Meio ambiente

450 espécies de borboletas estão em rápido declínio devido a temperaturas mais altas

Novo estudo utilizando dados de ciência cidadã revelou uma queda de 1,6% ao ano desde 1972, um desenvolvimento preocupante para esses importantes polinizadores

As borboletas não são apenas uma beleza efêmera, também são polinizadoras essenciais para uma grande variedade de culturas de alimentos e flores. E, no oeste dos Estados Unidos, elas estão desaparecendo — rapidamente.
Nas últimas quatro décadas, mais de 450 espécies de borboletas diminuíram a uma taxa média de quase 2% ao ano, de acordo com um estudo publicado na revista científica Science.
Já se sabe que a população da borboleta-monarca ocidental despencou em 99,9% e, recentemente, teve sua proteção negada pela Lei de Espécies Ameaçadas nos Estados Unidos. Mas o estudo revelou que espécies menos conhecidas, como a Icaricia icarioides e o inseto oficial do estado da Califórnia, a borboleta Zerene eurydice, estão caminhando para a extinção.

“O declínio entre as espécies está em toda parte”, diz o líder do estudo Matthew Forister, professor de biologia da Universidade de Nevada, em Reno. “Todas estão sofrendo”.

Os cientistas se concentraram no que é provavelmente o maior perigo para as borboletas: as mudanças climáticas.
A análise de observações de borboletas e de dados climáticos em 70 regiões em todo o oeste, de 1972 a 2018, revelou uma grande surpresa: outonos mais quentes, em particular, foram os maiores culpados pela diminuição das borboletas, segundo Forister.
Mais de 200 cidades nos Estados Unidos estão enfrentando outonos mais quentes, sendo que os maiores aumentos de temperatura ocorrem no sudoeste. No Arizona, por exemplo, as temperaturas no outono aumentaram 0,11 grau Celsius a cada década desde 1895. Pode ser por isso que a Vanessa annabella, uma borboleta de cores laranja e preta vibrantes, tem caído a uma taxa de 3% ao ano no estado.

“Estamos muito focados no [aquecimento] da primavera há algumas décadas”, explica Forister, mas “o aquecimento no final da estação é um impacto realmente negativo”.

Queda nos números, outonos mais quentes

Para descobrir onde as borboletas estão declinando drasticamente, os pesquisadores analisaram mais de quatro décadas de dados científicos acadêmicos e comunitários em 70 regiões, de Seattle a Santa Fé e Tucson. Os dados foram coletados principalmente de avistamentos feitos por observadores de borboletas.
A equipe contou com três conjuntos de dados: um acadêmico; um do site de crowdsourcing iNaturalist, um projeto conjunto da Academia de Artes e Ciências da Califórnia e da National Geographic Society; e um da Associação Norte-Americana de Borboletas.
Os locais do estudo, tanto urbanos quanto rurais, revelaram que as borboletas estavam desaparecendo até mesmo em áreas intocadas. Castle Peak, na Califórnia, um dos pontos mais remotos de observação de borboletas, é um dos lares da espécie Papilio zelicaon, que diminuiu significativamente em número — embora não tão drasticamente quanto outras espécies.
Isso pode ser porque “muito do dano já está feito”, esclarece Forister.

“Em vales férteis de rios e áreas ribeirinhas onde as pessoas gostam de construir fazendas e cidades — esses insetos já não existem mais nesses lugares”.

Quanto ao motivo de os outonos mais quentes serem tão prejudiciais, isso pode estar relacionado à diapausa semelhante à hibernação das borboletas no outono. As temperaturas mais altas podem estar forçando os insetos, que em sua maioria vivem cerca de um ano, a ficarem acordados por mais tempo e morrerem de fome.
Em outras palavras, elas estão “ficando velhas e morrendo mais cedo”, explica a coautora do estudo Katy Prudic, entomologista e professora assistente de ciência cidadã e ciência de dados na Faculdade de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Universidade do Arizona.

Um elegante apelo à ação

O biólogo conservacionista Scott Hoffman Black, diretor-executivo da Sociedade Xerces para Conservação de Animais Invertebrados, disse que o estudo é “elegante” por sua combinação de dados acadêmicos e comunitários.
“Isso aumenta nossa compreensão do que está acontecendo com os insetos e sua redução ao redor do mundo”, declarou Black, que não participou do estudo.

“A conclusão geral de que o clima é um fator importante no que diz respeito ao declínio das borboletas é o ponto principal desse artigo”.

Os cidadãos também podem fazer sua parte para proteger as borboletas e outros insetos em casa, como plantar vegetação nativa e evitar o uso de pesticidas.

“Não importa se você tem um quintal minúsculo ou cuida de um parque nacional”, afirma.

E, é claro, todos podem ter curiosidade sobre o mundo ao seu redor e registrar aquilo que veem, contribuindo para sites de ciência cidadã que se tornaram mais populares durante a pandemia.

“Sem todas as pessoas interessadas em fotografar, observar borboletas e passar um tempo na natureza, esse estudo não teria sido possível”, conclui Prudic.

Fonte: National Geographic Brasil

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

EnglishPortugueseSpanish