Cultura

O revide

A briga generalizada ocorrida no final do Campeonato Mineiro me trouxe à memória um “causo” verídico que aconteceu comigo e com um estimado colega do Mato Grosso do Sul. Na década de 80, éramos cadetes cursando o 2.º ano do CFO na briosa Brigada Militar, em Porto Alegre/RS. Tradicionalmente, a Guarda-Bandeira era composta pelos cadetes mais altos do quartel. No entanto, por esses golpes do destino — ou puro carma — o Comandante, por implicância com um Segundo-Tenente baixinho, resolveu nomeá-lo para a distinta função. Não precisa nem dizer que sobrou para nós: o ilustre Oficial montou a Guarda-Bandeira apenas com os “baixotes”. Os treinos eram árduos e constantes, envolvendo apresentações em formaturas e festas cívicas, inclusive em cidades do interior do Estado. E foi num desses dias de treino que meu colega mato-grossense, mesmo estando em forma, durante uma das evoluções, resolveu me desferir um golpe na orelha, visando me irritar ou distrair. Mesmo diante de três tapas bem dados, pacifista que sou mantive-me impassivo (eis que sempre acreditei na cultura da não violência), pois vira de soslaio a aproximação de outro Oficial que assistia a tudo. Eu já ria por dentro, imaginando o triste destino do colega, quando de repente o culto Oficial deu “alto” na tropa e anunciou a sentença: — aluno Fulano, saia de forma! Você está preso por agredir de forma injusta e covarde o seu colega.
Eu já respirava aliviado quando ele completou: — e você, Vieira, também está preso! Nunca vi tanta covardia. Se fosse comigo, eu o quebrava no pau! Resultado: mais um fim de semana detido e à disposição do pelotão da faxina. Vai entender o ser humano… Tudo bem que os tempos eram outros.

Mário Vieira

Capixaba, casado, autor e advogado

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