Política

A Semana no Brasil e no Mundo — Quaest mostra reação tímida de Lula, mas cenário segue crítico para o Planalto diante do avanço de Flávio Bolsonaro

A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) mostrou uma leve recuperação numérica de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial de 2026. Apesar disso, o levantamento reforça o cenário de forte desgaste do governo e consolida o senador Flávio Bolsonaro como principal nome da oposição em uma disputa extremamente apertada. No cenário de segundo turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 41% de Flávio Bolsonaro. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, configurando empate técnico.
Embora aliados do Planalto tentem vender o resultado como sinal de recuperação eleitoral, os números revelam uma realidade desconfortável para o governo: mesmo ocupando a Presidência da República, utilizando a máquina federal e ampliando medidas de forte apelo popular nas últimas semanas, Lula segue sem conseguir abrir vantagem consistente sobre o principal nome do bolsonarismo.
A pesquisa reforça ainda o tamanho do desgaste enfrentado pelo petista após uma sequência de crises políticas, desgaste econômico e recuos em medidas impopulares. Nos bastidores, integrantes da oposição avaliam que o governo entrou antecipadamente em “modo campanha”, acelerando anúncios voltados ao eleitorado diante do temor de perda de apoio popular.
Nas últimas semanas, Lula acumulou iniciativas vistas por adversários como movimentos claramente eleitoreiros, incluindo o recuo na chamada “taxa das blusinhas”, discussões sobre subsídios aos combustíveis e novas promessas ligadas à pauta trabalhista, como o fim da escala 6×1. Mesmo assim, Flávio Bolsonaro mantém desempenho competitivo e aparece consolidado como principal adversário do petista. No primeiro turno, Lula registra 39%, enquanto Flávio alcança 33%, abrindo vantagem confortável sobre outros nomes da direita, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema.

Outro dado que preocupa o Planalto é o elevado índice de rejeição indireta ao sistema político. Segundo o levantamento, 14% afirmam votar branco ou nulo em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto 3% seguem indecisos. A comparação com a pesquisa anterior mostra oscilação dentro da margem de erro. Em abril, Flávio aparecia numericamente à frente, com 42% contra 40% de Lula. Agora, o petista retoma vantagem mínima, mas sem alterar o quadro de polarização intensa e fragilidade eleitoral.
Nos bastidores de Brasília, aliados do governo admitem preocupação com a consolidação de Flávio Bolsonaro como herdeiro político direto do eleitorado conservador. A avaliação é que o senador conseguiu ocupar espaço relevante na pauta de segurança pública, críticas ao STF e defesa de pautas conservadoras, temas que seguem mobilizando grande parcela do eleitorado brasileiro. (Fonte: Hora Brasília)


Irã expõe divisão nos Brics ao acusar Emirados Árabes e pedir condenação a EUA e Israel

Reunião de ministros das Relações Exteriores dos Brics em Nova Délhi, na Índia, nesta quinta-feira (14) (Foto: Getty Images)

Por Fábio Galão
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, pediu nesta quinta-feira (14) para que os Brics, a aliança entre países emergentes, condene os Estados Unidos e Israel pela guerra contra os iranianos iniciada em 28 de fevereiro (e desde 7 de abril em um tenso cessar-fogo) e acusou os Emirados Árabes Unidos de ajudar na “agressão” contra o regime persa. As declarações de Araghchi foram feitas durante a reunião de ministros das Relações Exteriores dos Brics em Nova Délhi, na Índia, evento que precede a cúpula de líderes do bloco, agendada para setembro.
O impasse expõe divisões dentro dos Brics: as tensões entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, aliados dos EUA, já haviam bloqueado uma declaração conjunta durante uma reunião preparatória de vice-ministros e enviados especiais do bloco, realizada no final de abril. Ao lado de Egito e Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irã ingressaram em janeiro de 2024 nos Brics, grupo que já era integrado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e que foi expandido novamente em 2025, com a entrada da Indonésia.
Segundo informações da agência Reuters, Araqchi descreveu a guerra, deflagrada com ataques americanos e israelenses ao Irã, como “expansionismo ilegal e belicismo”. “O Irã, portanto, apela aos Estados-membros dos Brics e a todos os membros responsáveis ​​da comunidade internacional para que condenem explicitamente as violações do direito internacional pelos Estados Unidos e por Israel”, disse o chanceler.
Depois, Araqchi fez referência à declaração feita ontem pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de que visitou os Emirados Árabes durante a guerra, o que foi negado pelo país árabe.

