Economia

Romildo Fardin conta trajetória da Doces Fardin

Como a fabricação caseira de doces de banana se transformou em uma indústria de sucesso, presente em mais de 300 municípios brasileiros

O mercado nacional de doces no Brasil está em plena expansão e crescimento, impulsionado pela demanda por inovação, praticidade e opções mais saudáveis, com faturamento bilionário e forte consumo per capita. As tendências incluem produtos premium, experiências sensoriais (doces exóticos, que mudam de sabor), foco em sustentabilidade e adaptação a datas comemorativas, com setores como chocolates, balas e biscoitos industrializados mostrando bons resultados e exportações aquecidas para países como EUA e Paraguai.
Aqui em terras capixabas o mercado de doces não é diferente. Aquecido e diversificado e com forte presença de grandes distribuidores, os produtos capixabas atendem atacadistas (supermercados, padarias) e varejistas, com opções de doces, guloseimas e chocolates a confeitarias finas (bolos, doces gourmet), além de diversas franquias de sucessos.
Com muita água na boca, a “Alimentos & Negócios” traz, ao prestimado leitor, a história da Doces Fardin, empresa com mais de 22 anos no mercado e com estrutura de gestão familiar. Para apresentar e contar a história do tradicional empreendimento, a Alimentos & Negócios entrevistou o fundador Romildo Fardin, que falou sobre a trajetória da empresa e dos projetos para o futuro.

Como surgiu a Fardin e podemos dizer que a empresa é 100% familiar?
Em fevereiro de 2004, o casal de produtores rurais Romildo Antônio Fardin e Marivania Fardin, de Vargem Alta, interior do estado do Espírito Santo, percebeu que a venda do café que produzia já não era suficiente para o sustento da família e decidiu fabricar doces caseiros na própria residência para vender no comércio da região.
A aposta deu certo e o casal aderiu a um financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para comprar máquinas e equipamentos e ampliar a produção. Hoje, com 22 anos de mercado, a Doces Fardin é uma agroindústria de doces de banana, localizada em Vargem Alta, na Região Serrana do Estado. Fabrica 200 toneladas por mês de um mix de 28 produtos comercializados em 300 municípios do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Conta com cerca de 150 colaboradores e ocupa uma área de nove mil metros quadrados. Atualmente, investe no aumento da automatização dos processos produtivos, na profissionalização da gestão e na entrada em grandes redes de supermercados e distribuidoras.

Quais os principais desafios enfrentados pela Fardin ao longo desses 22 anos?
No início da sua implantação, a Doces Fardin enfrentou dificuldades relacionadas aos processos de fabricação e comercialização dos produtos, além de problemas de saúde do fundador. Todas foram superadas, e o objetivo de melhorar as condições da família não foi abalado. Com dedicação, persistência e resiliência, a família superou os obstáculos e transformou o que era um complemento de renda em uma empresa em constante crescimento.
Atualmente, os desafios são a automação dos processos industriais, as mudanças climáticas desfavoráveis à produção da banana, e a dificuldade de contratação de mão de obra qualificada no interior.

Como profissionalizar a gestão sem perder o DNA familiar?
Apostamos em contratar as pessoas certas, alinhadas aos valores e à cultura da empresa. Também oferecemos treinamento contínuo para a equipe manter a visão dos fundadores. Além disso, é salutar continuar acompanhando de perto a gestão, a produção e a comercialização.

Qual a visão e a missão da Fardin e como garantir que a empresa continue relevante para as próximas gerações?
A visão é se tornar líder do mercado brasileiro, oferecendo produtos e soluções inovadoras motivadas em 100% do aproveitamento da banana. A nossa missão é transformar a indústria da banana em uma cadeia sustentável, gerando impacto positivo em colaboradores, clientes, fornecedores e comunidade.
Internamente, buscamos investir em automação para permitir o aumento da produção e o crescimento da empresa. Também nos esforçamos para lançar produtos alinhados com os interesses atuais do consumidor, como a Linha Zero, que é saudável e ainda traz benefícios para os consumidores. Aliado a isso, valorizamos o produtor rural local, comprando 100% da colheita de banana de 150 famílias, que compõem o grupo Amigos do Campo, criado pela Fardin.

Somos o país com a maior carga tributária do mundo… O que fazer para driblar a crise e continuar competitivo?
Investimos em eficiência operacional e planejamento tributário. Apesar da alta carga tributária, quando a regra é a mesma para todos, não há problema. O que incomoda é a sonegação fiscal de algumas empresas, que gera uma concorrência desleal.

Além dos altos impostos, estamos enfrentando a falta de mão de obra. Como a Fardin vem superando essa triste realidade e a que o senhor atribui essa lacuna?
Buscamos oferecer atrativos para reter os talentos, como salários compatíveis, benefícios, treinamentos, assistência psicológica, entre outros. Percebemos, entretanto, que a grande oferta de vagas em empresas na região, além da grande quantidade de benefícios sociais, dificulta a contratação e aumenta a rotatividade.

A Fardin está no interior do Estado, as estradas dificultam no escoamento dos produtos da empresa?
Muito. Temos 3,5 quilômetros de estrada entre o Centro de Fruteiras Nova e Pombal que pleiteamos o asfaltamento há anos. Já tivemos situações de ter que mandar um trator para desatolar o caminhão. As condições das demais estradas do Brasil até os nossos clientes também dificultam o escoamento da produção, aumentando os custos.

Existem muitos fornecedores e fabricantes de doces no mercado. O que torna a Fardin a opção certa?
Sim, são diversos produtores, mas todo ramo tem concorrência e também existe mercado para todos trabalharem. O que torna a Fardin diferente — além de oferecermos produtos feitos com banana de verdade, sem adição de corantes e aromatizantes (exceto nos saborizados) e sempre em embalagens atrativas — é a nossa parceria com os produtores rurais locais. Ao comprar nossos doces, o consumidor está apoiando a agricultura familiar e o sustento de mais de 150 famílias que compõem o grupo Amigos do Campo, criado por nós. Compramos 100% da colheita de banana deles. Isso significa que o cliente está escolhendo um produto com história.

Quais os setores que a Fardin atende e os Estados?
Como disse, estamos em 300 municípios do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Nossos produtos são comercializados por distribuidoras e estão presentes desde pequenos comércios até grandes redes de supermercado.

E para finalizar, quais as vantagens de uma empresa familiar e o que está no planejamento da Fardin para os próximos anos?
É um privilégio ter uma empresa dentro da família. Começamos para aumentar a renda e hoje até nossos filhos fazem parte do negócio, replicando a nossa dedicação. Quando é de Deus não tem como dar errado. Temos desafios, mas enfrentamos um de cada vez e vencemos.
Nos próximos 15 anos, queremos a Fardin líder do mercado, mas com muita humildade e sem passar por cima de ninguém. Temos o projeto de aproveitar 100% da banana, crescer de forma organizada e, no futuro, formar uma holding.

Capa: Ronatan, Rian, Marivânia e Romildo Fardin (Foto: Divulgação)

Haroldo Filho

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

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