Saúde

Estudo brasileiro desenvolve tratamento mais barato para dor crônica e Parkinson

Tratamento já existe há algumas décadas, mas pesquisa brasileira vai baratear e melhorá-lo. Dispositivo brasileiro pode melhorar tratamento de dor crônica, Parkinson e outras condições

Por Vitoria Lopes Gomez

Uma pesquisa brasileira publicada em maio deste ano aprimorou um tratamento importante para dor crônica, Parkinson, obesidade e outras condições de saúde. A novidade é um sistema completo de Estimulação Cerebral Profunda (DBS) que utiliza componentes comerciais de baixo custo, barateando o processo.
A técnica já existe há algumas décadas. O diferencial do estudo é a superação de desafios dos dispositivos clássicos. Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um sistema completo de DBS, que vem da sigla Deep Brain Stimulation. A técnica é usada no tratamento de tremores, dor crônica, Parkinson, obesidade e outras condições.

O DBS consiste em procedimento cirúrgico para implantação de um dispositivo chamado neuroestimulador, que envia impulso suaves para partes específicas do cérebro por meio de eletrodos. A corrente elétrica é baixa e em pontos estratégicos para cada tratamento. O aparelho normalmente é pequeno, não maior do que uma caixa de fósforo, e implantado no peito do paciente. Ele vem com uma bateria acoplada.

Essa técnica é aprovada pela Food and Drug Administration (FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, uma espécie de Anvisa americana), desde 1997. A princípio, o uso era no tratamento da doença de Parkinson, depois expandido para perturbações neurológicas, como dor crônica, síndrome de Tourette e o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).

Apesar da técnica ser antiga, o sistema brasileiro tem alguns diferenciais importantes. O primeiro deles é o uso de componentes de baixo custo no protótipo do dispositivo, o que pode baratear os tratamentos. Outro é a superação de desafios clássicos da DBS.

Quem explicou foi o professor da instituição e coordenador do estudo, João Paulo Pereira do Carmo, ao Jornal da USP. Ele revelou que a maioria dos dispositivos usados na técnica permite gerar apenas um conjunto específico de ondas pré-definidas, em sua maioria retangulares, dificultando ajustes para cada tipo de tratamento ou estado cerebral.

Outro desafio é que a maioria dos sistemas de DBS atuais só prove sinais de corrente constante. Poucos deles permitem ajustar a amplitude através de softwares. Esses empecilhos motivaram a equipe a desenvolver um sistema mais avançado.

No caso do estudo brasileiro, o sistema é DBS em malha fechada com componentes de baixo custo. Os resultados foram publicados em julho do ano passado no período científico Electronics e em maio deste ano no Journal of Low Power Electronics and Applications. De acordo com o professor, a invenção traz benefícios que vão além do tratamento de dor crônica, Parkinson e outras doenças.

Conseguimos desenvolver um microdispositivo e um sistema completo de DBS em malha fechada. Seguimos no avanço da pesquisa que, para além de todas as suas contribuições para a área médica, também traz benefícios na questão socioeconômica, não só tornando o País independente da importação destes dispositivos médicos, como até oferecendo o sistema globalmente, incrementando a utilização da Estimulação Cerebral Profunda em malha fechada”, explica João Paulo Pereira do Carmo, coordenador do estudo.

Os próximos passos incluem realizar testes em animais, refinamento dos protótipos e integração dos dispositivos para implantação.

Fonte: Olhar Digital

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

Related Posts