Economia

O Espírito Santo entra na era da reciclagem de alumínio

As populares latas de alumínio usadas em bebidas alcoólicas são recentes, quando substituíram as latas de “ferro/aço” (folha de flandres) no Brasil em 1989. Foram originalmente criadas no exterior a pedido de uma cervejaria suíça, em 1958, como uma alternativa leve, resistente e prática às latas tradicionais.
Atualmente, o Brasil é líder mundial na reciclagem de latas de alumínio, com índices superiores a 96% há mais de 16 anos, atingindo quase 100% em anos recentes. O ciclo de retorno ao mercado é rápido (aproximadamente 60 dias), movimenta aproximadamente R$ 6 bilhões de reais/ano, gerando renda para milhares de famílias. (Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-08/brasil-reciclou-973-das-latinhas-de-aluminio-em-2024#:~:text=Segundo%20a%20institui%C3%A7%C3%A3o%2C%20o%20Brasil,ficou%20em%2099%2C7%25).
Produzir o alumínio metálico a partir da bauxita, minério rico em óxido de alumínio, ou alumina (Al2O3) é caro, pois são necessárias, aproximadamente, quatro a seis toneladas de bauxita para produzir uma tonelada de alumínio metálico, em um processo de eletrólise (ígnea) que consome grande quantidade de energia elétrica.

Fonte: https://mineralis.cetem.gov.br/bitstream/cetem/1103/1/14%20BAUXITA%201.pdf

Estima-se que a produção de uma tonelada de alumínio por eletrólise de alumina, utilizando corrente contínua intensa, demande entre 13.000 kWh e 17.000 kWh, em um processo altamente intensivo em energia.
Reciclar o alumínio é uma estratégia plenamente viável do ponto de vista econômico, além dos eventuais ganhos ambientais, por ser material totalmente reciclável e reutilizável infinitamente sem perda de qualidade. Ela economiza 95% da energia utilizada na eletrólise, reduz 95% da emissão de gases de efeito estufa gerados no processo. Além disso, evita a extração de bauxita pela atividade de mineração, gerando renda para catadores e reduzindo resíduos sólidos, sendo um exemplo claro de economia circular, onde o metal retorna ao ciclo de vida sem desperdício.
Neste sentido, é muito salutar a entrada do Espírito Santo na era da reciclagem de alumínio, através da empresa mineira Alugreen (Grupo Prospective) que investirá cerca de R$ 105 milhões em uma fábrica em Linhares, no distrito de Bebedouro, com foco na produção de Alumínio Desoxidante (para a indústria do aço) e ligas de alumínio, a partir de sucata. A previsão é de entrada em operação entre 2026 e 2027, sendo a projeção inicial um consumo anual de cerca de 1800 toneladas de sucata de alumínio, podendo dobrar esse consumo, com possibilidade de expansão conforme a demanda. (Fonte:https://tribunaonline.com.br/economia/fabrica-de-aluminio-vai-criar-150-empregos-no-es-292019?home=espirito_santo)

(Foto: Unsplash)

O Alumínio Desoxidante (ou De-Ox-Al) é um insumo de alumínio de alta pureza usado na siderurgia para remover o oxigênio dissolvido no aço líquido. Ele produz um aço “acalmado” ou “morto”, isento de porosidade, apresentando alta resistência e tenacidade, ideal para tratamentos térmicos, sendo fundamental para os setores automotivo e naval. É, portanto, essencial na fabricação de aços de alta exigência. (Fonte: https://www.metals-hub.com/en/blog/whats-deox-al-used-for/)
A implantação desta fábrica reduzirá a necessidade do envio de sucata de nosso Estado para outros estados, fortalecendo, portanto, a economia local. A reciclagem de alumínio é fundamental para um futuro de baixo carbono, com expectativa de que materiais reciclados atendam a metade do consumo total até 2050, segundo a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

Robson Valle

Engenheiro químico, vice-presidente da Associação Profissional dos Químicos do ES (Aproquimes) Página pessoal: https://rvalle.com.br/eqes/

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