Não mencionei os Emirados Árabes Unidos em minha declaração [na reunião dos Brics] em nome da unidade. Mas a verdade é que os Emirados Árabes Unidos estiveram diretamente envolvidos na agressão contra meu país. Quando os ataques começaram, eles nem sequer emitiram uma condenação”, disse Araqchi em entrevista à imprensa estatal iraniana.

Em abril, o governo dos Emirados Árabes afirmou que o Irã deve pagar pelos danos causados pelos ataques do regime de Teerã a países do Golfo Pérsico durante a guerra contra Estados Unidos e Israel. Teerã alega que apenas visou bases americanas nesses países. Os Emirados Árabes interceptaram mísseis e drones iranianos durante a guerra e nesta semana o The Wall Street Journal relatou que o país árabe teria realizado operações militares contra o Irã no início de abril. (Fonte: Gazeta do Povo)


Lula anuncia R$ 11 bilhões contra o crime — mas R$ 10 bilhões são dívida que os estados vão contrair, não dinheiro federal

(Foto: Getty Images)

O governo Lula lançou, na terça-feira (12), o Programa Brasil Contra o Crime Organizado com um número de impacto: R$ 11 bilhões. A cifra foi repetida em discursos, notas oficiais e transmissões ao vivo do Palácio do Planalto. O problema é que R$ 10 bilhões desse total não saem do caixa do governo federal. São uma linha de crédito para que estados, municípios e o Distrito Federal se endividem para comprar equipamentos, veículos e tecnologias de segurança. Quem paga a conta não é o Tesouro Nacional — são os contribuintes estaduais e municipais, nos anos seguintes, quando as parcelas dos contratos vencerem.
O investimento direto da União é de R$ 1,06 bilhão — menos de 10% do valor anunciado. O restante é capacidade de endividamento que o governo federal coloca à disposição, anuncia com seu nome e deixa para os governadores e prefeitos decidirem se vão usar e como vão pagar.
Quando o governo federal destina recursos do Orçamento para segurança, o dinheiro sai do Tesouro e chega às polícias, aos presídios e às operações de inteligência. Quando abre uma linha de crédito, não gasta nada imediatamente. Cria a possibilidade de que entes federativos contraiam novas dívidas. Se um estado usa a linha para comprar viaturas, ele passa a dever esse valor — com juros e correção — ao longo dos anos seguintes. O governo federal registra R$ 10 bilhões no anúncio. O estado registra R$ 10 bilhões no passivo. A diferença entre as duas operações é exatamente a diferença entre investimento e endividamento. O governo Lula apresentou endividamento potencial de terceiros como investimento federal em segurança pública.

O modelo tem um problema estrutural que o governo não mencionou na cerimônia de lançamento. Grande parte dos estados brasileiros opera com finanças pressionadas, alguns sob regimes de recuperação fiscal com capacidade de endividamento próxima de zero. Para esses estados — que em geral são os que mais sofrem com o avanço das facções — a linha de crédito é inútil na prática. Não é possível contrair dívida nova quando se está proibido de fazê-lo ou quando o orçamento já não comporta novos compromissos financeiros.
Para os estados com margem fiscal, a decisão de usar a linha de crédito para segurança compete diretamente com saúde, educação e infraestrutura. Um governador que assina um contrato de R$ 500 milhões para equipamentos policiais está comprometendo receitas futuras que poderiam ir para hospitais ou escolas. Essa escolha é política e fiscal, não técnica — e o governo federal não participa dela, apenas oferece o instrumento.
O PCC, o Comando Vermelho e as demais facções que o programa promete combater operam de forma integrada, com estruturas financeiras internacionais, rotas de tráfico que atravessam dezenas de estados e municípios e conexões com o crime organizado transnacional. Fragmentar o combate a essas organizações em linhas de crédito geridas por cada prefeitura e governadoria é tratar um problema federal com uma solução que depende da capacidade fiscal individual de cada ente. Facções não respeitam fronteiras municipais. Linhas de crédito, sim.

