça de explosão do corpo, já que não há localização dos pontos tocados, nem da sensação ruim nem da sensação agradável. Como ocorre com as emoções do bebê, quando ele chora é o corpo todo que chora, ou quando ele sorri é o corpo todo que sorri, o abuso sexual se irradia pelo corpo todo como um choque de descarga de eletricidade. E assim é registrado.

Vale repetir que um bebê não frequenta redes sociais na internet, não faz nudes para aliciadores que se revelaram adultos depois de uma “amizade” fake, não vai tomar sorvete com o aliciador. Mais do que evidente, esse trabalho sexual escravo de bebês de zero a três anos, é produzido em casa, nos chamados “lares”. E não podem ser atribuídos à sedução sofrida pelo pobre homem, que, aliás, é familiar próximo do bebê. Pai, em maior número, padrasto, avô.

O estupro de bebês é a prova do não pertencimento ao campo da sexualidade. É exatamente o bebê que oferece a maior vulnerabilidade ao predador. Este ponto nos escancara o campo do Poder como a grande busca do pedófilo. Similar ao segredo de justiça que acaba por ocultar o predador e deixa à mostra a criança porque ao seu redor todos ficam sabendo e se alinhando com o agressor, o secreto mais garantido ainda do crime de violação, fornece ao abusador uma ocultação quase perfeita. E, se temos a acusação de um crachá de alienadora para a mãe que denuncia após relato da criança maiorzinha, quando se trata de um bebê, que não fala, que vive numa falsa bolha de proteção, é impossível que haja denúncia feita pela mãe. Se houvesse, corria o risco dessa mãe ser amarrada em camisa de força e levada para o hospital psiquiátrico, de imediato.

(Foto: Freepik)

Crianças relatam com detalhes, coerência e emoção correspondente, estupros incestuosos em que são vítimas. Esses relatos são invertidos na tal da falsa memória, não científica, mas dogmática. Exames de Corpo de Delito, realizados em Instituto Médico Legal, não valem nada, são arquivados porque alguma psicóloga já pendurou o crachá de alienadora na mãe. Laudos e Perícias vários, assinados por profissionais competentes, não são apreciados, testemunhas que corroboram o relato da criança são dispensadas ou desqualificadas, até mesmo quando uma criança, examinada por uma junta médica em Hospital Público, tem além da afirmação escrita de positividade para conjunção carnal adversa, termo técnico para estupro de vulnerável, a decisão da administração do coquetel antiviral, prevenção para AIDS e doenças venéreas, em criança de seis anos, não tem valor para os agentes de justiça. Nada prova um estupro de vulnerável. A alienação é dogmática.

Enquanto persistirmos nessa Cultura de Violência Sexual contra crianças e bebês, praticadas por predadores e Instituições, estaremos caminhando para o colapso social. Talvez, irreversível. Lembro apenas que essas crianças crescem, e as que conseguirem sobreviver às milícias institucionais, elas vão chegar à maioridade. E, carregadas de emoções raivosas e vingativas, vão se relacionar com os e as descendentes desses que exercem essa injustiça. Foi assim que alguns sobreviventes desses multiestupros fizeram denúncias de pedofilia contra o inventor da alienação parental. E o FBI chegou no Gardner, que, então, se suicidou de maneira trágica e significativa.

Ana Maria Iencarelli

Ana Maria Iencarelli

Psicanalista Clínica, especializada no atendimento a Crianças e Adolescentes. Presidente da ONG Vozes de Anjos.

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