Manifesto Público sobre a lei do abandono afetivo

À primeira vista, comove, toca nossa empatia pelo sofrimento da falta da presença de um pai. Sim, toca a todos que têm a capacidade de amar. E, em especial aos que têm o afeto responsável. O afeto responsável. A capacidade cuidadora. Será que é este o propósito desta nova lei? A lei de alienação parental entrou com a capa de ser uma proteção para as pobres crianças que eram manipuladas pelas megeras mães como vingança pelo fim do relacionamento. Na realidade o que contamos todos os dias são mais quatro mortas, quase sempre “alienadoras”, por homens que não aceitaram o fim do relacionamento. Na verdade, a LAP teve desde sempre o propósito de atacar o gênero feminino, a maternidade. Foi escrita para matar a mulher/mãe.
Perguntamos: diante da tipificação do abandono afetivo
1–a justiça irá buscar os pais de todas as crianças que são criadas pela mãe solo no Brasil? São milhões de mulheres que ao comunicarem a gravidez, o homem toma a estrada e some.
2–a justiça irá buscar e multar os pais das crianças que nasceram com microcefalia por causa do vírus da Zika, contraído pela mãe durante a gestação? Soma cerca de 70% dos pais que sumiram no mundo e deixaram para trás as mães com filhos severamente atípicos.
3–a justiça irá fazer valer essa lei para os filhos fora do casamento de homens ilustres e poderosos?
4–os pais que moram em casa, mas não têm afeto pelos filhos, serão penalizados? Como será essa dosimetria? Tem algum protocolo?
Sabemos que não. Portanto, fica claro que os beneficiados serão os genitores que, empunhando essa lei, exigirão a convivência coercitiva com seus filhos vítimas. Também discordamos da ilusão de legislar e judicializar afeto. Então, para que vai servir essa lei? Melhor dizendo, para quem vai servir?
Nós, Vozes de Anjos, assinamos embaixo do texto da ONG Vítimas Unidas.




