Ciência

Pela primeira vez cientistas filmam a “respiração” invisível das plantas

Método inédito que filma os poros das folhas em ação e mede suas trocas gasosas em tempo real promete acelerar a criação de culturas agrícolas resistentes à seca

Por Lucas Soares

Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram visualizar em tempo real e em detalhes tridimensionais o processo de “respiração” das plantas. Cientistas da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign desenvolveram uma ferramenta inédita que flagra o movimento de abertura e fechamento dos estômatos — os minúsculos poros que funcionam como a “boca” das folhas — enquanto mede com precisão as trocas gasosas com o ambiente.
O estudo, publicado na revista Plant Physiology, abre uma nova janela para a fisiologia vegetal, com implicações diretas para o futuro da agricultura e a segurança alimentar em um clima em mudança.
O feito foi possível graças à integração de várias tecnologias de ponta. Um sistema de imagem tridimensional a laser gera retratos detalhados das células vivas, enquanto sensores ultraprecisos quantificam cada molécula de dióxido de carbono absorvida e de vapor d’água liberada. Tudo isso ocorre dentro de uma câmara que replica com fidelidade condições ambientais variáveis, como intensidade de luz, temperatura e umidade. Esse controle rigoroso é essencial, pois os estômatos reagem instantaneamente a essas variáveis, um comportamento que antes escapava à análise em tempo real.

“Boca das plantas” pode mudar o futuro da agricultura
A relevância da descoberta vai muito além do laboratório. O mecanismo estomático representa o equilíbrio vital entre crescimento e sobrevivência no reino vegetal. Para realizar a fotossíntese, a planta deve abrir seus poros e absorver CO₂, ação que inevitavelmente a desidrata. Em condições de seca, fechar os estômatos conserva água, mas à custa de parar de crescer. Compreender com exatidão esse processo é, portanto, a chave para um dos maiores desafios da agricultura moderna: produzir mais comida com menos água.
A nova técnica funciona como um potente microscópio fisiológico. Ela permitirá aos cientistas decifrar os sinais genéticos e bioquímicos que comandam a eficiência no uso da água. O objetivo final é direto: identificar e cultivar variedades de plantas que mantenham alta produtividade mesmo sob estresse hídrico. Em um cenário de mudanças climáticas onde a escassez de água se intensifica, essa capacidade pode transformar a segurança alimentar global, pavimentando o caminho para culturas resilientes que demandem menos irrigação para produzir alimentos e biocombustíveis.

(Foto: Freepik)

Fonte: Olhar Digital

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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