Os desafios da indústria processadora do aço, segundo a Abimetal-Sicetel

Levantamento divulgado com base nos dados do ComexStat, pela Abimetal-Sicetel, entidade que representa o setor, aponta que a indústria processadora do aço encerrou 2025 marcado pelo aumento das importações, especialmente da China. As importações atingiram o maior patamar desde o período pré-pandemia. Em 2025, foram 821,2 mil toneladas de produtos processados de aço, alta de 16,1% frente a 2024. A China manteve papel central nesse movimento, respondendo por 489,9 mil toneladas, mais que o triplo do volume importado em 2019.
Para a entidade, as importações originárias da China reforçam a pressão sobre os produtores nacionais. A dinâmica pode ser percebida na produção de trefilados, que incluem cabos e cordoalhas de aço, grampos, pregos e telas de metal: em novembro de 2025, a produção do segmento recuou 10,8% na comparação anual, acumulando queda de 1,6% no ano, como mostra a Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) do IBGE. Os dados apontam retração da produção em 2025, registrando o quarto ano seguido de resultados negativos.
No agregado de Produtos de Metal — exceto máquinas e equipamentos, que inclui os trefilados e outros itens produzidos por empresas associadas à Abimetal-Sicetel, como soldas — houve crescimento pontual de 2,7% em novembro frente a outubro, insuficiente para reverter a queda de 6,8% na comparação anual e o recuo de 1,9% no acumulado de 2025.
Na análise do presidente da Abimetal-Sicetel, Ricardo Martins, a indústria processadora do aço continuará a enfrentar um ambiente desafiador, com baixa perspectiva de recuperação, margens comprimidas e elevada incerteza.
O ano exigirá capacidade de adaptação, eficiência e posicionamento estratégico para a competitividade das empresas”, afirma.
Governo define elevação de tarifa para aços importados
Conforme deliberação tomada na 233.ª Reunião Ordinária do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e publicada em 28 de janeiro de 2026, foi aprovada a proposta de aplicação de direito antidumping definitivo, por um prazo de até cinco anos, às importações brasileiras de aços pré-pintados, originárias da China e da Índia.
Sobre o assunto assim se manifestou o Instituto Aço Brasil – IABr:
“O Instituto Aço Brasil avaliou como positiva a decisão do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), na reunião de 28 de janeiro, de elevar para 25% a alíquota do imposto de importação para nove Nomenclaturas Comuns do Mercosul (NCMs) de produtos de aço. Para a entidade, a medida representa um passo a mais no sistema de defesa comercial para conter as importações predatórias de aço.
De acordo com a nota técnica divulgada pelo governo, foram analisadas informações da Organização para Colaboração e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre o mercado global de aço, que sinalizaram excesso de capacidade de produção no mundo, prática de subsídios pelo governo da China e queda nos preços de aço no mercado global, conforme vinha sendo anunciado pelo setor.
A indústria do aço, diante do reduzido número de posições disponíveis para enquadramento na Lista de Elevações Tarifárias por Razões de Desequilíbrios Comerciais (LDCC), reconhece os esforços do governo brasileiro para aprovação desta medida, além do anterior enquadramento de 16 NCMs no mecanismo Cota Tarifa, em vigor no país desde 2024.
O setor, entretanto, permanece atento e preocupado, diante da crescente guerra no mercado de aço no mundo, motivo pelo qual vários países já adotaram medidas de defesa comercial robustas e de mais amplo espectro de produtos de aço que as adotadas no Brasil, gerando risco de aumento do fluxo de importações para o país.
É importante que o governo siga monitorando o comportamento das importações de aço e avaliando as causas de aumentos anormais de entrada de produtos no país, para evitar que ocorram impactos irreversíveis sobre o parque produtor aqui instalado e consequências negativas em toda a cadeia de produção”.
Fonte: Siderurgia Brasil