O programa foi lançado a menos de cinco meses das eleições de outubro, numa semana em que o governo tenta virar a página de derrotas consecutivas no Congresso — a rejeição de Messias ao STF, a derrubada do veto à dosimetria e o 1.º de Maio sem Lula nas ruas. A segurança pública é o campo em que a direita mais avançou eleitoralmente nos últimos anos, e o PT nunca encontrou uma resposta que convencesse o eleitorado de centro de que governa com firmeza nessa área.
O Programa Brasil Contra o Crime Organizado tem decreto presidencial, quatro portarias, cerimônia no Planalto e presença do presidente da Câmara. O que não tem: R$ 10 bilhões do Tesouro Nacional. O governo federal fica com o crédito político do anúncio de R$ 11 bilhões. A dívida, se houver, ficará com quem assinar o contrato — e será paga por quem mora no estado ou município que decidir usar a linha. (Fonte: Hora Brasília)


Aliado de Trump diz que Joesley Batista, da JBS, está fazendo um “jogo perigoso”

(Foto: Getty Images)

Por John Lucas
O aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Jason Miller, fez um “alerta” ao empresário Joesley Batista, dono da JBS, ao compartilhar um post no X sobre a notícia que afirma que o presidente Lula (PT) conversou com Trump, antes do encontro na semana passada, pelo telefone do empresário para destravar a visita aos EUA. Em publicação no X, Miller escreveu que Joesley está fazendo um “jogo perigoso”.

Joesley está jogando um jogo perigoso pra c… O pêndulo sempre volta… e o pêndulo nunca esquece”, escreveu Miller, ao compartilhar a notícia, revelada pela emissora CNN Brasil.

Segundo a informação, Lula e Trump conversaram em 30 de abril pelo celular de Joesley Batista. O telefonema teria ocorrido durante uma visita do empresário ao Palácio da Alvorada, sem a presença do chanceler Mauro Vieira ou de assessores da área internacional da Presidência da República. De acordo com a reportagem, Lula teria relatado a Joesley a dificuldade do governo brasileiro para marcar uma agenda com Trump. O dono da JBS então teria perguntado se poderia ligar diretamente ao republicano. Trump teria atendido a chamada no terceiro toque, e a conversa ajudou a destravar a organização da visita de Lula a Washington, que ocorreu na semana passada. Questionado por jornalistas durante viagem a Nova York, Joesley evitou comentar o episódio.
A reunião entre Lula e Trump durou cerca de três horas e foi classificada pelo presidente americano como “muito boa” em publicação feita minutos após o fim do encontro na Truth Social. O presidente americano afirmou que os dois discutiram temas como comércio e tarifas, embora o encontro tenha terminado sem anúncios de acordos concretos. A JBS, por meio da Pilgrim’s Pride, sua subsidiária nos Estados Unidos, foi a maior doadora empresarial para a cerimônia de posse de Trump em 2025, segundo a imprensa americana.
O alerta de Miller ocorre em um momento sensível para a JBS nos Estados Unidos. A empresa está entre as grandes processadoras de carne que atua em solo americano que estão sendo investigadas pela divisão antitruste do Departamento de Justiça, em uma apuração aberta após Trump acusar frigoríficos de combinação para manipular e elevar artificialmente os preços da carne bovina no país, o chamado “cartel da carne”. (Fonte: Gazeta do Povo)


TCU alerta para uso inadequado de dinheiro de estatais em meio a rombo

Correios estão no centro da crise das estatais e buscam saída por meio de plano de recuperação (Foto: Gerada por IA)

Por Vinicius Macia/Camila Abrão
Uma auditoria de 2025 do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que, mesmo em meio ao rombo, quatro estatais ofereceram dividendos a seus acionistas. A apuração foca em quatro empresas públicas: Correios, Infraero, Emgepron e Emgea. “Seja para a aplicação do teto remuneratório constitucional, seja para a apuração da condição de dependência da empresa estatal, é fundamental a adoção de mecanismos para rastrear a aplicação dos recursos recebidos do Tesouro, inclusive de seus rendimentos financeiros”, diz o voto do ministro Benjamin Zymler.
Como consequência, os ministros decidiram alertar a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), vinculada ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), para o fato de que o resultado “contraria os pressupostos da gestão fiscal responsável, fundamentados na ação planejada e transparente, capaz de prevenir riscos e corrigir desvios que possam afetar o equilíbrio das contas públicas”.
As conclusões demonstram o agravamento de uma crise que já era prevista nas metas da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), mas que foi se agravando ao longo do ano. A comparação entre o segundo e o quinto bimestre de 2025 resultou em uma diferença de 793% entre o previsto e o verificado.

A presente constatação perpetua situação deficitária verificada de forma recorrente desde 2014, excetuando apenas o ano superavitário de 2022 (após exclusão de despesa), demonstrando persistência estrutural na deterioração das contas públicas federais ao longo da última década”, diz o documento.

