Ciência

Descoberta sobre astro que “ajudou a matar” Plutão surpreende cientistas

Cientistas descobrem algo inesperado sobre Makemake, corpo que influenciou a exclusão de Plutão da lista de planetas do Sistema Solar

Por Flavia Correia

Em 2006, o distante e gelado Makemake, descoberto um ano antes no Cinturão de Kuiper, foi oficialmente reconhecido pela União Astronômica Internacional (IAU) e logo se tornou peça-chave em um debate histórico. Ao lado de outros corpos com dimensões semelhantes às de Plutão, ele ajudou a “matar” o status até então estabelecido do vizinho mais famoso. Sua existência mostrou que havia vários objetos comparáveis, forçando os astrônomos a adotar critérios mais rigorosos para classificar um corpo celeste e a criar a categoria “planeta anão”.
Quase duas décadas depois, uma equipe de cientistas acaba de fazer uma descoberta surpreendente sobre esse enigmático astro, que continua a desafiar o conhecimento sobre os planetas anões do Sistema Solar. Segundo relata um artigo disponível no servidor de pré-impressão arXiv, já aceito para publicação pelo periódico científico The Astrophysical Journal Letters, foi detectado metano em Makemake — o que faz dele apenas o segundo objeto situado além da órbita de Netuno a ter presença de gás, depois de Plutão.

A descoberta foi feita por uma equipe liderada pelo Southwest Research Institute (SwRI) usando o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da Nasa. Em um comunicado, Silvia Protopapa, astrofísica do SwRI e autora principal do estudo, conta que o equipamento revelou metano em fase gasosa acima da superfície de Makemake, um dos maiores e mais brilhantes mundos transnetunianos. “Isso torna Makemake ainda mais fascinante”, diz a cientista, acrescentando que isso mostra que o planeta anão não é apenas um fragmento congelado do Sistema Solar, mas um corpo dinâmico, onde o gelo de metano ainda passa por mudanças.

Com cerca de 1.430 km de diâmetro, Makemake tem cerca de dois terços do tamanho de Plutão. O JWST detectou o metano por meio de uma assinatura espectral na luz solar refletida pelas moléculas desse gás, confirmando sua presença em estado gasoso. Segundo o estudo, esse metano pode indicar uma atmosfera muito tênue ou uma atividade temporária, semelhante à observada em cometas, quando os gases sublimam.

Outra possibilidade são plumas criovulcânicas, fenômeno em que jatos de gás e gelo são expelidos da superfície. Se a atmosfera de Makemake for permanente, ela é extremamente fina. Os modelos indicam que sua pressão superficial chega a apenas 10 picobares, cerca de 100 bilhões de vezes menor que a da Terra. Mesmo assim, é suficiente para que pequenas quantidades de metano escapem de forma constante ou em explosões localizadas.

Fonte: Olhar Digital

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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