III Mostra de Cinema Negro no Espírito Santo exibe mais de 40 filmes

Em formato on-line e gratuito, a mostra vai até o dia 06 de fevereiro pela plataforma gratuita TodesPlay
A III Mocines — Mostra de Cinema Negro do Espírito Santo se consolida como um importante evento sobre a representação e representatividade das negritudes no cinema capixaba e brasileiro. Devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19), pela primeira vez a mostra acontece em formato on-line. As exibições começaram no último domingo (23) e seguem até o dia 06 de fevereiro. O projeto foi contemplado pelo Edital 009/2020 — Setorial de Audiovisual.
Serão duas semanas em que o público e cinéfilos poderão acessar a filmes de todas as regiões do Brasil e também algumas produções internacionais de Portugal e da Alemanha, além de participar de oficinas, cursos e debates. As exibições dos filmes serão pela plataforma gratuita TodesPlay https://todesplay.com.br e também serão realizadas outras atividades pelo canal no YouTube: https://bit.ly/3mocines.
A III Mocines — Dogma Feijoada vai exibir mais de 40 filmes, divididos por três sessões temáticas: “Sessão Erê”, com filmes para o público infantojuvenil; “Sessão Moqueca”, com obras de realizadoras e realizadores negros capixabas; e a “Sessão Nacional”, que tem como objetivo apresentar um panorama do cinema negro contemporâneo brasileiro. Por fim, uma sessão especial que dá título à mostra: “Sessão Dogma Feijoada”, com filmes do cineasta Jeferson De e de outros cineastas negros e negras do início do século 21, que configurava um novo ciclo do Cinema Negro brasileiro.
“O nosso objetivo é oferecer uma programação com o melhor das produções audiovisuais negras nacionais, sobretudo estimulando as produções capixabas, além de debates, oficinas e masterclass. Isso conecta com outro objetivo caro para nós, que é a formação de profissionais negros e negras que possam atuar no mercado audiovisual profissionalmente, bem como fomentar a formação de público, ao apresentar outro universo de narrativas”, explicou Adriano Monteiro, idealizador e produtor geral da III Mocines.
A III Mostra de Cinema Negro do Espírito Santo é realizado com o apoio da Secretaria da Cultura (Secult), por meio de edital do Funcultura.
Homenagem
A edição deste ano traz como tema o “Manifesto Dogma Feijoada”, que já completou um pouco mais de 20 anos. A ideia é voltar a este período importante da história do Cinema Negro brasileiro e refletir sobre seus impactos na produção atual. Além disso, a mostra vai homenagear uma das pessoas fundamentais deste movimento, o cineasta Jeferson De.
Jeferson De nasceu na cidade de Taubaté, interior de São Paulo. Graduou-se em Cinema pela ECA-USP, no final dos anos 1990. Como bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), entre 1997 a 1998, com a pesquisa “Diretores Cinematográficos Negros”, desenvolvendo o trabalho “Gênese do Cinema Negro Brasileiro”. Este serviu de base para elaboração do chamado Manifesto “Dogma Feijoada”, assinado por diversos cineastas negros paulistas, sendo proclamado no 11º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, em 2000.
Em 2009, fundou a produtora Buda Filmes, em parceria com a diretora Cristiane Arenas. No ano seguinte, lançou o primeiro longa-metragem chamado “Bróder”, estreando no prestigioso Festival de Berlim. Mais tarde, produziu os programas “Brasil Total” e “Central da Periferia”, na TV Globo. Foi diretor dos programas “Tramavirtual” e “Conexões Urbanas”, no canal Multishow. O segundo longa-metragem de Jeferson De, “O Amuleto”, estreou em 2015 nos cinemas. Em seguida, passou a trabalhar no longa-metragem, a comédia “Correndo Atrás” (2018), uma adaptação do livro de Hélio de La Peña, tendo no elenco Aílton Graça, Lázaro Ramos, Juliana Alves e o próprio ex-Casseta.
Em 2020, lançou “M-8: quando a morte socorre a vida”, vencedor de Melhor Filme/Júri Popular no Festival do Rio, atualmente disponível na plataforma de streaming Netflix. Com uma obra cada vez mais madura e apurada, Jeferson De lançou, no ano passado, o 5º longa-metragem, “Doutor Gama” (2021), que narra a história do advogado e abolicionista negro Luiz Gama. O filme já circulou em festivais importantes, como o American Black Film Festival, passando também pelos cinemas brasileiros, e, atualmente, está disponível na plataforma de streaming GloboPlay.
Saiba mais sobre o “Manifesto Feijoada”
O “Manifesto Dogma Feijoada” foi fruto do trabalho “Gênese do Cinema Negro Brasileiro”, realizado por Jeferson De, entre 1997 e 1998, quando era graduando do curso de Cinema na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP. A partir dessa pesquisa de iniciação científica sobre diretores cinematográficos negros brasileiros, ele conseguiu reunir diversas informações sobre o cinema produzido por negros e a representação nas telas também.
A escolha do nome teve uma pitada provocativa. O “Dogma Feijoada” consistia em estabelecer sete “regras”: 1) o filme tem que ser dirigido por realizador negro brasileiro; 2) o protagonista deve ser negro; 3) a temática do filme tem que estar relacionada à cultura negra brasileira; 4) o filme tem que ter um cronograma exequível. Filmes-urgentes; 6) personagens estereotipados negros (ou não) estão proibidos; 7) o roteiro deverá privilegiar o negro comum brasileiro. Super-heróis ou bandidos deverão ser evitados.
Assista:
- Pela plataforma gratuita TodesPlay https://todesplay.com.br
- Atividades pelo canal no YouTube: https://bit.ly/3mocines.
Fonte: Secult-ES




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