Samarco amplia aproveitamento do rejeito e reduz impacto ambiental

Aproveitamento na descaracterização de Germano impulsiona agenda de inovação, enquanto estéril comercializado e lama incorporada ao concentrado elevam eficiência e reduzem impactos
Por Assessoria
A Samarco vem ampliando o uso de rejeitos e estéreis em suas operações e obras de engenharia, consolidando a circularidade como eixo estratégico da mineração que pretende praticar nos próximos anos. O principal avanço está no aproveitamento do rejeito arenoso nas obras de descaracterização das estruturas alteadas a montante no Complexo de Germano, em Mariana (MG). Mas outras aplicações, como a comercialização de parte do estéril gerado como minério e a incorporação de um concentrado proveniente do rejeito ultrafino, também mostram como a empresa está investindo em circularidade econômica, reduzindo custos e o impacto ambiental. Desde a retomada operacional da empresa, em 2020, até dezembro do ano passado, cerca de 22 milhões de toneladas já haviam sido incorporadas às intervenções, o equivalente a 61% de todo o rejeito arenoso gerado no período. Somente em 2025, esse percentual de aproveitamento do rejeito arenoso gerado foi de 89%.
O material, produzido após o Sistema de Filtragem, apresenta características geotécnicas adequadas para correção de greide topográfico (perfil longitudinal de uma área, indicando a inclinação e elevação do terreno), reforço estrutural e melhoria de drenagem, etapas consideradas essenciais para o avanço seguro da descaracterização. A prática reduz a necessidade de areia e brita, diminui o tráfego de caminhões e contribui para a redução de emissões, além de prolongar a vida útil das estruturas de disposição existentes.
Segundo o gerente de Desenvolvimento e Inovação da Samarco, Bruno Pimentel, o potencial de uso do rejeito arenoso vai além das obras de descaracterização. A empresa desenvolve aplicações em concreto e em pavimentação ecológica, como a utilizada na Estrada da Purificação, em Antônio Pereira, distrito de Ouro Preto. “Parte dos blocos empregados na obra continha 33% de rejeito reaproveitado”, afirma. Ele destaca ainda que a Samarco pesquisa usos para o rejeito ultrafino, o que pode ampliar a eficiência das plantas de beneficiamento e reduzir a geração de rejeitos no longo prazo.

Economia circular
Para o especialista em Inovação Marcos Gomes Vieira, esse avanço faz parte de uma estratégia mais ampla. “Em 2025, a Samarco atingiu 45% de aproveitamento total de rejeitos e estéreis, o melhor índice desde a retomada das operações. O resultado reflete mudanças estruturais no tratamento dos materiais ao longo da cadeia produtiva”, explicou Vieira.
Do total aproveitado em 2025, 89% do rejeito arenoso foram destinados às obras de descaracterização, 15% do estéril gerado foram comercializados como minério marginal, criando valor para um material antes sem uso econômico, e 22% do rejeito ultrafino que seria gerado no Concentrador 3 foram incorporados ao concentrado, aumentando a recuperação metálica e reduzindo a geração de rejeitos.
São aplicações que demonstram que, na Samarco, a circularidade é uma diretriz e vem orientando decisões de engenharia e planejamento de mina. Isso inclui o redesenho de processos para reduzir rejeitos na origem, a reincorporação de materiais ao fluxo produtivo, o uso de rejeitos em obras de infraestrutura e a valorização econômica de materiais secundários.
A Samarco possui um programa estratégico robusto de Sustentabilidade, com metas alinhadas ao Conselho Internacional de Mineração e Metais (International Council on Mining and Metals – ICMM), ao Ibram e às diretrizes climáticas nacionais. Os avanços estão alinhados à estratégia de sustentabilidade da empresa, que inclui metas de redução de rejeitos, eficiência hídrica e energética, inovação tecnológica e descarbonização, com compromisso de reduzir 30% das emissões de Escopos 1 e 2 até 2032 e alcançar neutralidade de carbono até 2050.
Visão de longo prazo
Para a Samarco, a mineração do futuro será mais circular, tecnológica e integrada ao território. Entre as prioridades, estão a ampliação das tecnologias na etapa de deslamagem, o desenvolvimento de novas aplicações para rejeitos arenosos e estéreis, parcerias com centros de pesquisa e a incorporação da circularidade desde a fase de engenharia dos projetos. Outros projetos de aproveitamento de rejeitos e de estéreis que estão sendo desenvolvidos incluem a possibilidade de comercialização da areia a partir do rejeito para a construção civil, e a instalação de concentradores magnéticos após a etapa de deslamagem, que poderão gerar cerca de 900 mil toneladas de concentrado a partir do rejeito ultrafino por ano, incorporando-as ao processo produtivo.
Bruno Pimentel ressalta que os números do último ano mostram que é possível conciliar produção, segurança e sustentabilidade com inovação e disciplina operacional.
O uso do rejeito arenoso em Germano, a comercialização de estéril como minério e a geração de um concentrado a partir do rejeito ultrafino são exemplos de uma mudança estrutural na forma de lidar com materiais antes tratados apenas como resíduos. E se considerarmos os projetos e soluções que estão sendo desenvolvidos, a abrangência dessa nova forma de trabalhar os rejeitos trará resultados ainda melhores”, comentou.




