Transporte & Logística

Rodovias frágeis, logística cara e um país que insiste em andar para trás

Falar em transporte de cargas no Brasil é, inevitavelmente, falar de estrada. E falar de estrada, hoje, é falar de descaso. A má conservação e a falta de infraestrutura adequada das rodovias brasileiras deixaram de ser apenas um problema técnico: viraram um entrave estrutural ao desenvolvimento do país.
O setor de transporte roda, literalmente, sobre buracos, remendos malfeitos e obras eternas. Não é força de expressão. É rotina. Pneus estourados, suspensão comprometida, consumo excessivo de combustível, atrasos constantes e um risco diário à vida dos motoristas. Tudo isso encarece a operação e reduz a competitividade de quem produz e de quem transporta.
Enquanto o discurso oficial fala em eficiência logística, a realidade mostra caminhões desviando de crateras no asfalto, acostamentos inexistentes e sinalização precária. Em muitos trechos, a estrada não acompanha nem o volume, nem o peso da carga que trafega por ela. O resultado é previsível: vias saturadas, deterioração acelerada e acidentes que poderiam ser evitados.
A dependência, quase absoluta, do modal rodoviário só agrava o problema. O Brasil escolheu as rodovias como espinha dorsal do transporte de cargas, mas nunca entregou a estrutura necessária para sustentar essa escolha. Falta planejamento de longo prazo, falta manutenção contínua e sobra improviso. Quando a recuperação vem, geralmente é tardia, paliativa e mais cara do que seria se a conservação tivesse sido feita corretamente desde o início.

Cada buraco no asfalto vira custo embutido no frete (Foto: ChatGPT)

O impacto não fica restrito ao transportador. Ele chega ao consumidor final. Cada buraco no asfalto vira custo embutido no frete. Cada atraso vira perda de produtividade. Cada acidente vira mais um número numa estatística que insiste em crescer. No fim das contas, toda a cadeia paga a conta de rodovias malcuidadas.
O motorista, elo fundamental dessa engrenagem, é quem sente primeiro e sente mais. Longas jornadas em estradas inseguras aumentam o desgaste físico e mental, elevam o risco de sinistros e reduzem a qualidade de vida de quem mantém o país abastecido. Não existe logística eficiente sem estrada segura — e muito menos sem respeito a quem está ao volante.
Se o Brasil quer evoluir para um modelo de logística mais moderno — esse tal “Aço 5.0” que tanto se discute — precisa começar pelo básico: estrada bem-feita, bem mantida e pensada para o transporte pesado. Investimento em infraestrutura não é gasto; é estratégia. É competitividade, segurança e desenvolvimento. Continuar empurrando o problema com o asfalto — cobrindo buracos sem resolver a causa — é aceitar que o transporte de cargas siga operando no limite. E um país que roda no limite não avança. Apenas sobrevive.

(Foto de capa: ChatGPT)

Milena Rohr

Milena Rohr Sócia e diretora do MasterMind (Fundação Napoleon Hill), Gestora Empresarial, Embaixadora do BNI, Palestrante, Escritora, Colunista e Mentora FRST do Grupo Falconi

Related Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *