A Criança, a Sociedade e a Justiça — Parte III

Há muito tempo temos denunciado o trabalho escravo sexual de bebês sob os auspícios de homens da família, em especial, dos respectivos genitores
E o país foi impactado por um rapaz bem jovem, dois metros de altura, olhos azuis, cabelos bonitos, bem longos, esbanjando firmeza em tema tão espinhoso e evitado por todos. Era a ponta do iceberg à mostra, a acertar os cascos de todos os navios que, até então, navegavam incólumes a tudo e faceiros. Embarcações pequenas, médias e grandes, montadas de perversão e perversidade, foram ameaçadas pelo denunciante. Aderiram todos, todos a uma comoção social, como acontece a cada desastre climático que nos obriga a enxergar, por um tempo, o prazo de validade precisa ser exíguo, como será curto o prazo dessa tragédia humana. Não é inédita. Já tinha sido falada por algumas pessoas, em algumas vezes, mas como a trajetória de um meteoro, o rapaz trouxe de sua altura rara, em momento de rara conjugação, e produziu uma enorme cratera. O trabalho dele foi brilhante, foi preciso. Felca, obrigada muito. Muito.
E o prazo de validade foi chegando. Regulamentar por Lei aquilo que a Sociedade não faz, e, não sei se será capaz de fazer. Por que aquelas crianças e adolescentes estavam encarceradas naquela mansão? Porque as duas misérias, a financeira e a psicológica, produzem esse erro nas famílias, na justiça, e na Sociedade. Pais e mães pobres se iludem com o desejo de que seus filhos tenham as chamadas “melhores oportunidades”, sempre embebidas de coisas materiais, em detrimento dos afetos. A fome dói e é um trauma permanente. É compreensível que alguém que ofereça possíveis vantagens financeiras, com conforto prometido, facilmente, terá sucesso em angariar crianças e adolescentes de seus pais.

O incrível é que, não raro, escuta-se em meio a processos de vara de família, que um genitor mais abastado financeiramente será melhor para a criança, incluindo nesta lógica ilógica que se for um alemão ou um americano, a criança terá ganho quase que uma loteria. E crianças, até na primeira infância, são apartadas definitivamente de suas mães e entregues a genitores estrangeiros porque as sentenças têm essa alegação. Ou seja, entre nós, o Poder Financeiro é privilegiado doméstica e judicialmente. E a criança e adolescente, um produto que pode ser negociado. E o afeto, o cuidado responsável mesmo que com restrições, entra no rol da monetização.
Há muito tempo temos denunciado o trabalho escravo sexual de bebês sob os auspícios de homens da família, em especial, dos respectivos genitores. A Pedofilia extrafamiliar consegue furar um pouquinho a bolha do lobby e da cultura do estupro que alimenta o Prazer pelo Poder Esmagador sobre um Vulnerável. Os vídeos sexuais de bebês vendidos na internet, por 50, 80, 150 mil reais, são de difícil acesso em sua produção. Quando raro são flagrados na ponta, no consumidor. Mas, se as crianças e, pior, os adolescentes, maiores de 12 anos, denunciam práticas abusivas sexuais por parte de seus genitores, elas e eles são totalmente descredibilizados. E a incrível acrobacia feita, inocenta esse genitor e acusa a mãe de ter lavado o cérebro, por dentro, do filho ou filha, em tarefa impossível diante do estado emocional da vítima, dos detalhes, das memórias corretas, sempre duvidadas como se fantoches idiotas fossem e em discordância com o desenvolvimento cognitivo da criança pequena, por exemplo. Imaginem se a criança, um bebê de menos de um ano, que não adquiriu ainda a linguagem e que não sabe apontar onde está doendo depois de uma sessão de gravação de vídeo em seu bercinho. Sim, não dá para culpar a negligência da mãe em deixar o filho ou filha ficar conversando com um desconhecido na internet, o bebê não anda também. Se, quando existem provas do testemunho da criança, e indícios, por vezes, materialidade mesmo constatada por Exame de Corpo de Delito no IML, não é suficiente, e alguma psicóloga forense, dita, diz que o exame pode ter sido feito apressadamente pelo legista, e a justiça aceita essa manipulação, o que esperar de um crime que não teria nem um cisco de credibilidade das observações da mãe?

Felca, outra vez obrigada. A visualização dessa parte do iceberg é fundamental para o combate desse crime hediondo. Sua Voz ecoou em todos os cantos do nosso país e, certamente, irá reverberar para além das fronteiras. Tomara. Mas a legislação será manipulada. Os defensores da pedofilia são seus consumidores contumazes.
Há um Projeto de desidratação do ECA, em curso. O Estatuto tem todos os artigos para promover a Proteção Integral de Crianças e Adolescentes e garantir seus Direitos. Mas ele não é muito obedecido. Esse modus operandi de desidratar está também em curso em relação à Lei Maria da Penha. Está escrito que a Criança é Sujeito de Direito, mas bradam nas Varas de Família que criança não tem vontade, não sabe nada. Frase proferida e repetida à exaustão por psicólogas ditas forenses. E seguidas judicialmente.
Assim, esse câncer denunciado, esse, por enquanto, foi extirpado. Mas, metástases não faltam. Estão em todos os cantos, e serão protegidas pelo abrandamento do P.L. em aceleração no Congresso nesse momento. E os abusos sexuais e físicos contra crianças e adolescentes lucrativos para seus produtores, não serão, sequer, triscados. A pedofilia intrafamiliar, a incestuosa, continuará garantida pela negação social. A justiça quer provas concretas de um crime que não deixa vestígio, um crime quase perfeito.
Felca, nosso agradecimento enorme pela soltura dos 10 pequenos escravos sexuais que você promoveu. Muito importante. Você, na sua juventude, nos ensinou que basta ter vontade política de verdade, artigo raríssimo entre nossos políticos, os profissionais que elegemos.