Sudeste lidera em inovação, mas enfrenta desafios comuns às outras regiões do Brasil

Depois de percorrer ES, MG, RJ e SP, Jornada de Inovação da Indústria apresentou os resultados, oportunidades e problemas mapeados nos encontros estaduais
Por Amanda Maia
O Sudeste, epicentro da inovação no Brasil, é líder em pesquisa e desenvolvimento (P&D), mas enfrenta os mesmos desafios das outras regiões do país, como escassez de capital humano qualificado e burocracia para acessar instrumentos de fomento. O diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Jefferson Gomes, apresentou o retrato da região no encontro regional da Jornada Nacional de Inovação da Indústria, realizado na capital mineira Belo Horizonte, no dia 26 de fevereiro.
“Temos um conjunto de instrumentos de apoio técnico e financeiro e de leis para inovação. Não perdemos em ferramentas para outros países, mas não conseguimos decolar. Nosso objetivo, com a Jornada, foi sair pelo Brasil afora para perguntar às empresas quais os desafios e a estratégia de inovação no seu negócio. Por mais que os problemas sejam comuns, temos características distintas para cada região do Brasil, de pessoas e de infraestrutura”, observou Jefferson Gomes.
Segundo o diretor da CNI, exemplo de setor liderado pelas empresas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo é o de transporte e mobilidade, o que também revela o potencial da região para a transição energética. O Sudeste responde por quase metade da produção de etanol e tem o domínio em veículos híbridos e elétricos. A região mobiliza ainda capacidades em supercomputação, redes 5G, biotecnologia e saúde.
Os dados comprovam a densidade tecnológica e a maturidade do ecossistema de inovação regional, referência na América Latina. O Sudeste:
🔹retém 87% do investimento privado em P&D
🔹é responsável por 86,8% dos investimentos via Lei do Bem
🔹abriga 60,2% das startups e foi berço de 22 dos 24 unicórnios do país
🔹é sede de 110 (68%) dos 162 data centers operacionais no Brasil
🔹tem infraestrutura portuária robusta: somente o Porto de Santos movimenta 30% do comércio nacional
🔹responde por 48,5% da produção nacional de etanol
🔹é líder na indústria automotiva, com a produção de 2,64 milhões de veículos em 2025, tendo como foco crescente a fabricação de modelos híbridos.

Apesar dos diferenciais, empresas da região têm como principais desafios: escassez de capital humano qualificado (29,4%), reduzir burocracia em fomento (23,8%), mitigar insegurança jurídica e instabilidade regulatória (15,2%), enfrentar concorrência global desleal (10,8%) e romper resistência cultural à inovação (20,8%).
Inovar aumenta a produtividade e os resultados da empresa, além da expectativa de vida da população. As empresas precisam ficar atentas às oportunidades”, afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe.
Também participaram da abertura Marcelo Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae MG; Antônio Carlos Vilela, vice-presidente da FIRJAN; Paulo Renato, gerente de Inovação do Sebrae Nacional; e Mariana de Oliveira Santos, coordenadora-geral de Instrumentos de Apoio à Inovação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Nos painéis seguintes, para apresentar cases e instrumentos de fomento, estavam presentes representantes da Cerâmica Brasileira, Nanum Nanotecnologia, Bagueteria Francesa, Embrapii, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Uma caravana para revelar a inovação brasileira
A Jornada Nacional de Inovação da Indústria é um evento itinerante que está percorrendo todo o Brasil para discutir soluções, desafios e oportunidades de inovação para a indústria brasileira por região. Realizados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), os encontros contam com correalização das federações das indústrias dos estados e patrocínio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Participam dos debates empresas e instituições de apoio e fomento à inovação.






