Polvo-de-sete-braços é filmado nas profundezas
Registro raro feito por instituto americano destaca como criaturas abissais ainda guardam segredos da vida marinha
Por Matheus Chaves
O cientista sênior Steven Haddock e pesquisadores da Equipe de Biodiversidade e Bioóptica do Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI), nos Estados Unidos, registraram em vídeo um exemplar vivo do Haliphron atlanticus, conhecido popularmente como “polvo-de-sete-braços”. O encontro ocorreu a cerca de 700 metros de profundidade na Baía de Monterey.
A filmagem foi capturada pelo veículo robótico Ventana durante uma expedição de rotina — e rapidamente chamou atenção pela raridade da espécie. O nome da espécie costuma gerar confusão. Apesar da fama, o animal não tem sete braços. Machos possuem oito como qualquer outro polvo, mas um deles costuma ficar escondido numa cavidade próxima ao olho. Essa estrutura, chamada hectocótilo, é usada exclusivamente na reprodução. Por isso, quando observado, parece faltar um dos membros.
Mesmo com essa peculiaridade, encontrar um Haliphron atlanticus vivo continua sendo exceção — motivo pelo qual o novo vídeo é tão relevante. O animal observado pode pesar aproximadamente 75 quilos, reforçando a ideia de que a espécie está entre os maiores polvos conhecidos. Ainda assim, sua presença na natureza quase nunca é registrada, já que vive em regiões profundas e pouco acessíveis do oceano.
Em 40 anos de monitoramento a equipe do MBARI só havia documentado três aparições semelhantes antes desta. Além disso, no mundo ocorreram poucos avistamentos. No registro mais recente, o animal aparece carregando uma medusa vermelha da espécie Periphylla periphylla, comportamento que já havia sido sugerido em estudos anteriores.
A cena ajuda a confirmar que o polvo se alimenta de organismos gelatinosos, indicando que cadeias alimentares das águas profundas podem ser mais complexas do que se imaginava. Para os cientistas, imagens como essa são fundamentais para entender a dinâmica ecológica em zonas abissais — regiões ainda pouco observadas e extremamente desafiadoras para a pesquisa.

(Foto de capa: Divulgação/MBARI)
Fonte: Olhar Digital






