Frigorífico Zucoloto investe em modernização para ampliar produção
O Frigorífico Zucoloto iniciou suas atividades na década de 1980 como uma pequena granja de suínos gerida pela família. Em 2010, transformou-se em um frigorífico, que hoje conta com 280 funcionários e uma produção de duas mil toneladas mensais. Além da carne suína in natura, a empresa ainda produz linguiças e bacon, diversificando sua linha de produtos.
Com objetivo de reduzir custos e aumentar sua produção o frigorífico, localizado no município de Viana, investiu, somente nos três últimos anos mais de R$ 30 milhões e, segundo o diretor-executivo, Gustavo Zucoloto, os investimentos não param por aí. “Estão previstos mais de R$ 40 milhões para os próximos cincos anos, na granja e na indústria para atender à crescente demanda do mercado de proteína animal”, afirma.
Em entrevista exclusiva à “Revista Alimentos & Negócios”, Gustavo abordou o formato de gestão, o mercado e seus desafios, a sustentabilidade e o futuro do setor. “A gestão se baseia num modelo integrado, com foco na melhoria contínua em conformidade normativa, definindo responsabilidades claras por área, com rotinas de revisão diária e semanal, sempre acompanhando nossa capacidade de abate, produção diária, rendimento, demanda, estoque, preço do suíno no mercado e indicadores de qualidade de nossa produção”.

Como vocês garantem a eficiência da linha de produção, considerando os desafios ergonômicos e a pressão por produtividade?
Com acompanhamento diário no chão de fábrica, fazendo análise ergonômica dos postos de trabalho, adequação de equipamentos, rotação nas funções, pausas programadas e automatização de operações repetitivas, alinhados com treinamentos e iniciativas de engajamento a colaboradores.
Qual a estratégia da empresa para gerenciar o capital de giro e o fluxo de caixa, pontos críticos para a saúde financeira no setor e de que forma a empresa aborda as questões de saúde e segurança ocupacional, especialmente em relação ao frio intenso e aos movimentos repetitivos, em conformidade com a NR 36?
De forma conservadora e proativa, controlamos nosso capital e fluxo de caixa integrado ao planejamento operacional e comercial, com objetivo claro de garantir liquidez suficiente para uma operação contínua, com foco também na redução de custos sem perda de qualidade, para mantermos a flexibilidade financeira e, assim, aproveitarmos oportunidades de mercado.
Em relação ao bem-estar, temos um programa de saúde e segurança ocupacional estruturado para atender todos os requisitos normativos, com enfoque maior nos riscos de frio, esforços repetitivos e saúde mental. Gestão de EPI, capacitação contínua de colaboradores, procedimentos operacionais padronizados, análise ergonômica contínua das funções, CIPA, acompanhamento da saúde do trabalhador, temas mensais com foco na saúde e pausas térmicas, são algumas das ações realizadas na empresa.


Quais tecnologias (ex.: Indústria 4.0, sistemas de gestão) foram implementadas recentemente para otimizar processos e quais os desafios encontrados nessa implementação?
Sistema de gestão ERP integrado controlando desde a entrada da matéria-prima até ao fechamento da contabilidade, garantindo gerenciamento industrial, comercial, logístico, financeiro e ambiental, proporcionando rastreabilidade e um acompanhamento diário, facilitando a consolidação de indicadores de desempenho.
Aquisição de máquinas e equipamentos com mais tecnologia embarcada, acaba sendo um diferencial na integração da operação com os sistemas de gestão.
Quais os maiores desafios do mercado frigorífico brasileiro para 2025/2026, considerando a volatilidade de preços e a concorrência internacional?
O principal desafio do ramo frigorífico, hoje, é o gerenciamento de custos visando à manutenção de sua margem, da qualidade e do preço para o consumidor final. A volatilidade de preços é controlada por meio de um acompanhamento quase que diário de nosso estoque e das variações de mercado.
Como a empresa lida com as exigências de diferentes mercados internacionais e as potenciais barreiras tarifárias ou sanitárias (como a recente discussão sobre tarifas dos EUA)?
A empresa tem implantado um sistema de gestão de qualidade e segurança alimentar, tornando isso também uma cultura da mesma, onde todos os envolvidos no processo sabem da importância e a necessidade do atendimento às normas sanitárias, para segurança e qualidade do produto.
Hoje, o foco da Zucoloto está no mercado interno e voltado para nosso estado, aproveitando o diferencial logístico que o mesmo oferece e a alta demanda comercial na região.
De que maneira a empresa garante a resiliência da sua cadeia de suprimentos, desde a compra da matéria-prima (animais) até a entrega do produto final?
A experiência de 15 anos de frigorífico, somados a mais de 30 anos de experiência como suinocultor do sócio-fundador, ajuda nas realizações e fidelizações de parcerias no mercado de forma longeva, alinhada também à mudança no mercado consumidor e à evolução, em nosso estado, na parte logística.

Qual a importância da rastreabilidade da carne para os seus clientes e como a empresa garante a transparência da cadeia de produção (incluindo questões ambientais como o desmatamento)?
Hoje em dia, a rastreabilidade é um requisito estratégico para a indústria, garantindo a origem e a conformidade do produto, a segurança alimentar e o controle de reputação da marca.
Contribui positivamente para a transparência em nossa cadeia de produção, combinada com a diária fiscalização realizada pelo órgão sanitário, que atesta a qualidade de nossos produtos.
Quais são as principais iniciativas de sustentabilidade da empresa, tanto no aspecto ambiental (uso de recursos hídricos, gestão de resíduos) quanto social (condições de trabalho)?
Em questões ambientais, trabalhamos com diversas ações como, por exemplo, a troca de máquinas por modelos atuais com maior eficiência energética, utilização de iluminação LED em nossa planta e biodigestor para geração de biogás, fonte de energia limpa e renovável garantindo, assim, uma grande redução no consumo de energia elétrica.
Quanto ao social, oferecemos aos nossos funcionários treinamentos com capacitação profissional e acompanhamento de saúde e bem-estar familiar, temos também a política de prioridade em contratações locais e buscamos manter canal aberto de diálogo com lideranças locais.
A empresa investe em diversificação do portfólio, como a produção de proteínas alternativas ou produtos de maior valor agregado?
Estamos aumentando gradativamente nosso portfólio, com foco no aumento da receita em produtos com maior valor agregado. Vale destacar, que lançamos recentemente nossa linha de temperados.
Onde o empresário vê a empresa e o setor frigorífico brasileiro daqui a cinco ou 10 anos, e quais as estratégias para garantir um crescimento sustentável e lucrativo a longo prazo?
Esperamos estar cada vez mais consolidados em nosso estado, como fornecedor competitivo no mercado, sendo lembrado pela qualidade e pela segurança de nossos produtos, mesmo cientes dos desafios que o setor deve passar nos próximos anos como a falta de mão de obra e a necessidade crescente de um desenvolvimento sustentável.
Avançar no uso da tecnologia com a automação se faz uma estratégia necessária para garantir um futuro próspero e sustentável à nossa empresa, ao setor e a toda sociedade em volta.
(Foto de capa: Agência Mahalo Hub)















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