Cultura

Lunático Sonhador

Quiçá não seja eu,
E é bem provável
Que assim o seja,
Apenas mais um
Lunático sonhador,
Tão somente mais
Um personagem
Quimérico, irreal
Ou imaginário de
Minha mente, um
Tipo contemporâneo
De Dom Quixote
Às avessas

Porventura, e quem
Sabe, um Sancho Pança
De pijama, um rebelde
Sem causa, um mártir
Ou camicase que ainda
Vive, um guerreiro otomano
Sem guerra santa, um
Revolucionário de sofá,
Um soldado sem arma,
Sem pátria e sem cantil

Por acaso, um filósofo
Sem dilema, um mestre
Sem aprendiz, um poeta
Sem sua pena, um menestrel
Sem voz, um pintor sem
Sua musa, sem sua tela,
Sem sua tinta e sem o
Seu pincel

Provavelmente, um craque
Sem a bola, um ator sem o
Seu teatro, um autor sem
Sua peça, sem o seu roteiro,
Um colunista sem assunto,
Um repórter sem notícia e
Um editor sem o seu jornal

Afinal de contas, que fim
Levaram todas as flores, todos
Os sonhos e todos os ideais
Onde estão os pensadores e
Os poetas, as causas nobres,
Os heróis, os historiadores e
A memória, além dos ébrios,
Boêmios e românticos incorrigíveis

Para onde mudaram-se o
Amor e a amizade pura e
Desinteressada, que fim levou
A boa música, a literatura e
A caridade, onde estão os livros,
A pintura e as artes, onde andam
A cultura e a boa educação, a
Gentileza, o respeito, a fraternidade,
A poesia e o romance clássico

Mário Vieira

Mário Vieira

Capixaba, casado, autor e advogado

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