Relações Internacionais

Lula vai à Casa Branca na quinta-feira para encontro com Trump

Luiz Inácio Lula da Silva viajará a Washington para se reunir com o presidente Donald Trump na próxima quinta-feira (7). O encontro ainda não constava na agenda oficial do Planalto, mas o vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou a viagem e antecipou o tom da reunião. “Toda a orientação é no sentido de fortalecer a relação Brasil-Estados Unidos. É um ganha-ganha. Acho que estamos vivendo um outro momento, passando o tarifaço. Agora é fortalecer esta parceria, derrubar também barreiras não tarifárias”, disse Alckmin.
A visita à Casa Branca era esperada desde setembro de 2025, quando Lula e Trump se encontraram pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU. Trump descreveu o contato com entusiasmo, dizendo ter havido “química excelente” e que Lula pareceu ser “um cara muito legal”. O segundo encontro ocorreu em outubro de 2025, na Malásia, durante a cúpula da Asean, quando Lula pediu a suspensão das tarifas impostas ao Brasil enquanto os dois países negociavam. Um mês depois, Trump acatou o pedido, citando “progresso inicial nas negociações com o governo do Brasil”.

A crise diplomática que antecede o encontro
A reunião de quinta-feira ocorre num contexto radicalmente diferente do entusiasmo de setembro. Nas últimas semanas, a relação bilateral passou por sua pior turbulência desde o início do governo Lula. O governo americano expulsou o delegado da PF, Marcelo Ivo de Carvalho, de Miami, acusando-o de tentar usar o ICE para contornar o rito formal de extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem — condenado pelo STF a 16 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado e solto pelo ICE dois dias após a detenção. Em retaliação, Lula aplicou o princípio da reciprocidade e expulsou o agente americano Michael Myers do Brasil.
Além da crise do caso Ramagem, o Brasil enfrenta uma investigação comercial da Representação de Comércio dos EUA sobre práticas consideradas desleais — incluindo o Pix, o etanol e o desmatamento — com conclusão prevista para julho, e consta em relatório do Departamento de Estado como um dos principais fornecedores de químicos para o narcotráfico global, ao lado de Venezuela, Coreia do Norte e Colômbia.
A visita à Casa Branca que o governo Lula tentava confirmar há meses, portanto, chega num momento em que o Brasil expulsou um agente americano do território nacional, foi acusado de manipular o sistema de imigração dos EUA e está sob investigação comercial americana em três frentes simultâneas.

O que Lula precisa resolver em Washington
A pauta da reunião ainda não foi divulgada oficialmente, mas o quadro diplomático atual define o que está em jogo. Lula precisa normalizar a relação bilateral depois da crise do caso Ramagem, avançar nas negociações comerciais para evitar sanções da USTR em julho, discutir o impacto do conflito no Oriente Médio sobre a economia brasileira e, provavelmente, explicar por que o governo anunciou como cooperação policial internacional uma detenção que Washington não reconheceu como tal.
Trump, por sua vez, chega ao encontro tendo libertado Ramagem — com agradecimentos públicos de aliados do ex-deputado diretamente ao presidente americano e ao secretário Marco Rubio — e tendo expulsado o delegado brasileiro que tentou usar o aparato de imigração americano para fins que Washington classificou como perseguição política. A “química excelente” de setembro de 2025 será testada na quinta-feira em Washington.

Fonte: Hora Brasília

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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