Do nadaMe veio a boaE velha saudade,A doce lembrançaNostálgica do queNão vivi, o barulhoEnsurdecedor doQue nunca disse Vultos embaçados,Figuras desconexas,Bolhas ilusórias eMomentos fugidiosDe pura felicidade Cacos de insólitaMemória e banhosCaudalosos de alegriaE espumas de raraFelicidade
Ele viveuHá muitos anos,No passadoNão possuíaCasa nem roupas,Nem ouro e nemJoias Era totalmenteAvesso à religião,À autoridade e àsConvenções sociais,Não ligava para título,Honra ou glória Dizem que moravaNum barril e vivia deEsmola, que viviaComo um cão e que,Mesmo assim, fezEscola Que era livre,Independente e queBastava-se a si mesmoE que desdenhava atéMesmo da morte Que
Todo fim de ano é a mesma coisa, a mesma correria pelas compras natalinas em meio a um turbilhão de mensagens de fé, de paz e esperança, acompanhadas de inúmeras notícias dos próximos apocalipses nossos de cada dia que vão se acumulando. É que o famigerado medo da morte e a ansiedade diante do desconhecido […]
O seu rostoEra suave,Apesar daAparência grave A seriedadeDa face pálida,Porém, não eraSuficienteO bastante paraEsconder a suaBeleza rara Os olhos eramNegros e pequenos,Os lábios finosE delicados, jáO nariz pareciaSer desenhado Os cabelosNegros e compridosTal qual a crinaDe um corcelSelvagem lheDavam um certoAr de superioridade O seu corpoEra esguio e delgadoE bastou ela
A superluaMe atrai, oSuperastro meEncanta e meHipnotiza A superluaMe fascinaMe encantaE me embriaga A superluaMe espantaMe toca, meInspira e meSeduz A superluaEnche a noiteCom sua alvura,Adorna o céuCom a sua belezaSem igual eEnfeita a vidaDos enamorados
Cada diaÉ em si umRecomeçoUma novaChance e umaNova oportunidade Cada diaTraz em siUma nova etapa,Um novo cicloE uma novaAprendizagem Por isto,Sempre é tempoDe recomeçar,De replantar e deReflorir E assim comoO sol renascePara nós, todosOs dias, dandoProva irrefutávelDo amor do PaiPor todas as criaturas,Também deveO homem renascerSempre e fazerNova jornada Pois, sempreÉ
Arrasta-se o anoPelas viasInexoráveis doTempoSingra nos maresDa incertezaDe um mundoCada vez maisAgitadoAbre camposE caminhos,Arrasta multidões,Dores, sonhos eCorrentes eCadáveres Fecha ciclosE abre portasE portais,EnquantoConsomeA tudo e aTodos como éDe sua natureza E paraA decepçãoDe muitos,Arrasta-se o anoPara mais um fimDo mundo queNunca se acaba E o terrívelDeus
E o dia maisUma vezAmanheceraPreguiçoso,O vento sopravaLento entre uivosDe um choroLamurioso As nuvens seAglomeravamEm tons cinzasCom cara deAmeaça velada O galo aindaNão cantaraE o meu cãoCaramelo, nemSequer saíraDe sua casinha Algumas gotasDe orvalho batiamNa janela do quartoE escorriam peloVidro feito choroDe mulher novaAbandonada O dia era trevosoE fazia tremer oChão e
Para Fedro,O amor, tambémConhecidoComo Eros, éO deus maisAntigo daDivindade Segundo ele,O amor é aInspiraçãoPara a virtudeE para aFelicidade entreOs homens O Amor é fonteDe heroísmo, poisNos torna corajosos,Sendo, ainda, umDom que brota emSi mesmo É também fonteDe inspiraçãoMoral, sendoAfortunados todosAqueles que amam Sendo certoAfirmar que amarÉ mais divinoQue ser amado
Eu não souAlegre nemSou triste, euSomente viajoAcordado nosSonhos alheios Eu sou umaTestemunhaOcular do tempoQue voa, euAssisto a tudoE sofro caladoUma dor queNão é minha Eu acho graçaNo mundo e rioDos meus própriosReveses e infortúnios Eu agradeçoPor tudo eRegozijo-me comA felicidade dosOutros Eu choro sozinhoNo quarto escuroDa alma e escrevoNo canto da folhaEm branco
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