O potencial econômico do ES na exploração de petróleo, gás e energia

O Espírito Santo é o segundo maior produtor de petróleo e quarto de gás natural no Brasil. De acordo com o mais recente boletim de produção da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão federal que regula o setor, a produção de óleo no Estado chegou a cerca de 193 mil barris por dia em 2025. A marca equivale à 5,1% da produção nacional.
O setor de petróleo e gás continua sendo um dos pilares estratégicos da economia capixaba, respondendo por mais de 10% do PIB estadual, incluindo efeitos diretos, indiretos e induzidos. Além de movimentar uma cadeia produtiva robusta, que vai da exploração onshore e offshore até serviços industriais, portuários e de engenharia, a extração gera arrecadação em royalties e participação especial.
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), que representa empresas do setor, destaca que o “grande destaque no Espírito Santo é o Campo de Jubarte, que responde por 77,3% da produção do estado, e registrou aumento de 32,8% na sua produção no período de 2024-2025″. Ao fim de 2025, Jubarte — que tem poços no pós-sal e no pré-sal — figurava como quinto maior campo produtor do país, com média de 152 mil barris por dia. Para o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), os números de produção reafirmam a importância estratégica de Jubarte, assim como revela o elevado grau de concentração produtiva no estado.
O setor de petróleo e gás capixaba projeta um investimento de, aproximadamente, R$ 43,7 bilhões, com destaque para o Projeto Integrado do Parque das Baleias, da Petrobras, que inclui a FPSO Maria Quitéria, com aporte de R$ 35 bilhões. Também estão incluídos o projeto Wahoo, da Prio, e os campos Camarupim e Golfinho, da BW Offshore, com injeção de R$ 4 bilhões.
Nesta entrevista exclusiva, Rafaele Cé, presidente da RedePetro ES, cita a importância do setor de petróleo, gás e energia como grande impulsionador econômico do Espírito Santo e do Brasil que — em sinergia com outras cadeias produtivas como metalurgia, siderurgia e mineração — ajuda ainda mais no desenvolvimento do nosso Estado.

Qual o panorama atual da produção de óleo e gás?
A produção diária de óleo e gás do Espírito Santo está variando, atualmente, entre 260 e 270 mil boe/dia, está aumentando de forma contínua nos últimos meses e nossa expectativa é que ultrapasse os 300 mil boe/dia até o primeiro semestre de 2026.
É fato que a produção diária de óleo e gás do Espírito Santo já chegou a ser próxima de 500 mil boe/dia, no início da produção do pré-sal, mas estamos satisfeitos e otimistas com a produção atual, que está se mantendo em um nível que nos coloca como o segundo maior produtor de óleo e o quarto maior produtor de gás do Brasil.
Onde estão as maiores reservas?
As maiores reservas capixabas se encontram no mar, na porção norte da Bacia de Campos, em especial nos campos do pré-sal do Parque das Baleias, operados pela Petrobras e pela Shell. Nesse local, recentemente entrou em operação o FPSO Maria Quitéria, um dos principais responsáveis pela elevação de nossa produção.
A Bacia do Espírito Santo, localizado ao centro do ES, na cidade de Aracruz, possui produção ativa, porém em quantidades e volumes menos significativos. São importantes em razão de serem operados por empresas independentes, como a BW Energy e a Brava, impulsionando o setor de serviços na região.
A produção em terra, onshore, localizada ao norte do estado, englobando principalmente as cidades de São Mateus e Linhares, é importante pelo desenvolvimento regional, por serem atividades que possuem menor complexidade e possíveis de terceirização para empresas locais.
Quais os grandes projetos em andamento?
O offshore, produção em mar, do Espírito Santo está recebendo um importante projeto da operadora Prio, denominado de Wahoo. O projeto já recebeu a liberação ambiental de perfuração de novos poços produtores e de injeção, assim como a licença de instalação dos equipamentos e tubulação do sistema submerso, cujas distâncias percorridas no fundo do mar são superiores a 30 km da locação do FPSO hoje instalado.
É um conceito de tie-back, que é inovador, torna viáveis campos produtores que, anteriormente, não possuíam viabilidade econômica e passam a ser viáveis economicamente. O mercado global está observando atentamente esse projeto.
Como é a produção de gás natural?
No Espírito Santo, em sua grande maioria, é em mar e associada à produção de petróleo, que possui uma viabilidade econômica maior. A presença do gás associado acaba gerando um ativo que não é o mais rentável economicamente, mas que tem ganhado relevância por ser considerado um combustível importante para a transição energética, pela melhor eficiência e menor emissão de carbono.
A produção de gás natural tem expandido em razão do aumento da produção de petróleo, e alguns novos projetos de perfurações, em campos exclusivamente de produção de gás natural, já têm sido alvos de especulações e projetos específicos.
Vale ressaltar que o Espírito Santo possui duas Unidades de Tratamento de Gás Natural, a UTG C em Linhares e a UTG SUL em Anchieta, e o aumento da importância estratégica do gás natural nos coloca como um importante ator na cadeia de fornecimento de gás natural.

