Internacional

EUA indiciam ex-ditador cubano Raúl Castro; Trump fala em “libertação” da ilha

O ex-ditador de Cuba Raúl Castro durante sessão de encerramento do VIII Congresso do PCC, no Palácio das Convenções, em Havana

Por Isabella de Paula

O Departamento de Justiça dos EUA acusou formalmente o ex-ditador cubano Raúl Castro, irmão de Fidel Castro (já falecido), nesta quarta-feira (20). Após o anúncio, o presidente Donald Trump afirmou que Washington está “libertando Cuba” e que não pode dizer o que acontecerá com a ilha a seguir. O ex-governante de 94 anos foi indiciado no Tribunal Distrital dos EUA para o Sul da Flórida pela derrubada de dois aviões civis do grupo humanitário Irmãos para o Resgate em 1996, organização de exilados cubanos baseada em Miami, quando era ministro das Forças Armadas. As aeronaves foram derrubadas por um caça MiG-29 da Força Aérea Cubana e quatro pessoas morreram no ataque.
De acordo com os autos, Castro é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos. Outros cinco militares cubanos são réus na ação judicial: Emilio José Palacio Blanco, José Fidel Gual Barzaga, Raúl Simanca Cárdenas, Luis Raúl González-Pardo Rodríguez e Lorenzo Alberto Pérez-Pérez.

Os EUA não tolerarão um estado pária que abrigue operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 145 quilômetros do território americano”, disse o presidente Donald Trump mais cedo por meio de um comunicado.

Em declarações nesta tarde, o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, indicou que as acusações que apresentou contra o ex-ditador cubano Raúl Castro pelo assassinato de quatro pilotos demonstram o compromisso do líder da Casa Branca com o princípio: “se você matar americanos, nós o perseguiremos”. Em um evento em Miami, o procurador interino disse que, pela primeira vez em quase 70 anos, líderes de alto escalão do regime cubano estão sendo acusados ​​neste país.

O presidente Trump está comprometido em restaurar um princípio muito simples, mas importante: se você matar americanos, nós o perseguiremos, não importa quem você seja, não importa o cargo que ocupe e, neste caso, não importa quanto tempo tenha passado”.

Blanche não esclareceu como seria realizada uma operação para capturar Raúl Castro. O episódio ganha especial atenção em meio ao aumento da pressão de Washington sobre o regime liderado por Miguel Diáz-Canel.

Regime cubano acusa EUA de orquestrar manobra política para justificar operação militar
O regime cubano reagiu à apresentação de acusações contra Raúl Castro na Justiça americana. O ditador Miguel Díaz-Canel classificou nesta quarta-feira a ação judicial dos EUA contra seu antecessor como “uma ação política, sem qualquer fundamento legal, que busca apenas reforçar os argumentos para justificar a insensatez de uma agressão militar”. Em sua visão, a acusação demonstra apenas “a arrogância e a frustração que a firmeza da revolução cubana, a unidade e a força moral de sua liderança, provocam nos representantes do império”.

A estatura ética e o espírito humanista de sua obra refutam qualquer calúnia que possa ser dirigida contra o general do Exército Raúl Castro”, declarou Díaz-Canel, que descreveu a decisão dos EUA como “uma tentativa ridícula de diminuir sua estatura como herói”.

Fonte: Gazeta do Povo

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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