Pinturas rupestres do tigre-da-tasmânia sugerem que o fim da espécie é recente

Encontradas na Austrália, 14 novas pinturas rupestres do tigre-da-tasmânia sugerem que o fim do animal é mais recente do que se imaginava
Por Letícia Lima
Arqueólogos encontraram 14 novas pinturas rupestres do tigre-da-tasmânia e duas do diabo-da-tasmânia no norte da Austrália. A descoberta, feita na região da Terra de Arnhem, altera o que a ciência sabia sobre o desaparecimento da espécie. Desse modo, as imagens sugerem que o animal sobreviveu no continente por muito mais tempo do que a estimativa anterior de três mil anos.
Publicado na revista Archaeology in Oceania, o estudo indica que o marsupial pode ter habitado a parte continental do país até cerca de mil anos atrás. Historicamente, a extinção oficial nessas terras ocorreu há milênios. Depois disso, a espécie resistiu apenas na ilha da Tasmânia, onde o último exemplar conhecido morreu em 1936.
De acordo com informações da revista Live Science, os desenhos retratam o tigre com características caninas, focinho alongado e, em alguns casos, as clássicas listras. Além disso, uma parte das figuras foi pintada com caulim, um tipo de pigmento branco feito de argila. Como esse material se desgasta com rapidez e não dura tanto quanto outras tintas, os especialistas avaliam que as artes são relativamente recentes.
Segundo um comunicado do líder do estudo, Paul Taçon, os autores das pinturas provavelmente observaram os animais vivos circulando pela região norte. Por outro lado, existe a possibilidade de que os artistas antigos tenham apenas se inspirado em ilustrações de gerações anteriores. De qualquer forma, a descoberta reacende o debate sobre a sobrevivência tardia da criatura.
Antes dessa nova expedição, o país já contava com cerca de 150 imagens confirmadas do tigre-da-tasmânia espalhadas pelo território. Em contrapartida, o diabo-da-tasmânia possuía apenas 23 registros artísticos verificados. Consequentemente, essa grande diferença nos números demonstra que os tigres eram mais abundantes e possuíam uma influência cultural muito maior na antiguidade.
Atualmente, os cientistas trabalham junto às comunidades aborígenes para aprofundar o significado histórico dessas representações. O coautor Joey Nganjmirra, integrante do grupo tradicional Djalama, explicou que as antigas histórias orais tratam os tigres como animais de estimação de divindades nativas. Portanto, o marsupial continua sendo um símbolo vivo e de extrema importância para a identidade dos povos locais.
Fonte: Aventuras na História