Qual a importância econômica?
O setor de óleo e gás é um impulsionador de desenvolvimento. Os projetos, a cadeia de fornecimento e os riscos ambientais associados à exploração em águas profundas acabam por selecionar os fornecedores que são, em sua grande maioria, especialistas no setor.
O mercado de óleo e gás, principalmente o de águas profundas, não é para amadores, é preciso conhecer e ter ciência dos riscos envolvidos. Aqui, é preciso entender que especialistas não são necessariamente grandes empresas. Possuímos muitas micro e pequenas empresas em nossa associação que são especialistas no que fazem e fornecem com maestria para o mercado de óleo e gás. E é essa aproximação de fornecedores do mercado de óleo e gás que move a Associação RedePetro ES, formada por fornecedores de bens e serviços que buscam seu maior protagonismo nesse importante setor.
Há novidades em sustentabilidade?
O setor de óleo e gás é inovador, tem alta tecnologia associada, trabalha com condições técnicas de pressão e temperatura cada vez mais desafiadoras. Materiais, perfurações, sistemas complexos de filtragem formam um mundo de inovação e desenvolvimento que faz parte das atividades de um setor que a cada dia nos surpreende.
A sustentabilidade, muita ligada à eficiência energética e tem um viés importante no setor de óleo e gás. A demanda por energia é crescente, e vai continuar, o óleo e o gás são e serão necessários, e entender essa dinâmica e buscar atividades cada vez mais sustentáveis é um desafio global.
Como o Espírito Santo vem se preparando para esse boom na exploração de petróleo e gás e de investimentos portuários e industriais que estão acontecendo?
A indústria do óleo e gás é global, principalmente as relacionadas ao setor offshore, produção em mar. O Brasil é o principal ator no mercado de águas profundas e conhecer a OTC em Houston — uma das principais feiras internacionais do setor e com presença massiva de brasileiros — nos faz sentir orgulhosos de nossa tecnologia.
Atualmente, possuímos, no Estado, empresas que são genuinamente fornecedoras do setor de óleo e gás, que escolheram o Espírito Santo para instalar suas operações e estão muito satisfeitas com isso. O ambiente corporativo e a mão de obra especializada e qualificada, herdados do setor de mineração e celulose, fazem do município da Serra um ótimo local para as empresas se instalarem.
Os eventos que reúnem os atores de óleo e gás são importantes para divulgarmos para outros estados a nossa indústria. Por isso, destaco a Feira Regional de Óleo e Gás de São Mateus, a SAMOG.e — São Mateus Óleo, Gás e Energia, voltada às atividades e ao desenvolvimento da produção em terra — onshore — unindo palestras técnicas e fomento de negócios.
Com investimentos previstos até o ano que vem, qual a importância dessas commodities para a nossa economia?
Os investimentos em óleo e gás são gigantescos. Mas há de se saber onde esses investimentos estão sendo locados. Reunir as empresas para falar sobre óleo e gás, durante almoço, eventos, em missões e viagens a outros estados, é de extrema importância para saber onde estão os R$ 19 bilhões de investimentos.
A Petrobras é a principal operadora nacional e responsável por 88% da operação de extração de óleo e gás. Entender seus movimentos e seu plano de negócios é fundamental. Participar de eventos institucionais que são realizados — por exemplo, pela RedePetro ES e pela Petrobras — anualmente para apresentação do plano de negócios, é fundamental para entender para onde está apontando o futuro dos investimentos.
Qual conselho o senhor dá aos jovens que pretendem entrar no mercado de trabalho e aos empreendedores que sonham em iniciar como CNPJ aqui no nosso Estado?
O mercado de óleo e gás está em crescimento, com muitas FPSO (unidades de produção) chegando nos próximos anos, produção nacional em elevação. O mercado de óleo e gás é tecnológico, inovador, precisa de novas ideias e de jovens que pensam diferente.
O mundo continuará demandando energia e viabilizar, economicamente, alternativas como energia eólica e solar demandam tempo e entendimento de sua real funcionalidade e eficiência. Atuar no mercado será, por muito tempo, uma excelente escolha. A matriz energética não será substituída, será ajustada. O mundo ainda usa muito carvão e madeira como fontes energéticas relevantes.
Aos empresários e empreendedores, que desejam pensar diferente, digo que façam por acontecer, corram riscos, empreendam, criem. E venham conosco, a RedePetro ES é uma associação para empresários, que compartilha problemas, soluções, derrotas e vitórias, um grande espaço de relacionamento e de formação de parcerias.
Juntos somos mais fortes!











