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Cultura

Saudades

Do nadaMe veio a boaE velha saudade,A doce lembrançaNostálgica do queNão vivi, o barulhoEnsurdecedor doQue nunca disse Vultos embaçados,Figuras desconexas,Bolhas ilusórias eMomentos fugidiosDe pura felicidade Cacos de insólitaMemória e banhosCaudalosos de alegriaE espumas de raraFelicidade
Cultura

Quem foi ele?

Ele viveuHá muitos anos,No passadoNão possuíaCasa nem roupas,Nem ouro e nemJoias Era totalmenteAvesso à religião,À autoridade e àsConvenções sociais,Não ligava para título,Honra ou glória Dizem que moravaNum barril e vivia deEsmola, que viviaComo um cão e que,Mesmo assim, fezEscola Que era livre,Independente e queBastava-se a si mesmoE que desdenhava atéMesmo da morte Que
Cultura

Invulgar beleza

O seu rostoEra suave,Apesar daAparência grave A seriedadeDa face pálida,Porém, não eraSuficienteO bastante paraEsconder a suaBeleza rara Os olhos eramNegros e pequenos,Os lábios finosE delicados, jáO nariz pareciaSer desenhado Os cabelosNegros e compridosTal qual a crinaDe um corcelSelvagem lheDavam um certoAr de superioridade O seu corpoEra esguio e delgadoE bastou ela
Cultura

Renascer

Cada diaÉ em si umRecomeçoUma novaChance e umaNova oportunidade Cada diaTraz em siUma nova etapa,Um novo cicloE uma novaAprendizagem Por isto,Sempre é tempoDe recomeçar,De replantar e deReflorir E assim comoO sol renascePara nós, todosOs dias, dandoProva irrefutávelDo amor do PaiPor todas as criaturas,Também deveO homem renascerSempre e fazerNova jornada Pois, sempreÉ
Cultura

Mais um fim

Arrasta-se o anoPelas viasInexoráveis doTempoSingra nos maresDa incertezaDe um mundoCada vez maisAgitadoAbre camposE caminhos,Arrasta multidões,Dores, sonhos eCorrentes eCadáveres Fecha ciclosE abre portasE portais,EnquantoConsomeA tudo e aTodos como éDe sua natureza E paraA decepçãoDe muitos,Arrasta-se o anoPara mais um fimDo mundo queNunca se acaba E o terrívelDeus
Cultura

Nuvens

E o dia maisUma vezAmanheceraPreguiçoso,O vento sopravaLento entre uivosDe um choroLamurioso As nuvens seAglomeravamEm tons cinzasCom cara deAmeaça velada O galo aindaNão cantaraE o meu cãoCaramelo, nemSequer saíraDe sua casinha Algumas gotasDe orvalho batiamNa janela do quartoE escorriam peloVidro feito choroDe mulher novaAbandonada O dia era trevosoE fazia tremer oChão e
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Eros

Para Fedro,O amor, tambémConhecidoComo Eros, éO deus maisAntigo daDivindade Segundo ele,O amor é aInspiraçãoPara a virtudeE para aFelicidade entreOs homens O Amor é fonteDe heroísmo, poisNos torna corajosos,Sendo, ainda, umDom que brota emSi mesmo É também fonteDe inspiraçãoMoral, sendoAfortunados todosAqueles que amam Sendo certoAfirmar que amarÉ mais divinoQue ser amado
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O poeta

Eu não souAlegre nemSou triste, euSomente viajoAcordado nosSonhos alheios Eu sou umaTestemunhaOcular do tempoQue voa, euAssisto a tudoE sofro caladoUma dor queNão é minha Eu acho graçaNo mundo e rioDos meus própriosReveses e infortúnios Eu agradeçoPor tudo eRegozijo-me comA felicidade dosOutros Eu choro sozinhoNo quarto escuroDa alma e escrevoNo canto da folhaEm branco
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