A crise nos Correios vem chamando a atenção dos pré-candidatos ao Planalto no ano eleitoral. Em meio à pré-campanha, nomes de perfil liberal falam em privatização. A estatal passa por um plano de recuperação que inclui a negociação de um empréstimo de até R$ 7 bilhões e um plano de demissão voluntária com pretensão de atingir 10 mil funcionários. (Fonte: Gazeta do Povo)


EUA dizem que Xi concorda com desmilitarização em Ormuz e que não haja pedágios; ditador alerta sobre Taiwan

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o ditador da China, Xi Jinping, em encontro em Pequim nesta quinta-feira (14) (Foto: Getty Images)

Por Fábio Galão
Um funcionário da Casa Branca disse à emissora CNN que o ditador da China, Xi Jinping, em encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, concordou nesta quinta-feira (14) com a desmilitarização do Estreito de Ormuz e que não haja cobrança de pedágios na passagem, bloqueada quase totalmente pelo Irã desde o início da guerra contra os americanos e Israel, em 28 de fevereiro. “Os dois lados concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para garantir o livre fluxo de energia”, disse o funcionário.
Xi, acrescentou a fonte, “também deixou clara a oposição da China à militarização do estreito e a qualquer tentativa de cobrar pedágio pelo seu uso, e expressou interesse em comprar mais petróleo americano para reduzir a dependência da China em relação ao estreito no futuro”. O controle militar e comercial (com cobrança de pedágios) de Ormuz, por onde cerca de 20% do petróleo mundial transitava antes da guerra, é uma exigência do Irã para encerrar o conflito (que desde 7 de abril está em um tenso cessar-fogo), demanda que os EUA consideram inaceitável. Na semana passada, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, acusou a China de financiar o terrorismo por comprar petróleo do Irã.

O Irã é o maior patrocinador estatal do terrorismo, e a China compra 90% da energia iraniana, financiando assim o maior patrocinador estatal do terrorismo”, disse Bessent em entrevista à Fox News. Apesar da acusação, o secretário do Tesouro americano pediu na ocasião para que Pequim ajude na reabertura do Estreito de Ormuz.

Após ter chegado à China na noite de quarta-feira (13, horário local), Trump teve uma conversa bilateral com Xi em Pequim e no momento os dois líderes participam de um jantar oficial. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse nas redes sociais que o ditador chinês alertou Trump sobre a questão de Taiwan, que descreveu como “a questão mais importante nas relações China-EUA”. “Se for tratada adequadamente, a relação bilateral desfrutará de estabilidade geral. Caso contrário, os dois países terão confrontos e até conflitos, colocando toda a relação em grande risco”, afirmou a porta-voz.
Um pacote de armas de US$ 11 bilhões para Taiwan foi autorizado pelo governo americano em dezembro, mas ainda não foi implementado. Taiwan é uma ilha que a China considera parte do seu território, apesar de ser administrada de forma independente desde o final da Guerra Civil Chinesa, em 1949, quando os nacionalistas, derrotados pelos comunistas, se refugiaram na ilha.
Pequim tem reiterado ameaças de anexar Taiwan – o que chama de “reunificação”. Em resposta, Taipei tem buscado aumentar os investimentos em defesa. Segundo informações da agência Associated Press, antes do início da reunião, Trump elogiou Xi.

Você é um grande líder. Às vezes as pessoas não gostam que eu diga isso, mas eu digo mesmo assim, porque é verdade”, disse o presidente americano. “É uma honra ser seu amigo”, acrescentou Trump, que prometeu que “a relação entre a China e os EUA será melhor do que nunca”.

Segundo a agência estatal Xinhua, Xi questionou se “a China e os Estados Unidos poderão superar a Armadilha de Tucídides e criar um novo paradigma para as relações entre grandes potências” – conceito na área de relações internacionais que fala da tendência à guerra quando uma potência emergente (como a China) ameaça substituir uma dominante (como os EUA).
“Podemos enfrentar juntos os desafios globais e proporcionar maior estabilidade ao mundo? Podemos construir juntos um futuro brilhante para as nossas relações bilaterais, visando o bem-estar dos dois povos e o futuro da humanidade? Estas são as questões vitais para a história, para o mundo e para os povos”, disse Xi. (Fonte: Gazeta do Povo)


Haroldo Filho

Jornalista – DRT: 0003818/ES Coordenador-geral da ONG Educar para Crescer

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