Cultura

Conheça Zenóbia, a ‘rainha guerreira’ que desafiou o Império Romano

Em meados do século 3.º, enquanto o Império Romano vivia uma crise, Zenóbia fundou o Império Palmira e até desafiou Roma; confira!

Por Éric Moreira

Certamente, quando se observa a história da humanidade, poucos impérios e nações conseguiram tantas glórias quanto o Império Romano. Entre 27 a.C. e 476 d.C. — na verdade, até 1453 d.C. no Oriente, como Império Bizantino — os romanos dominaram quase toda a Europa; e no século 2.º alcançaram sua maior extensão, abrangendo grande parte da Europa, do Oriente Médio e do norte da África.
E em uma extensão tão grande, algumas cidades também conseguiram grande destaque para além de Roma. Uma das áreas mais importantes para o império era a cidade de Palmira, na então província da Síria, devido à sua localização estratégica entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Eufrates, tornando a cidade um ponto de parada obrigatório para caravanas que viajavam pela Rota da Seda.

Foi assim que, no século 3.º, Palmira tornou-se uma das cidades mais ricas de todo o Império Romano, além de possuir grande importância militar, servindo como barreira contra o arqui-inimigo romano, o Império Persa (ou Império Sassânida, como era chamado na época). Foi assim que Palmira se tornou tão poderosa, a ponto de, no ano 268 — enquanto o Império Romano lidava com uma das piores crises de sua história — insurgir e criar seu próprio império. E quem esteve à frente desse momento foi uma figura bastante única e poderosa, que não é tão lembrada assim pelos livros de história: Zenóbia, a rainha regente de Palmira.

Conhecida por ser detentora de muita cultura e habilidade militar, Zenóbia fundou o Império Palmira e, comandando-o, tomou a Síria, o Egito, a Anatólia (Ásia Menor), a Palestina e o Líbano. Além disso, em 270 ela chegou até a se autoproclamar rainha do Egito — ela inclusive afirmava ser descendente de Cleópatra — e cunhou moedas na região com sua face. Entenda mais sobre sua história!

Moeda e retrato representando a rainha Zenóbia (Foto: Creative Commons/GNC/Domínio Público)

Ascensão
Conforme repercute a BBC News Brasil, Zenóbia era casada com o príncipe de Palmira, Septimius Odenato, que era uma figura prestigiada e reconhecida por Roma devido às suas campanhas bem-sucedidas contra os persas. Por isso, inclusive, ele foi nomeado rei de Palmira em 260, incumbido de defender a fronteira oriental do Império Romano.

Porém, apenas sete anos depois, seu sobrinho o matou — bem como a seu filho mais velho, Hairan, fruto de seu primeiro casamento e legítimo herdeiro do trono — e a coroa acabou sendo herdada por seu filho mais novo, Lucius Iulius Aurelio Septimio Vaballathus Atenodoro (mais conhecido como Vabalato), nascido de seu segundo casamento, com Zenóbia.

Porém, como ele ainda era muito jovem para se tornar rei, quem assumiu como regente foi sua mãe, Zenóbia, que tinha cerca de 25 anos. Nesse momento, ela já era amplamente reconhecida como uma figura extremamente culta, com alguns historiadores inclusive afirmando que seu pai era um governador romano, e por isso ela recebeu a educação de um membro típico da nobreza. Os antigos relatos sugerem que ela cativava a todos com sua inteligência e beleza. Porém, ela certamente não se resume a isso: logo após a morte do marido, ela não somente defendeu a independência de Palmira, como até mesmo teve a ousadia de desafiar o Império Romano.

Novo império
Embora seja associado principalmente a Zenóbia, os planos de conquistar o “novíssimo” Império de Palmira — resultado das outras regiões tomadas, para além do que os romanos já esperavam — surgiram ainda com Odenato, inicialmente como uma suposta tentativa de defender o Império Romano dos inimigos persas. Porém, o próprio rei pretendia dominar o Oriente; e Zenóbia apenas seguiu adiante com os planos do marido.

Detentora de grande astúcia militar, Zenóbia teve grande sucesso em manter os persas afastados da região, além de ter conquistado terras que pertenciam ao Império Romano. Ela aproveitou-se de uma grave crise que o então imperador Claudio II (também conhecido como Cláudio Gótico) enfrentava, que via o império dividido e enfrentava uma ameaça tripla, dos godos, dos gauleses e dos germânicos.

Foi nesse cenário, fora da atenção de Roma, que Zenóbia e o reino de Palmira invadiram o Egito em 269, e ela se proclamou rainha. Ela estendeu as fronteiras de seu império do Eufrates ao Nilo, e, comandando um poderoso exército, ficou conhecida como “rainha guerreira”, conquistando várias outras cidades romanas fundamentais para o comércio no Oriente Médio.

Rainha Zenóbia se dirigindo aos seus soldados (Foto: Getty Images)

Derrota
Porém, com a chegada de Aureliano ao poder do Império Romano, ele conseguiu impedir as ambições do Império de Palmira, além de resolver toda a crise que seu império enfrentava. Ele conteve os godos, gauleses e germânicos, e também reconquistou o Egito e restaurou o poder de Roma no Oriente — por isso, inclusive, ficou conhecido como “restaurador do mundo”.

Assim, pouco a pouco, Aureliano recuperou os territórios que perdeu para Zenóbia, e a imperatriz se refugiou no único lugar em que ainda tinha confiança do povo, em Palmira. Porém, o imperador romano foi implacável e continuou a perseguindo, inclusive movendo seu exército para cercas os muros da cidade, impedindo assim a entrada de suprimentos.

Finalmente, em 272, Zenóbia e seu filho acabaram sendo capturados durante uma tentativa de fuga rumo à Pérsia e levados até Roma, onde Aureliano organizou uma marcha triunfal em que ela, como prisioneira, foi exposta e humilhada. O destino de Zenóbia, no entanto, ainda hoje divide opiniões. Porém, a versão mais aceita é que ela foi perdoada pelo imperador romano, e autorizada a seguir uma vida luxuosa em Tibur (atual Tivoli, na Itália) como exilada, e ainda teria se tornado uma aclamada filósofa da alta sociedade romana.

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

EnglishPortugueseSpanish