Paleo & Arqueologia

Nova espécie de dinossauro com espinhos ocos é identificada na China

Descoberto na China, o Haolong dongi viveu há 125 milhões de anos, e chama atenção com espinhos ocos nunca antes observados em dinossauros

Por Éric Moreira

Uma equipe internacional de cientistas anunciou a identificação de uma nova espécie de dinossauro descoberta na China, marcada por características anatômicas inéditas. O fóssil, com cerca de 125 milhões de anos, pertence a um iguanodontiano juvenil e apresenta um nível excepcional de preservação, incluindo partes da pele — algo incomum no registro paleontológico. A pesquisa foi conduzida por especialistas vinculados ao CNRS em colaboração com outras instituições. Além da análise do esqueleto, os pesquisadores examinaram tecidos moles fossilizados, um achado raro que amplia as possibilidades de investigação sobre a biologia desses animais. Com o uso de tomografia por raios X e técnicas histológicas, a equipe conseguiu observar detalhes microscópicos, chegando a identificar células individuais da pele preservadas no fóssil.
O estudo revelou a existência de espinhos ocos que se originavam na pele do animal, descritos como estruturas cutâneas, que, diferentemente de placas ósseas ou chifres, não eram sólidas. De acordo com os autores, trata-se de um tipo de revestimento corporal até então não registrado entre dinossauros, ampliando o conhecimento sobre a diversidade morfológica do grupo.
A nova espécie foi batizada de Haolong dongi, em homenagem ao paleontólogo Dong Zhiming, reconhecido por suas contribuições à pesquisa de dinossauros na China. A escolha do nome destaca a relevância histórica de seus estudos para a paleontologia no país, repercute a CNN Brasil.

Os cientistas sugerem que os espinhos podem ter desempenhado funções defensivas, possivelmente servindo como mecanismo de dissuasão contra predadores. No entanto, outras hipóteses também estão sendo consideradas. Entre elas, a possibilidade de que as estruturas atuassem na regulação térmica do corpo ou tivessem função sensorial, auxiliando o animal na percepção do ambiente ao redor.
Como o espécime analisado corresponde a um indivíduo jovem, ainda não é possível determinar se exemplares adultos da espécie apresentavam as mesmas características cutâneas. Essa limitação impede conclusões definitivas sobre o desenvolvimento e a permanência dessas estruturas ao longo da vida do animal. Os resultados do estudo foram publicados na revista Nature Ecology & Evolution. Além de descrever uma nova espécie, a pesquisa indica que a pele e os revestimentos corporais dos dinossauros podem ter sido mais variados do que se supunha anteriormente, sugerindo que a diversidade estrutural desses animais ainda está longe de ser totalmente compreendida.

Fonte: Aventuras na História

Luzimara Fernandes

Jornalista MTB 2358-ES

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